3 tendências para a tele-saúde em 2019

Num mundo globalizado como o que temos nos dias de hoje, é normal que as tendências globais tenham impacto e influência nas tendências nacionais e, no caso da tele-saúde, não deverá ser excepção.

A evolução tecnológica nos últimos anos tem vindo a trazer para o mercado novos dispositivos que melhoram e simplificam o acesso à tele-saúde. A título de exemplo, no evento anual Consumer Electronic Show (CES 2019), que se realizou em Las Vegas e terminou no passado dia 11 de janeiro, a OMRON apresentou o que diz ser o “primeiro monitor de pressão arterial wearable“, que permite a medição simplificada da pressão arterial, através do tradicional método oscilométrico, com recurso apenas a um relógio que tem a capacidade de insuflar e proceder às medições das pressões arteriais. Estes “choques” tecnológicos são fundamentais para a tele-saúde, dado que um dos pilares de qualquer programa de tele-saúde é a tecnologia.

Em Portugal, desde a criação do Centro Nacional de Telesaúde, em 2016, foram surgindo várias iniciativas nesta área e o setor tem vindo a crescer de forma sustentada no nosso país. Para 2019 destaco as seguintes tendências, tendo em conta o que decorreu até agora e de acordo com as condições criadas para os próximos meses:

 

  1. Teleconsulta: A expansão desta forma de consulta será consolidada dada a forte aceitação da mesma, a facilidade de execução e o nível de investimento que é necessário. Por outro lado, é provável que tenhamos mais instituições a utilizar esta ferramenta na sua atividade assistencial dada a sua aplicabilidade em diferentes especialidades, como por exemplo: Cirurgia vascular, tele via verde do AVC, telecardiologia, pneumologia, entre outros. De acordo com dados do Centro Nacional de Telesaúde, em 2018, realizaram-se mais de 166.000 teleconsultas, sendo a sua maioria na região norte de Portugal.

Esta ferramenta não se cinge às instituições do Sistema Nacional de Saúde e estender-se-á aos privados (hospitais, clínicas, seguradoras e outros prestadores de cuidados de saúde) porque é uma forma de comunicação que, num determinado grupo etário, é bem aceite e permite diversificar a oferta de serviços em saúde.

  1. Teledermatologia: Este serviço proporciona uma resposta mais rápida e eficiente aos utentes, reduzindo o tempo de espera por uma consulta, mas também evitando, em alguns casos a referenciação para o hospital. Funciona, normalmente, entre um hospital e um centro de saúde, não sendo necessária deslocação ao hospital para ser avaliado pela dermatologia. Estes projetos permitirão, durante o ano de 2019, melhorar a acessibilidade e equidade no acesso às consultas de dermatologia.
  2. Telemonitorização: De acordo com a Berg Insight, em 2017 existiam, mundialmente, 16,5 milhões de pacientes monitorizados remotamente e em 2023 é estimado pela mesma empresa de estudos de mercado, que se atinjam os 83,4 milhões de pacientes.

De uma forma geral, são programas que tem tido alguma adesãoem diversas partes do mundo, nos mais variados contextos com os objetivos de resolver problemas frequentes das doenças crónicas, nomeadamente idas à urgência e hospitalizações. Em Portugal, nos últimos anos, têm surgido vários programas de telemonitorização, sobretudo para a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), a insuficiência cardíaca, no status pós-enfarte agudo do miocárdio, entre outras patologias. É expectável que, durante 2019, comecem a surgir os primeiros resultados destes programas.

No caso da insuficiência cardíaca, em Agosto foi publicado um estudo com 1538 indivíduos (dos quais 765 telemonitorizados) que sugere que uma intervenção estruturada com recurso à telemonitorização e integrado com um centro de telemedicina pode reduzir a mortalidade nestes pacientes.

Na área respiratória são cada vez mais os dispositivos, como os ventiladores para insuficiência respiratória ou para tratamento da apneia do sono que permitem a monitorização remota dos dados de utilização (adesão terapêutica) e dados de eficácia terapêutica. Esta inovação pode permitir, se aliado a um programa estruturado e personalizado, uma adesão mais rápida à terapia e mantida ao longo do tempo. A telemonitorização veio, definitivamente, para ficar.

Por João Tiago Pereira, Senior Product & Business Development Manager

Linde Saúde