A atividade física em pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

Atividade física e exercício são conceitos diferentes que importa esclarecer. Atividade física é qualquer movimento corporal, produzido pela contração dos músculos esqueléticos, que resulte num gasto de energia acima do nível de repouso (exemplos: atividade física desportiva, doméstica, ocupacional). Exercício é uma subcategoria da atividade física que é planeada, estruturada e repetitiva, e que tem como objetivo final a melhoria ou manutenção da capacidade física.

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença progressiva que afeta os brônquios e os pulmões (bronquite e enfisema), provocando sintomas iniciais como tosse e expetoração, e outros mais avançados como cansaço e dispneia (sensação de falta de ar) ao mínimo esforço.

Uma vez que se sentem cansadas e com falta de ar ao fazer as tarefas mais comuns, as pessoas com DPOC vão evitando o esforço e a atividade física. Sabe-se que a atividade física regular (150 min de atividade moderada/semana) é essencial para a promoção e a manutenção da saúde. Nas pessoas com DPOC, esta regra não tem exceção. Não é por acaso que a Direção Geral de Saúde (DGS) perspetivou o “exercício como medicamento” na sua “Estratégia Nacional para a Promoção da Atividade Física, da Saúde e do Bem-Estar | 2016-2025.

Aliás, os estudos comprovam que uma pessoa com DPOC que é integrada num programa de Reabilitação Respiratória e que tem níveis médios de atividade física consegue aumentar o seu grau de tolerância ao exercício físico, melhorar a sua qualidade de vida e reduzir o seu risco de hospitalizações, devido a exacerbações, e até de mortalidade.

A Reabilitação Respiratória é apontada como uma intervenção de fundamental no tratamento da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Um programa de Reabilitação Respiratória deve assentar em três pilares essenciais: avaliação e controlo clínico, treino de exercício físico e educação. Neste programa o doente deverá ter o apoio de uma equipa multidisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais, para que possa melhorar a sua capacidade física, reduzir os sintomas, diminuir o stress e ansiedade e gerir de forma mais eficaz a sua doença.

Tarefas tão simples como abotoar uma camisa ou fazer a barba podem ser hercúleas para uma pessoa com DPOC que ainda não aprendeu a lidar com a sua doença. Mas, na Reabilitação Respiratória vai aprender a fazê-las de uma forma que não lhe cause tanto cansaço e dispneia (fazê-las sentado, por exemplo), ou seja de forma a conservar energia e consumir menos oxigénio.

Mesmo com treinos de baixa intensidade, a prática de exercício é benéfica para quem sofre de DPOC. Definindo objetivos que tenham em consideração a capacidade física do doente, e mantendo o acompanhamento profissional, de forma a ter rotinas de treino de acordo com a sua tolerância ao exercício, é possível melhorar os níveis de capacidade física de doentes com DPOC. Os profissionais de saúde têm um papel importante na promoção da Reabilitação Respiratória e da atividade física para o tratamento das pessoas com DPOC.

Joana Cruz, fisioterapeuta, docente da Escola Superior de Saúde (ESSLei) e investigadora da Unidade de Investigação em Saúde (UIS) do Instituto Politécnico de Leiria, destaca que também é importante “não esquecer que a atividade física é um fenómeno complexo e que depende de vários fatores que vão para além da própria doença, tais como características individuais, crenças, fatores socioeconómicos e ambientais (e.g., clima, região onde vive, suporte social)”.

Por isso, “cabe aos profissionais de saúde avaliar cada indivíduo no seu contexto, de forma a identificar possíveis facilitadores e/ou barreiras à atividade física, e ajudar o seu doente a manter-se fisicamente ativo”, conclui a especialista.