Espirometria: o que é, como se faz e para que serve

Falta de ar, tosse, expetoração e sensação de aperto no peito são alguns dos sintomas que podem acompanhar uma doença respiratória. Para diagnosticar uma doença do foro respiratório, há duas condições: avaliar as alterações estruturais, e isso é conseguido através da TAC Torácica, e, tão ou mais importante, avaliar a função respiratória, que se consegue através de um exame muito simples chamado espirometria. A espirometria é um exame que pretende avaliar a função pulmonar através da medição da entrada e saída de ar nos pulmões, da avaliação dos volumes e da força da respiração, da avaliação dos débitos.

A espirometria é utilizada para diagnosticar patologias como Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), asma ou outras doenças que afetam a função pulmonar. Para além do diagnóstico, este exame pode ajudar na monitorização das doenças crónicas do pulmão, de forma a verificar se tratamentos utilizados estão a melhorar a função respiratória.

Aos doentes fumadores, recomenda-se não fumar pelo menos na hora anterior ao exame. Também não é recomendado o consumo de bebidas alcoólicas nas 24 horas antes do exame. Comer em demasia e utilizar roupa muito justa são, também, duas ações não recomendadas, uma  vez que podem alterar os resultados do teste.

Por norma, uma espirometria tem a duração de 15 minutos e é realizada num consultório médico. Durante o exame, o paciente está sentado numa cadeira e é-lhe colocado um clipe no nariz para manter ambas as narinas fechadas e um bocal na boca. Seguidamente o doente deve inspirar profundamente, prender a respiração durante alguns segundos e, por fim, expirar o máximo de ar e o mais rápido que puder para o bocal. Para garantir que os resultados são consistentes, o teste terá de ser efetuado pelo menos três vezes, sendo que pode ser repetido mais vezes se se verificar uma grande variação entre os resultados do teste. As curvas registadas de inspiração e expiração são importantes para validar as provas.

No caso de ser detetada alguma anomalia na função respiratória, esta prova deve ser complementada com uma outra, após a inalação de um broncodilatador. Por norma, o doente deve esperar 15 minutos até que seja realizado um novo teste. No final do segundo teste, o médico irá comparar os dois resultados e irá avaliar qual o efeito do broncodilatador na função pulmonar. Quando a espirometria apresenta alterações, este teste deve ser realizado pelo menos uma vez por ano.

É importante sublinhar que a espirometria é um teste rápido e indolor que possibilita o diagnóstico, avalia a evolução e permite controlar a eficácia da medicação prescrita.

Dr. António Carvalheira Santos, Chefe de Serviço de Pneumologia

O impacto da Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono na saúde cardiovascular

A Síndrome de Apneia obstrutiva do sono (SAOS) é um distúrbio comum, mas subdiagnosticado, sendo caraterizado por episódios recorrentes de obstrução das vias aéreas superiores durante o sono, resultando em pausas respiratórias. Estas pausas respiratórias originam diminuição da saturação de oxigénio no sangue periférico e, por vezes, também, aumento da pressão arterial de dióxido de carbono. Quando estes valores atingem determinado limiar, existem mecanismos de defesa que induzem despertares para que a pausa respiratória tenha um fim e o doente volte a respirar normalmente. Estes despertares repetitivos ao longo da noite causam fragmentação e desestruturação do sono. Assim, este mecanismo protetor, torna-se na causa dos sintomas e das consequências nefastas desta síndrome.
A tríada sintomática típica da SAOS é roncopatia, sonolência excessiva durante o dia e pausas respiratórias testemunhadas durante o sono.
Nem todos os doentes apresentam estes sintomas, podendo o quadro clínico ser mais inespecífico e o doente apresentar diminuição da capacidade de memória ou de concentração, irritabilidade, ansiedade, disfunção sexual, etc.
Os principais fatores de risco de SAOS são a obesidade, pois a gordura ao acumular-se ao nível do pescoço diminui o calibre da via respiratória, tornando mais fácil o seu colapso durante a noite; a genética, pois a amplitude e o calibre desta via é determinado pelos genes que herdamos dos nossos progenitores; o género masculino, de facto os homens têm o dobro da probabilidade de sofrer de SAOS em relação às mulheres; e a idade pois com o avançar dos anos, os tecidos e os músculos à volta da via respiratória tornam-se mais laxos e perdem a capacidade de manter a via aérea patente.
O diagnóstico da SAOS é feito através da realização de estudos polissonográficos, que podem ser realizados no domicílio ou em meio hospitalar, de acordo com o seu grau de complexidade e monitorizam parâmetros respiratórios, cardíacos e, até, eletroencefalográficos. Estes exames permitem avaliar a presença de pausas respiratórias, quantificar o seu número por unidade de tempo e a sua relação com determinadas posturas durante o sono ou com determinadas fases do sono.
A quantificação das pausas respiratórias ao longo da noite, permite-nos graduar a gravidade da SAOS e assim decidir qual o melhor tratamento a instituir. O tratamento mais eficaz e mais usado é o suporte ventilatório noturno com equipamentos que permitem manter uma pressão positiva contínua na via aérea ao longo de toda a noite, impedindo que esta colapse. Estes equipamentos chamam-se CPAP (continuous positive airway pressure) ou APAP (autoadjusting positive airway pressure). Nos casos de doentes que aliam à SAOS a presença de outras doenças respiratórias como a Doença Pulmonar Obstrutiva crónica (DPOC), Asma ou outras, poderá ser necessário usar ventiladores com algoritmos mais sofisticados como os BiPAP (bilevel positive airway pressure).
Existem medidas que diminuem a gravidade da SAOS e que devem ser respeitadas por todos os doentes com SAOS, tais como, controlo ponderal, evitando o excesso de peso; exercício físico regular, para fortalecer os músculos respiratórios, responsáveis por manter o calibre da via respiratória durante o sono; abstenção de tabaco pelo menos 2 horas antes de deitar, abstenção de álcool pelo menos 4 horas antes de deitar e não recorrer a comprimidos para dormir da classe das benzodiazepinas.
É mesmo importante tratar a SAOS, pois além dos sintomas e da má qualidade de vida que esta doença acarreta, aumenta o risco de acidentes de viação e de trabalho devido ao cansaço e à sonolência diurna excessiva que os doentes apresentam. Para além disso, também o risco de doenças cardio e cerebrovasculares como a hipertensão arterial, o enfarte agudo do miocárdio, as alterações do ritmo cardíaco e o Acidente vascular cerebral (AVC) é mais elevado nestes doentes.
Exatamente pelo fato de existirem mecanismos de defesa que acordam os doentes ao fim de alguns segundos em pausa respiratória para que voltem a respirar, é que surgem estes efeitos cardiovasculares e cerebrovasculares. Cada despertar é acompanhado de ativação do sistema nervoso simpático, e consequentemente, de aumento do ritmo e do débito cardíaco e da tensão arterial, o que vem a revelar-se altamente prejudicial para a saúde. Felizmente, o tratamento da SAOS, não só controla os sintomas como também diminui drasticamente os riscos associados a esta doença, nomeadamente os riscos cardio e cerebrovasculares.

Marta Drummond, especialista em pneumologia com grau de consultor, competência em Medicina do Sono pela Ordem dos Médicos e professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Das consultas à distância ao controlo de doenças crónicas. A telessaúde está aí

No âmbito do simpósio Telehealth for Chronic Diseases: Integrated Patient-centric Solutions, que teve lugar no 27º Congresso da EAHM – European Association of Hospital Managers, o Diário de Notícias (DN) realizou uma reportagem sobte Telessaúde, no qual partilhou o testemunho de uma doente com insuficiência cardíaca que é acompanhada no recurso à telessaúde. Neste artigo, o DN explora a maneira como a telessaúde se está a implementar em Portugal e quais os desafios que esta nova tecnologia terá de superar para ser o braço direito do SNS.

Desde que recebeu o diagnóstico de insuficiência cardíaca, Maria Celeste deixou “de viver a 200% para passar a viver a 50%”. Uma mudança violenta para alguém que “pensava que era a supermulher”. Teve alguns sustos, passou por vários internamentos. Chegou a dormir com a porta de casa destrancada, com medo de se sentir mal durante a noite. No final do ano passado, o médico que a acompanha no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, propôs-lhe que integrasse um projeto de telemonitorização, que tem vindo a ajudá-la a aprender a viver com a doença. “Ainda não foi preciso, mas, se não me sentir bem ou se os valores justificarem, encaminham-me para o hospital. Agora sinto-me um pouco mais tranquila, e não vou tantas vezes ao médico. É como se tivesse uma enfermeira a monitorizar-me diariamente. E há um serviço de apoio 24 horas por dia”, afirma, destacando que, como vive numa aldeia perto de Mafra, este sistema evita muitas deslocações a Lisboa.

Telemonitorização em oito hospitais públicos

A telemonitorização – que neste ano está a ser desenvolvida em oito hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) – é uma das subáreas da telessaúde, um tema em discussão no simpósio Telehealth for Chronic Diseases: Integrated Patient-centric Solutions, evento integrado no 27.º Congresso da EAHM – European Association of Hospital Managers, que decorreu na sexta-feira no Centro de Congressos do Estoril.

“A implementação da telessaúde está a avançar a um ritmo acelerado e em praticamente todo o território nacional”, adianta ao DN Micaela Monteiro, diretora do Centro Nacional de TeleSaúde (CNTS), que está sob a responsabilidade dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS).

O recurso às tecnologias da informação e da comunicação está a mudar a forma como se presta cuidados de saúde no país. “Através da telessaúde é possível ultrapassar barreiras geográficas, facilitar o acesso a serviços, ter um acompanhamento mais continuado e articulado entre os diferentes níveis de cuidados. Já não é necessário partilhar o mesmo espaço físico para receber cuidados de saúde. Não é apenas mais cómodo para o utente e as famílias, mas também ajuda a reduzir custos em deslocações ou através de uma organização mais eficiente dos recursos disponíveis”, sublinha Micaela Monteiro.

Teresa Magalhães, investigadora nas áreas de sistemas de informação na saúde e responsável pela implementação do primeiro programa integrado de telemonitorização da insuficiência cardíaca no Hospital de Santa Maria, destaca as vantagens desta ferramenta nas doenças crónicas: “Quando atuamos de forma precoce na agudização da doença, evitamos gastos desnecessários com internamentos e idas às urgências. Mas isto não pode ser visto só numa perspetiva económica. Damos mais qualidade de vida aos doentes e reduzimos a mortalidade.” Desta forma, prossegue, o paciente torna-se mais autónomo, aprendendo a lidar melhor com a sua doença, já que passa a reconhecer os sinais.

Teleconsultas em tempo real

Atualmente, exemplifica a diretora do CNTS, existem “teleconsultas em tempo real, em que profissionais e utentes se ligam através de videochamadas; e teleconsultas em tempo diferido, em que, por exemplo, uma imagem de uma lesão cutânea “viaja” por via digital para o especialista no hospital para uma priorização dos casos mais urgentes ou mesmo para resolução das situações menos graves através de recomendações que ajudam o médico de família a tomar as melhores decisões”. Já “no centro de contacto do SNS, SNS 24, os enfermeiros todos os meses atendem em média mais de cem mil chamadas de utentes com dúvidas relativamente a questões de saúde – o que faz deste provavelmente o maior serviço de telessaúde em Portugal”.

Em 2017, registaram-se 28 448 teleconsultas em 18 unidades de saúde em Portugal, de especialidades como dermatologia, cardiologia, cardiologia pediátrica, nefrologia, medicina física e de reabilitação. As consultas de dermatologia, por exemplo, envolvem 24 unidades hospitalares, das quais 14 são centros hospitalares. Nestas consultas, geralmente o doente e o médico de família estão no centro de saúde e o dermatologista está no hospital, que pode ser a dezenas de quilómetros de distância. “Neste momento, o que é preciso é desenvolver a teleconsulta sem intermediário, médico-doente”, sugere Teresa Magalhães.

Embora considere que a telessaúde pode ser um forte aliado do SNS, Teresa Magalhães reconhece que “a falta de literacia na população mais envelhecida é uma barreira” à sua implementação, pelo que é preciso “o envolvimento dos profissionais no ensino aos doentes da sua condição de doença e no que podem beneficiar com este suporte tecnológico”.

Pode ler o artigo completo em http://bit.ly/DiariodeNoticias

O 1.º passo é deixar de fumar, mas não chega. “Saúde respiratória precisa de ser reabilitada”

O alerta é do coordenador do Programa de Reabilitação Respiratória do AIR Care Centre®, António Carvalheira, que no Dia Europeu do Ex-Fumador, que se assinala a 26 de setembro, alerta para o impacto negativo do tabagismo e reforça a importância de os ex-fumadores sintomáticos fazerem Reabilitação Respiratória.

Sabe-se que 85% dos casos de cancro do pulmão e 90% dos casos de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) se devem ao tabagismo. Deixar de fumar é caminhar no sentido de uma vida melhor e mais longa, mas não chega. Mesmo anos depois de apagar o último cigarro, os efeitos do tabaco ficam nos pulmões e é preciso avaliar o impacto, que esse hábito influiu na função pulmonar e tomar as medidas adequadas para que eventual doença associada ao tabagismo não evolua.

Um em cada cinco portugueses maiores de 15 anos fuma e o consumo de tabaco é responsável por 10,6% das mortes. Segundo o relatório “Portugal – Prevenção e Controlo do Tabagismo 2017”, apresentado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), morreu uma pessoa a cada 50 minutos, em Portugal, por doenças atribuíveis ao tabaco. O tabaco foi responsável por 46,4% das mortes por DPOC, 19,5% das mortes por cancro, 12% das mortes por infeções respiratórias do trato inferior, 5,7% das mortes por doenças cérebro-cardiovasculares e 2,4% das mortes por diabetes.

“O fumador ou ex-fumador é um doente, mesmo que ainda não tenha o diagnóstico”, alerta António Carvalheira, médico pneumologista coordenador do Programa de Reabilitação Respiratória do AIR Care Centre®, único centro em Portugal exclusivamente dedicado à reabilitação de doentes respiratórios. “Deixar de fumar é um passo muito importante, mas não chega. A saúde respiratória precisa de ser reabilitada”, destaca.

Nesse sentido, o especialista aconselha “todos os fumadores e ex-fumadores a fazer uma Tomografia Computadorizada (TAC) do tórax para avaliar possíveis alterações estruturais nos pulmões e exames para analisar eventuais alterações da função respiratória, como a espirometria ou a pletismografia”. Quando há alterações nestes parâmetros e o ex-fumador tem sintomas como tosse, expetoração e dispneia (falta de ar) “é totalmente recomendado, para além das medidas profiláticas e terapêuticas, a  Reabilitação Respiratória”, sublinha.

O especialista em pneumologia lamenta que em Portugal menos de 2% dos doentes com DPOC tenham acesso à Reabilitação Respiratória, quando este tratamento é obrigatório em 100% dos casos de DPOC sintomáticos, segundo as normas de boas práticas internacionais.

Assente em três pilares fundamentais – controlo clínico, educação e exercício físico – a Reabilitação Respiratória traz benefícios como: a redução dos sintomas de dispneia (falta de ar) e fadiga; a melhoria da capacidade física, para melhor realizar as tarefas do dia a dia; a redução do número de exacerbações e/ou da sua gravidade; a redução das idas ao serviço de urgência, bem como de hospitalizações e até duração das mesmas; a melhoria da qualidade de vida relacionada com a saúde; a melhoria da função emocional; e uma maior capacitação para gerir com maior eficácia a sua doença crónica.

 

Mais sobre AIR Care Centre®

O primeiro Centro de proximidade em Portugal especializado em Reabilitação de doentes respiratórios, fora do meio hospitalar. Este centro assenta a sua intervenção em três pilares fundamentais: avaliação clínica minuciosa e abrangente, treino de exercício físico e educação, complementada com fisioterapia respiratória, intervenção psicológica, acompanhamento nutricional e programa de cessação tabágica. A equipa inter-multidisciplinar do AIR Care Centre® é composta por profissionais experientes e dedicados, incluindo médicos, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, nutricionistas, terapeutas ocupacionais e cardiopneumologistas.

A tele-saúde nas doenças respiratórias crónicas

As doenças respiratórias crónicas, como a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), caracterizam-se por serem de evolução prolongada com declínio da função respiratória, muitas vezes potenciada por períodos em que o estado geral de saúde do indivíduo piora e denominam-se por exacerbações. Estas contribuem negativamente para a evolução da doença, gerando, frequentemente, idas à urgência, hospitalizações e/ou readmissões hospitalares.

O tratamento desta doença tem como objectivo a melhoria sintomática e evitar as complicações e exacerbações do indivíduo, na maior parte das vezes através de fármacos. As recomendações clínicas também sugerem outros tratamentos não farmacológicos, como por exemplo a reabilitação respiratória, a educação e a auto-gestão da doença. Relativamente à primeira, consiste numa intervenção não-farmacológica com bastante evidência científica que suporta a sua recomendação, embora não esteja, actualmente, disponível de uma forma massificada como seria desejável. As outras duas formas de intervenção (educação e auto-gestão) são recomendadas para os indivíduos com a DPOC, potenciando a utilização correcta dos seus fármacos, no reconhecimento dos sinais e sintomas da doença e no planeamento, muitas vezes, em conjunto com o profissional de saúde, de estratégias de actuação perante uma exacerbação. Aqui entra a tele-saúde para facilitar o acompanhamento dos indivíduos com DPOC à distância, que consiste na aplicação de tecnologias para ajudar os doentes a gerir as suas próprias doenças através da melhoria das suas capacidades de auto-cuidados e do acesso à educação e aos sistemas de apoio1.

Existem variadas formas de tecnologia associada à tele-saúde na DPOC, destacando-se a monitorização de parâmetros fisiológicos (oximetria de pulso, frequência cardíaca, frequência respiratória, peso, temperatura corporal e pressão arterial), monitorização da actividade física e pesquisa de sinais e sintomas, bem como da adesão à terapêutica farmacológica (através de questionários via smartphone/tablet ou através de contacto telefónico directo). Este conjunto de tecnologias, utilizado de forma integrada poderá permitir o reconhecimento precoce de exacerbações. Somente a recolha de parâmetros não adiciona nada de novo, é necessário recolher informação sobre a sintomatologia, com o apoio de um profissional de saúde à distância. Os indivíduos com DPOC, em alguns casos, podem ter dificuldade em distinguir o que é uma variação diária, normal, dos seus sintomas, daquilo que é realmente um sintoma precoce de exacerbação. Assim sendo importa incluir a componente humana na equação da tele-saúde: É necessário a avaliação à distância de um profissional de saúde, sempre que possível.

Sabemos que a evolução tecnológica recente tem tido incrementos exponenciais, sobretudo na área da inteligência artificial. Na área da saúde ainda são tímidos os passos mas, recentemente, um estudo2 publicado no Journal of Medical Internet Research, realizado por uma equipa de investigadores da Universidade de Sheffield, demonstrou que, em 135 doentes com DPOC, utilizando a técnica de machine learning, foi possível demonstrar que, para a amostra em estudo, esta técnica de predição consegui ser superior a identificar exacerbações e necessidade de medicação (corticosteróides). Este tipo de inteligência artificial, permite utilizar algoritmos para recolher dados, aprender com eles e fazer uma previsão de acontecimentos, neste caso exacerbações da DPOC, personalizadas a cada indivíduo, reconhecendo a variabilidade sintomática inter-indivíduos.

Ainda existe, como é óbvio, um longo caminho a percorrer, de forma a ter um modelo integrado e inovador de tele-saúde para a DPOC. Entretanto e à luz das principais recomendações clínicas para o tratamento da DPOC, no campo das terapêuticas não-farmacológicas, a integração de cuidados com a tecnologia, de forma a potenciar a auto-gestão da doença e os auto-cuidados, é cada vez mais possível e acessível através da tele-saúde.

João Tiago Pereira, gestor de produto da Linde Saúde

 

1-Kvedar J, Coye MJ, Everett W. Connected health: a review of technologies and strategies to improve patient care with telemedicine and telehealth. Health Aff (Millwood) 2014; 33: 194–199.
2- Orchard P, Agakova A, Pinnock H, Burton CD, Sarran C, Agakov F, McKinstry. Improving Prediction of Risk of Hospital Admission in Chronic Obstructive Pulmonary Disease: Application of Machine Learning to Telemonitoring Data. Journal of Medical Internet Research. (forthcoming/in press)

O doente com Fibrose Pulmonar Idiopática

A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é uma doença de causa desconhecida, consistindo numa progressiva acumulação de tecido danificado nos pulmões, podendo-se encarar este processo como o resultado de deficiente cicatrização pulmonar perante agressões diversas, embora não cabalmente identificadas, mas dentro das quais o tabaco será um dos mais relevantes fatores.

A FPI é uma doença progressiva e que surge habitualmente entre os 60 e os 70 anos de idade, sendo mais frequente no sexo masculino.

Inicialmente as queixas são muito discretas, pelo que, aparecendo esta doença maioritariamente em fumadores, são muitas vezes desvalorizadas ou confundidas com doença das vias aéreas ou doença cardíaca. Esta é uma das causas para o atraso no diagnóstico, o que pode condicionar a evolução da doença sem o correto encaminhamento.

A falta de ar que se vai instalando, inicialmente apenas em esforço, acompanhada de tosse seca e irritativa, são os principais sintomas da doença.

O diagnóstico é efetuado principalmente com realização de uma TAC do tórax, não sendo necessário atualmente, na maioria das situações, o recurso a biópsia para obtenção de tecido pulmonar.

 

Não havendo cura para a FPI, existem tratamentos disponíveis, as chamadas moléculas antifibróticas, que podem abrandar o desenvolvimento do processo de cicatrização nos pulmões e assim atrasar a progressão da doença, daí a necessidade de um diagnóstico o mais atempado possível.

Também existem opções terapêuticas disponíveis com potencial de controlo dos sintomas como a tosse. A reabilitação pulmonar é outra das atitudes terapêuticas obrigatórias, estimulando os doentes a realizar exercício dentro dos limites das suas capacidades funcionais. Finalmente, a oxigenoterapia pode tornar-se imprescindível para os doentes com FPI mais avançada.

É também fundamental que os doentes possam receber e procurar informação que os ajude a entender o seu problema clínico e que lhes forneça formação na gestão da doença. A informação online é hoje uma ferramenta indispensável, mas é imprescindível uma relação próxima e constante entre o doente e os profissionais de saúde.

 

Carlos Robalo Cordeiro, professor catedrático de Pneumologia da Faculdade de Medicina de Coimbra e diretor do Serviço de Pneumologia A do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra

Oxigenoterapia de Deambulação nas férias

A Oxigenoterapia de Deambulação consiste na administração de oxigénio durante as atividades da vida diária de forma a aumentar a concentração de oxigénio no ar que respiramos. É facilitada pelos dispositivos denominados concentradores portáteis de oxigénio e permite  aumentar a autonomia e a qualidade de vida das pessoas com Insuficiência Respiratória Crónica.

Em férias, este tratamento deve ser mantido tal e qual como durante o resto do ano. Mesmo andando de um lado para o outro e independentemente dos locais, deve ser feito o mesmo oxigénio e de acordo com a prescrição médica.

A Insuficiência Respiratória Crónica é caracterizada pela incapacidade de efectuar trocas gasosas a nível pulmonar em parâmetros adequados.  Manifesta-se por hipoxémia , redução da concentração de oxigénio no sangue periférico. Para além de hipoxémia, a Insuficiência Respiratória Crónica também pode provocar a retenção do dióxido de carbono, que se chama hipercápnia, por incapacidade do aparelho respiratório em eliminá-lo eficazmente.

Considera-se que existe uma Insuficiência Respiratória Crónica quando a pressão arterial parcial de oxigénio (PaO2) é inferior a 60 mm Hg (milímetros de mercúrio) com ou sem aumento da pressão arterial parcial de dióxido de carbono (PaCO2) superior a 45 mm Hg.

A Insuficiência Respiratória Crónica pode ser causada por doenças do aparelho respiratório ou por doenças de outros órgãos ou sistemas, que impeçam uma eficaz entrega de oxigénio aos tecidos. O sintoma mais evidente da Insuficiência Respiratória Crónica é a dispneia, ou seja, a sensação de dificuldade respiratória ou a chamada falta de ar, que inicialmente é desencadeada pelo esforço, mas com o passar do tempo pode agravar-se surgindo em repouso.

Os doentes em que há baixa da concentração de oxigénio – o que se traduz  numa saturação do oxigénio periférico abaixo de 88% (SpO2 < 88%) –, nas tarefas da vida diária,  na deambulação, ou nos trabalhos que implicam esforço moderado a alto, têm indicação de utilização de oxigénio suplementar para impedir a degradação dos órgãos, nomeadamente coração, pulmões, cérebro e músculos. A isso chama-se Oxigenoterapia de Deambulação.

A Oxigenoterapia consiste, assim, na administração terapêutica de oxigénio suplementar, de forma a aumentar a concentração de oxigénio no ar que respiramos. A prescrição de Oxigenoterapia de Deambulação é indicada para as pessoas que através de uma prova de marcha de 6 minutos ou de um registo da saturação periférica por oximetria durante 24 horas revelem uma saturação periférica do oxigénio inferior a 88%.

A quantidade de oxigénio suplementar a prescrever está dependente de um exame, que se chama prova de aferição do oxigénio.

A Norma da Direcção Geral de Saúde e a Norma da Prescrição de Oxigenoterapia de Deambulação obriga a que estes doentes estejam integrados em Programa de Reabilitação Respiratória. Um programa de Reabilitação Respiratória tem como objetivos proporcionar a diminuição das incapacidades físicas e psicológicas causadas pela doença respiratória através da melhoria da aptidão física e mental, alteração de comportamentos de agravamento, promoção da reintegração social e capacitação do doente para a gestão integrada da sua doença. Este programa assenta em três pilares: controlo clínico, ensino e treino de exercício. Sendo que deverá ter o suporte técnico de uma equipa interdisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais.

Os principais benefícios da reabilitação respiratória são a redução dos sintomas respiratórios de fadiga e dispneia, a reversão da ansiedade e depressão associadas à doença respiratória, a melhoria da tolerância ao exercício com aumento da resistência ao esforço, a melhoria na habilidade para a realização das actividades da vida diária, a redução das agudizações, a redução do número de consultas não programadas e recurso ao Serviço de Urgência, a  redução do número de dias de hospitalizações, a  diminuição dos custos directos e indirectos relacionados com a saúde e uma melhor integração familiar e social

Se for de férias e suspender temporariamente a Reabilitação Respiratória, deve manter, para além da rigorosa prescrição de oxigénio, um plano de exercício, pois o exercício faz parte integrante do plano terapêutico do doente sob Oxigenoterapia de Deambulação.

Dr. António Carvalheira Santos, Chefe de Serviço de Pneumologia

Dia do Transplante: Os cuidados a ter depois de receber esta nova oportunidade

Mal se entra nesta nova fase da vida, após o transplante pulmonar, são vários os cuidados a ter, e nem todos contam com o apoio médico, mas com o quotidiano de cada um.
O dia de hoje é marcado pelos 49 anos desde a realização do primeiro transplante em Portugal. Esta é, segundo a Associação de Transplantados Pulmonares de Portugal, “a esperança de sobrevivência e também uma nova oportunidade” para quem o recebe.

Além dos cuidados médicos, que são bastante frequentes numa primeira fase, segue-se a adaptação do estilo de vida à nova condição que embora garanta uma maior saúde, importa não esquecer da sensibilidade a que se fica exposto.

O pulmão é o principal órgão do sistema respiratório, pelo que é necessário garantir a reabilitação respiratória antes de o paciente regressar a casa. Quando tal acontece, há recomendações a ter em conta.

Quem as aponta é Manuel Francisco, presidente da Associação de Transplantados Pulmonares de Portugal (ATPP), que indica em primeiro lugar a mais essencial: não fumar. O estilo de vida saudável passa também pela prática de exercício físico regular que pode, agora no verão, ser feita no mar. Contudo, deve evitar as piscinas.

Quanto à alimentação, deve contar com pouco sal, açúcar ou gorduras e o peixe e carne devem ser sempre bem cozinhados.

Porque o sistema imunitário estará mais enfraquecido, não deve descurar do uso da máscara de proteção em locais públicos e fechados nem da higiene pessoal, para garantir uma boa prevenção contra infeções. Do mesmo modo, o contato com quem tenha doenças infecciosas deve ser evitado e o cuidado com o sol deve ser redobrado, através do uso de creme com elevado fato de proteção, para que se evitem queimaduras que tenham como consequência reações do sistema imunitário.

A par desta nova rotina cuidada, a medicação é imprescindível para garantir que o sistema imunitário se adapta e não rejeita o novo órgão, aspeto que é prevenido através de um plano terapêutico estabelecido pela Equipa de Transplante.

 

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Comece no verão a preparar o seu inverno

Para que as pessoas com doenças respiratórias crónicas estejam mais protegidas nos meses de frio, devem começar no verão a investir em medidas de proteção e limpeza das vias aéreas, bem como a melhorar a sua capacidade física e tolerância ao exercício, através da reabilitação respiratória.

As doenças do aparelho respiratório têm uma elevada prevalência, sendo que em Portugal são responsáveis por cerca de 19% dos óbitos e a principal causa de internamento hospitalar. Estima-se que, em 2020 no mundo, as doenças respiratórias sejam responsáveis por cerca de 12 milhões de mortes anuais.

As doenças respiratórias são na sua maioria mais prevalentes nas faixas etárias mais elevadas, com maior incidência no sexo masculino, no entanto e devido às alterações marcadas nos hábitos tabágicos no sexo feminino, estas diferenças tendem a diminuir.

Podemos definir como doenças respiratórias crónicas, as doenças que, independentemente da sua gravidade e apesar de serem tratáveis, permanecem com manifestações dessas mesmas doenças. A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), a asma brônquica, as fibroses pulmonares e as bronquiectasias são as principais doenças respiratórias crónicas. No entanto, existem outras doenças que também são relevantes, nomeadamente a fibrose quística, a hipertensão pulmonar de várias causas, a Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono, as doenças neuromusculares e as doenças deformativas da parede torácica que conduzem a insuficiência respiratória e implicam muitas vezes a necessidade de utilização de oxigénio e mesmo de ventilação mecânica para que os doentes tenham uma boa qualidade de vida.

O frio é um irritante brônquico e, por isso, facilitador do agravamento das doenças respiratórias crónicas.  O muco, que tem como finalidade a fixação dos irritantes que invadem o aparelho respiratório de forma a que estes sejam expulsos, pela sua composição – proteínas, glúcidos (açúcares) – e à temperatura do organismo, também pode criar, se retido, as condições para a sua multiplicação dos vírus e bactérias que reteve, levando ao desenvolvimento das doenças infeciosas respiratórias virais e bacterianas.

Outro efeito do frio é provocar vasoconstrição, o que leva a um menor aporte de leucócitos e glóbulos brancos aos locais infetados, e por isso a uma diminuição na capacidade de defesa das vias aéreas.

Por este motivo, nos doentes respiratórios crónicos a adesão à terapêutica brônquica e a vacinação da gripe e das pneumonias deve ser efectuada conforme a prescrição. A limpeza das vias aéreas é outro cuidado a ter, de forma a não facilitar as infeções respiratórias.

Em Portugal os dados de incidência e prevalência de pneumonias são bastante preocupantes. Há mais de 150.000 casos por ano, que são causa de 40.000 internamentos e mais de 400.000 dias de internamento. Segundo os dados de 2015, 78% dos internamentos por pneumonia ocorreu em pessoas com mais de 65 anos.

Muitos dos óbitos hospitalares por pneumonia ocorrem nas primeiras horas ou dias após a chegada ao hospital, o que sugere atrasos no diagnóstico e na referenciação do doente.

De notar que os idosos muitas vezes apresentam sintomas gerais, como alteração do comportamento, letargia, sonolência, o que não leva a pensar nesta doença. Neste grupo etário, muitas vezes, as queixas respiratórias podem ser escassas e podem não apresentar febre.

Para além da correta manutenção da terapêutica brônquica prescrita pelo médico e a vacinação da gripe e das pneumonias, a reabilitação respiratória deve fazer parte integrante da terapêutica dos doentes respiratórios crónicos sintomáticos.

A Reabilitação Respiratória é uma componente fundamental no tratamento do doente respiratório crónico. Tem sido alvo de particular atenção pelos investigadores nos últimos 10 anos e é atualmente apontada como uma intervenção de 1ª linha no tratamento da DPOC, bem como em outras doenças respiratórias crónicas, propiciando diminuição dos sintomas, melhoria na funcionalidade, capacidade de exercício e qualidade de vida e na autonomia da gestão da doença.

Reabilitação Respiratória

Um programa de reabilitação respiratória tem como objetivos proporcionar a diminuição das incapacidades físicas e psicológicas causadas pela doença respiratória através da melhoria da aptidão física e mental, alteração de comportamentos de agravamento, promovendo a reintegração social e capacitando o doente para a gestão integrada da sua doença.

Os principais benefícios da reabilitação respiratória são a redução dos sintomas respiratórios de fadiga e dispneia, a reversão da ansiedade e depressão associados à doença respiratória, a melhoria da tolerância ao exercício com aumento da resistência ao esforço, a melhoria na habilidade para a realização das atividades da vida diária, a redução das agudizações, a redução do número de consultas não programadas e recurso ao Serviço de Urgência, a  redução do número de dias de hospitalizações, a  diminuição dos custos diretos e indiretos relacionados com a saúde e uma melhor integração familiar e social.

Um programa de reabilitação respiratória assenta em três pilares: controlo clínico, ensino e treino de exercício.

A reabilitação respiratória deverá ter o suporte técnico de uma equipa interdisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais.

O exemplo do AIR CARE CENTRE, Centro de Reabilitação Respiratória da Linde tem de ser multiplicado para chegar a um número significativo de doentes respiratórios crónicos com os evidentes benefícios daí decorrentes.

A Direção Geral de Saúde aponta para a necessidade de expandir a espirometria (função pulmonar) à população para avaliação funcional respiratória e a reabilitação respiratória de proximidade abarcando os doentes respiratórios crónicos sintomáticos, que dela necessitem.

Hoje, em Portugal, só um pequeno número de doentes respiratórios crónicos é privilegiado ao ter acesso a um tratamento global com Programa de Reabilitação incluído. Torna-se pois premente a abertura de Centros de Reabilitação Respiratória de proximidade, que possam dar respostas às necessidades do país.

 

Dr. António Carvalheira Santos, chefe de Serviço de Pneumologia do Hospital Pulido Valente

A atividade física em pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

Atividade física e exercício são conceitos diferentes que importa esclarecer. Atividade física é qualquer movimento corporal, produzido pela contração dos músculos esqueléticos, que resulte num gasto de energia acima do nível de repouso (exemplos: atividade física desportiva, doméstica, ocupacional). Exercício é uma subcategoria da atividade física que é planeada, estruturada e repetitiva, e que tem como objetivo final a melhoria ou manutenção da capacidade física.

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença progressiva que afeta os brônquios e os pulmões (bronquite e enfisema), provocando sintomas iniciais como tosse e expetoração, e outros mais avançados como cansaço e dispneia (sensação de falta de ar) ao mínimo esforço.

Uma vez que se sentem cansadas e com falta de ar ao fazer as tarefas mais comuns, as pessoas com DPOC vão evitando o esforço e a atividade física. Sabe-se que a atividade física regular (150 min de atividade moderada/semana) é essencial para a promoção e a manutenção da saúde. Nas pessoas com DPOC, esta regra não tem exceção. Não é por acaso que a Direção Geral de Saúde (DGS) perspetivou o “exercício como medicamento” na sua “Estratégia Nacional para a Promoção da Atividade Física, da Saúde e do Bem-Estar | 2016-2025.

Aliás, os estudos comprovam que uma pessoa com DPOC que é integrada num programa de Reabilitação Respiratória e que tem níveis médios de atividade física consegue aumentar o seu grau de tolerância ao exercício físico, melhorar a sua qualidade de vida e reduzir o seu risco de hospitalizações, devido a exacerbações, e até de mortalidade.

A Reabilitação Respiratória é apontada como uma intervenção de fundamental no tratamento da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Um programa de Reabilitação Respiratória deve assentar em três pilares essenciais: avaliação e controlo clínico, treino de exercício físico e educação. Neste programa o doente deverá ter o apoio de uma equipa multidisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais, para que possa melhorar a sua capacidade física, reduzir os sintomas, diminuir o stress e ansiedade e gerir de forma mais eficaz a sua doença.

Tarefas tão simples como abotoar uma camisa ou fazer a barba podem ser hercúleas para uma pessoa com DPOC que ainda não aprendeu a lidar com a sua doença. Mas, na Reabilitação Respiratória vai aprender a fazê-las de uma forma que não lhe cause tanto cansaço e dispneia (fazê-las sentado, por exemplo), ou seja de forma a conservar energia e consumir menos oxigénio.

Mesmo com treinos de baixa intensidade, a prática de exercício é benéfica para quem sofre de DPOC. Definindo objetivos que tenham em consideração a capacidade física do doente, e mantendo o acompanhamento profissional, de forma a ter rotinas de treino de acordo com a sua tolerância ao exercício, é possível melhorar os níveis de capacidade física de doentes com DPOC. Os profissionais de saúde têm um papel importante na promoção da Reabilitação Respiratória e da atividade física para o tratamento das pessoas com DPOC.

Joana Cruz, fisioterapeuta, docente da Escola Superior de Saúde (ESSLei) e investigadora da Unidade de Investigação em Saúde (UIS) do Instituto Politécnico de Leiria, destaca que também é importante “não esquecer que a atividade física é um fenómeno complexo e que depende de vários fatores que vão para além da própria doença, tais como características individuais, crenças, fatores socioeconómicos e ambientais (e.g., clima, região onde vive, suporte social)”.

Por isso, “cabe aos profissionais de saúde avaliar cada indivíduo no seu contexto, de forma a identificar possíveis facilitadores e/ou barreiras à atividade física, e ajudar o seu doente a manter-se fisicamente ativo”, conclui a especialista.