O papel da Reabilitação Respiratória no Cancro do Pulmão

O Cancro do Pulmão é a doença Oncológica, segundo a OMS – GLOBOCAN 2018, que mais casos novos regista anualmente, e que maior mortalidade apresenta.

Embora a incidência em não fumadores tenha vindo a aumentar, é sabido que o tabaco está intimamente relacionado com o Cancro do Pulmão. Consequentemente estes doentes apresentam frequentemente associada Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).

O Colégio Americano de Médicos Pneumologistas refere mesmo que o controlo dos sintomas no cancro do pulmão é tão importante como o tratamento do próprio cancro.

A Reabilitação Respiratória deve ser integrada no plano terapêutico do doente respiratório, e o doente com cancro do pulmão não é exceção, em qualquer fase da sua doença oncológica.

Numa fase mais precoce a capacidade funcional (respiratória, muscular e cardíaca) deve ser otimizada sendo aplicada no pré e pós-operatório, para uma recuperação mais fácil e adequada, permitindo ao doente voltar o mais rapidamente à sua vida diária sem limitações. No pós-operatório é mandatório implementar exercícios com o intuito de melhorar a expansão pulmonar e impedir aderências pleurais, bem como técnicas para uma boa higiene brônquica.

Nas fases mais avançadas da doença são realizadas terapêuticas como a quimioterapia, a imunoterapia ou radioterapia. Nestes casos, e aplicado simultaneamente, um programa de Reabilitação Respiratória adaptado possibilita melhorar a capacidade respiratória (diminuindo os sintomas de fadiga e dispneia, bem como da perda da massa muscular), incrementa a tolerância ao exercício conduzindo a uma melhoria geral da capacidade funcional e maior controlo de ansiedade do doente.

Existem estudos que identificam uma prevalência de 80% de fadiga relacionada com o cancro em doentes sob quimioterapia e/ou radioterapia, já que estas terapêuticas diminuem a capacidade de entrega/utilização do oxigénio durante o esforço contribuindo para a intolerância ao exercício.

As modalidades de intervenção são múltiplas, nomeadamente com exercício aeróbico através do uso de bicicleta, tapete rolante, marcha e treino de escadas; alguns incluíram também treino de força, de relaxamento e sessões educacionais.

De igual importância, a Reabilitação Respiratória tem também benefícios psicológicos, tornando-se até uma motivação durante o tratamento da doença oncológica.

Na generalidade, os doentes descrevem a dor e o medo da dispneia (falta de ar) como os maiores receios quando lhes é transmitido o diagnóstico de Cancro do Pulmão.

Os tratamentos, farmacológicos e não farmacológicos, têm evoluído muito nos últimos 5-10 anos, apresentando efeitos secundários mais toleráveis e sendo mais eficazes, conseguindo uma maior sobrevida com maior qualidade de vida. Nesse sentido, hoje os doentes oncológicos podem e devem cada vez mais tentar ter uma vida normal, com um estilo de vida saudável e fisicamente ativo. A Reabilitação Respiratória dá-lhes armas que os ajudam a conseguir isso mesmo, sendo sempre adaptada a cada caso.

Um programa de reabilitação respiratória assenta em três pilares: controlo clínico, treino de exercício e educação. Esta intervenção é sempre adaptada às necessidades de cada doente, em cada momento específico da sua doença e do seu tratamento. Sendo que deverá ter o apoio de uma equipa interdisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais.

O AIR Care Centre®, criado em 2014, é o primeiro centro em Portugal exclusivamente dedicado à Reabilitação de doentes respiratórios fora do meio hospitalar e que junta uma equipa multi-interdisciplinar de profissionais de saúde experientes, a excelentes condições de espaço físico e equipamentos para um processo completo de reabilitação.

 

Patrícia Garrido, pneumologista na Fundação Champalimaud

Luísa Morais, fisioterapeuta e técnica coordenadora do AIR Care Centre®

 

As infeções respiratórias são mais frequentes e graves no tempo frio. Que cuidados devemos ter?

O ano novo chegou cheio de frio. As baixas temperaturas que se fazem sentir, em conjunto com a chuva, vento e humidade típicas desta altura do ano podem causar inflamação no aparelho respiratório, o que que facilita a infeção.

Uma infeção respiratória ocorre quando uma parte do aparelho respiratório é infetada por um microrganismo que pode ser um vírus, uma bactéria, um fungo ou um parasita.

As manifestações da infeção irão depender da área do aparelho respiratório atingida e embora a maioria das infeções respiratórias sejam benignas, elas são muito frequentes e podem ser fatais. Por exemplo, as pneumonias são a terceira causa de mortalidade a nível mundial. De facto, à escala mundial, as infeções respiratórias são responsáveis por cerca de 4 milhões de mortes todos os anos.

A constipação e a gripe sazonal são as infeções respiratórias mais comuns nesta altura do ano. Numa pessoa saudável podem ser incómodas, mas numa pessoa portadora de doenças respiratórias crónicas podem ter consequências perigosas. No entanto, é possível prevenir estas infeções. Entre as principais medidas de prevenção que pode tomar, estão:

  • Evitar locais fechados com grande concentração de pessoas, de forma a prevenir o contágio pelos vírus respiratórios;
  • Reforçar as medidas de higiene das mãos. Lave as mãos com maior regularidade no inverno e desinfete-as sempre que estiver em contacto com objetos de uso público;
  • Espirrar e tossir para um lenço ou antebraço, evitando passar vírus e germes para as mãos ou para o ar, que depois podem levar ao contagio de outras pessoas;
  • Usar cada lenço de papel apenas uma vez;
  • Evitar o contacto com pessoas doentes;
  • Vacinar-se contra a gripe. Ainda vai a tempo, pois espera-se que o pico da gripe seja atingido entre o final de janeiro e o início de fevereiro, segundo Filipe Froes, pneumologista e consultor da Direcção-Geral da Saúde.

As pneumonias também devem ser um preocupação. Segundo o 13º relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, Portugal é o país da União Europeia no qual mais se morre por pneumonia: a taxa de mortalidade é mais do dobro da média europeia. A cada 90 minutos há um óbito por pneumonia nos hospitais públicos.

A pneumonia acontece quando uma gripe não é bem tratada e pode ser originada por vírus, bactérias ou, raramente, por fungos ou outros micro-organismos. A pneumonia é a inflamação dos alvéolos pulmonares – os sacos de ar que existem nas extremidades dos bronquíolos –, tem tratamento mas, quando se agrava, pode ser fatal. Vacinar-se contra a pneumonia e tratar bem as gripes corretamente são as melhores medidas a adotar para tentar prevenir a pneumonia.

As pessoas que sofrem de doenças crónicas, respiratórias ou outras, bem como as que podem ter o sistema imunitário debilitado devem aconselhar-se com o médico de forma a fazerem uma prevenção mais completa, apostando ainda mais no uso da máscara e evitando os  espaços fechados com a presença de muitas pessoas.

A constipação comum podem ser tratada com medidas sintomáticas, como descongestionante para o nariz ou soro fisiológico, medicamentos para a tosse, por indicação médica, sendo que a ingestão de líquidos em maior quantidade também pode ajudar. Alimente-se bem e não esteja em contato com o fumo do tabaco ou outros poluentes do ar.

Deve procurar o médico sempre que sentir dificuldade em respirar, sensação de pressão no peito, febre que não baixa com a medicação ou tosse persistente e que não melhora com a medicação.

Todos estes conselhos podem ajudá-lo a ter um Inverno com mais saúde e a Respirar Melhor!

 

3 tendências para a tele-saúde em 2019

Num mundo globalizado como o que temos nos dias de hoje, é normal que as tendências globais tenham impacto e influência nas tendências nacionais e, no caso da tele-saúde, não deverá ser excepção.

A evolução tecnológica nos últimos anos tem vindo a trazer para o mercado novos dispositivos que melhoram e simplificam o acesso à tele-saúde. A título de exemplo, no evento anual Consumer Electronic Show (CES 2019), que se realizou em Las Vegas e terminou no passado dia 11 de janeiro, a OMRON apresentou o que diz ser o “primeiro monitor de pressão arterial wearable“, que permite a medição simplificada da pressão arterial, através do tradicional método oscilométrico, com recurso apenas a um relógio que tem a capacidade de insuflar e proceder às medições das pressões arteriais. Estes “choques” tecnológicos são fundamentais para a tele-saúde, dado que um dos pilares de qualquer programa de tele-saúde é a tecnologia.

Em Portugal, desde a criação do Centro Nacional de Telesaúde, em 2016, foram surgindo várias iniciativas nesta área e o setor tem vindo a crescer de forma sustentada no nosso país. Para 2019 destaco as seguintes tendências, tendo em conta o que decorreu até agora e de acordo com as condições criadas para os próximos meses:

 

  1. Teleconsulta: A expansão desta forma de consulta será consolidada dada a forte aceitação da mesma, a facilidade de execução e o nível de investimento que é necessário. Por outro lado, é provável que tenhamos mais instituições a utilizar esta ferramenta na sua atividade assistencial dada a sua aplicabilidade em diferentes especialidades, como por exemplo: Cirurgia vascular, tele via verde do AVC, telecardiologia, pneumologia, entre outros. De acordo com dados do Centro Nacional de Telesaúde, em 2018, realizaram-se mais de 166.000 teleconsultas, sendo a sua maioria na região norte de Portugal.

Esta ferramenta não se cinge às instituições do Sistema Nacional de Saúde e estender-se-á aos privados (hospitais, clínicas, seguradoras e outros prestadores de cuidados de saúde) porque é uma forma de comunicação que, num determinado grupo etário, é bem aceite e permite diversificar a oferta de serviços em saúde.

  1. Teledermatologia: Este serviço proporciona uma resposta mais rápida e eficiente aos utentes, reduzindo o tempo de espera por uma consulta, mas também evitando, em alguns casos a referenciação para o hospital. Funciona, normalmente, entre um hospital e um centro de saúde, não sendo necessária deslocação ao hospital para ser avaliado pela dermatologia. Estes projetos permitirão, durante o ano de 2019, melhorar a acessibilidade e equidade no acesso às consultas de dermatologia.
  2. Telemonitorização: De acordo com a Berg Insight, em 2017 existiam, mundialmente, 16,5 milhões de pacientes monitorizados remotamente e em 2023 é estimado pela mesma empresa de estudos de mercado, que se atinjam os 83,4 milhões de pacientes.

De uma forma geral, são programas que tem tido alguma adesãoem diversas partes do mundo, nos mais variados contextos com os objetivos de resolver problemas frequentes das doenças crónicas, nomeadamente idas à urgência e hospitalizações. Em Portugal, nos últimos anos, têm surgido vários programas de telemonitorização, sobretudo para a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), a insuficiência cardíaca, no status pós-enfarte agudo do miocárdio, entre outras patologias. É expectável que, durante 2019, comecem a surgir os primeiros resultados destes programas.

No caso da insuficiência cardíaca, em Agosto foi publicado um estudo com 1538 indivíduos (dos quais 765 telemonitorizados) que sugere que uma intervenção estruturada com recurso à telemonitorização e integrado com um centro de telemedicina pode reduzir a mortalidade nestes pacientes.

Na área respiratória são cada vez mais os dispositivos, como os ventiladores para insuficiência respiratória ou para tratamento da apneia do sono que permitem a monitorização remota dos dados de utilização (adesão terapêutica) e dados de eficácia terapêutica. Esta inovação pode permitir, se aliado a um programa estruturado e personalizado, uma adesão mais rápida à terapia e mantida ao longo do tempo. A telemonitorização veio, definitivamente, para ficar.

Por João Tiago Pereira, Senior Product & Business Development Manager

Linde Saúde

Linde Saúde vence Prémio Cinco Estrelas 2019 na categoria de Cuidados de Saúde ao Domicílio

A Linde Saúde, empresa que combina gases farmacêuticos, dispositivos médicos, serviços e cuidado clínico no domicílio, venceu o Prémio Cinco Estrelas 2019, na categoria de Cuidados de Saúde ao Domicílio. Esta é uma distinção atribuída pelos consumidores e mede o seu grau de satisfação face aos produtos e serviços das marcas de várias áreas.
A Linde Saúde alcançou uma classificação global de 74,7% nos testes e estudo de mercado realizados no âmbito do Prémio Cinco Estrelas 2019, que analisam cinco principais variáveis que influenciam uma decisão de compra: satisfação pela experimentação, relação qualidade/preço, intenção de compra ou recomendação, confiança na marca e inovação.
Nos Top drivers de consumo para os Cuidados Respiratórios Domiciliários da Linde Saúde estiveram: a qualidade/eficácia dos produtos e equipamentos, a rapidez na assistência domiciliária, o treino e formação disponibilizada, a qualidade do atendimento e dos cuidados prestados (com um serviço personalizado e profissional) e a segurança/confiança transmitida pelos técnicos.
“O Prémio Cinco Estrelas é muito importante para nós, pois espelha a satisfação dos doentes e dos profissionais de saúde para com os Cuidados de Saúde ao Domicílio prestados pela Linde Saúde e reconhece o trabalho rigoroso e dedicado que desenvolvemos em Portugal”, revela Maria João Vitorino, Homecare Business Manager da Linde Saúde.
“Trabalhamos todos os dias para prestar cuidados domiciliários de elevada qualidade, centrados e ajustados às necessidades do doente e dos seus cuidadores, com equipas de profissionais altamente qualificadas que garantem o acompanhamento da terapêutica dos doentes, baseados na inovação tecnológica, na procura da excelência dos cuidados de saúde, e na efetividade como contributo para a sustentabilidade do sistema de saúde”, conclui.
A Linde Saúde presta serviço de terapias domiciliárias (oxigenoterapia, ventiloterapia e terapia para a apneia do sono) que consiste na disponibilização dos produtos e respetivos materiais descartáveis e de um serviço de visitas programadas para apoio constante e de proximidade, com apoio da tele-saúde. As visitas são efetuadas por técnicos de apoio domiciliário e por profissionais de saúde (cardiopneumologistas, enfermeiros e fisioterapeutas).
O serviço aproxima-se das necessidades dos clientes (médicos e doentes) através de um serviço de saúde à distância, possibilitados por dispositivos médicos tecnologicamente evoluídos e acesso à informação clínica dos doentes (apenas disponível para os médicos), e da qualidade assistencial prestada por profissionais de saúde.

 

Mais sobre a Linde Saúde:
A Linde Saúde integra o Grupo Linde, que é líder mundial em gases e engenharia. A empresa é líder de mercado mundial nos cuidados de saúde ao domicilio. Combina gases farmacêuticos, dispositivos médicos, serviços e cuidado clínico em soluções com propósito para os doentes e profissionais de saúde durante os cuidados continuados nos hospitais e domiciliários. A empresa está presente em mais de 60 países com produtos e serviços que englobam uma grande variedade de serviços produto-orientados tais como o abastecimento de terapias de gás, terapias do sono e de dores e serviços centrados no doente. Reconhecida pela sua experiência nos cuidados respiratórios domiciliários, as competências da Linde Saúde ao nível dos cuidados domiciliários cobrem o espectro dos serviços focados nas necessidades dos doentes. A Linde Saúde assiste cerca de 60.000 doentes em Portugal.

Ano novo, vida nova? Saiba o que fazer para deixar de fumar

De acordo com o 13º relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias o hábito de fumar é responsável por cerca de 32 mortes por dia. O tabaco é a causa de doenças respiratórias como doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), que representa 46,4% do total destas patologias e que afetará cerca de 90% dos fumadores. O tabagismo é ainda apontado como responsável de dois em cada dez casos de cancro e de 12% das mortes por infeção respiratória inferior.  

Olhar para os efeitos nefastos que o tabaco tem na saúde deverá ser uma ótima motivação para deixar agora mesmo de fumar. Parar de fumar é um processo difícil e que pode envolver várias tentações e até recaídas, exigindo um grande nível de determinação e autodisciplina para se conseguir atingir a completa abstinência.  

Uma vez que o tabaco induz uma dupla dependência: psicológica e farmacológica, para conseguir deixar de fumar poderá necessitar de ajuda profissional, que poderá encontrar junto do seu médico de família e nas consultas de cessação tabágica, disponíveis através da Direção Geral de Saúde em vários pontos do país. 

Abaixo deixamos-lhe alguns conselhos úteis para concretizar a sua resolução para 2019 de deixar de fumar: 

  • Determine uma data para deixar de fumar. Ser concreto irá ajudá-lo a manter o compromisso; 
  • Anuncie aos seus familiares e amigos que vai deixar de fumar e quando o vai fazer. Envolver as pessoas à sua volta garante-lhe apoio e solidariedade para cumprir com o seu objetivo; 
  • Fale com o seu médico de família, de forma a que este o possa ajudar nesse processo – seja com medicação para suprimir a necessidade de nicotina, seja com o encaminhamento para apoio psicológico ou consultas de cessação tabágica; 
  • Elabore uma lista dos motivos que o levam a querer deixar de fumar e olhe para ela sempre que tiver vontade de quebrar o seu compromisso; 
  • Evite o convívio com pessoas que estão a fumar, bem como a presença em locais onde habitualmente sente mais vontade de fumar; 
  • Pratique exercício físico e faça uma alimentação saudável, para evitar um potencial ganho de peso e para contribuir para a libertação das hormonas de bem-estar e reduzir a vontade de fumar; 
  • Junte num mealheiro transparente o dinheiro que gastaria em tabaco para que sirva de motivação e depois compre com ele algo para si que já deseja há algum tempo; 
  • Não desanime se tiver uma recaída, recomece o processo.

Em Portugal, as doenças respiratórias matam duas pessoas por hora

  • As doenças respiratórias estão na causa de 13.474 mortes em 2016, se incluirmos os óbitos por cancro da traqueia, brônquios e pulmão. Ou seja, por dia morrem cerca de 48 pessoas (2 por hora) em Portugal devido a doenças respiratórias.
  • A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) apresenta uma taxa de mortalidade de 8%, os cancros de 31%, as pneumonias de 20% e a insuficiência respiratória de 25%.
  • Estima-se que, em 2020 no mundo, as doenças respiratórias sejam responsáveis por cerca de 12 milhões de mortes anuais.
  • Olhando para os internamentos realizados nos últimos 10 anos (entre 2007 e 2016) verifica-se que o número total de internamentos por doenças respiratórias aumentou 26% e os episódios de doentes submetidos a ventilação mecânica aumentou 131%.
  • Os custos associados aos internamentos por doenças respiratórias atingiram 213 milhões de euros em 2013. Tendo o custo médio de um internamento por doença respiratória sido de 1.892 euros em 2013.
  • Segundo o Institute of Healths Metrics and Evaluation, em 2016, morreram em Portugal 11.800 pessoas por doenças relacionadas com o tabaco, o que corresponde à morte de uma pessoa a cada 50 minutos.
  • Menos de 2% dos doentes com indicação para reabilitação respiratória têm acesso ao tratamento

O Observatório Nacional das Doenças Respiratórias (ONDR) divulgou no auditório dos Serviços Sociais da Câmara Municipal de Lisboa, o Relatório de 2018 referente aos dados da situação atual e evolução dos últimos anos relacionados com as doenças respiratórias. O Relatório do ONDR contou com a colaboração de 12 especialistas de renome da área da pneumologia e do sector da saúde em Portugal, simultaneamente conhecedores da realidade teórica e das necessidades práticas.

Na 13ª edição do Relatório destacam-se as cerca de 2 mortes por hora que acontecem em Portugal devido às doenças respiratórias e neoplasias do mesmo foro. De sublinhar ainda a inclusão, pela primeira vez, de um capítulo dedicado ao transplante pulmonar, que apresenta os dados evolutivos dos últimos 10 anos.

António Carvalheira Santos, relator do 13º relatório e responsável pelo Observatório Nacional de Doenças Respiratórias, destaca que “ainda existe um deficit na promoção da saúde e na prevenção da doença, por falhas na educação para a saúde. Portugal carece ainda da implementação de uma verdadeira rede de espirometria essencial para a avaliação funcional dos doentes respiratórios e, mais grave ainda, praticamente não oferece a possibilidade de os doentes fazerem reabilitação respiratória, que deve fazer parte integrante do plano terapêutico de todos os doentes respiratórios crónicos sintomáticos”.

José Alves, presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), revela que “este relatório vem fundamentar as apostas que a FPP tem feito e continuará a fazer para melhorar a saúde respiratória em Portugal. Considera que é preciso alterar a política do tabaco, aplicando mais taxas de forma a aumentar significativamente o preço do tabaco e coimas a quem não respeite a lei anti-tabágica; alterar a epidemiologia da DPOC, através da generalização da espirometria nos fumadores das faixas etárias mais jovens e não apenas a partir dos 40 anos, como se tem feito em Portugal; a diminuir a incidência do cancro do pulmão, através da cessação tabágica”.

As doenças do sistema respiratório são a primeira causa de internamento e a terceira causa de morte em Portugal, a seguir ao cancro e às doenças cardiovasculares. Estima-se que, em 2020 no mundo, as doenças respiratórias sejam responsáveis por cerca de 12 milhões de mortes anuais.

A mortalidade por doenças respiratórias em Portugal Continental e nas Regiões Autónomas é das maiores da Europa e ultrapassa os 115 por 10000 habitantes. A Madeira é a região da europa com maior taxa de mortalidade por doenças respiratórias. Se incluirmos os óbitos por cancro da traqueia, brônquios e pulmão, as doenças respiratórias estão na causa de 13.474 mortes em 2016. Ou seja, por dia morrem cerca de 48 pessoas (2 por hora) em Portugal devido a doenças respiratórias. Destes 13.474 óbitos, 6006 ocorreram por pneumonia.

A pneumonia é a doença que mais mata e representa 7% dos internamentos médicos e 5% de todos os episódios de internamentos médicos e cirúrgicos. A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) apresenta uma taxa de mortalidade de 8%, os cancros de 31%, as pneumonias de 20% e a insuficiência respiratória de 25%.

A DPOC passou, em 15 anos, de 5ª causa de morte para 3ª, tendo em Portugal uma prevalência estimada de 14,2% para as pessoas com mais de 40 anos (cerca de 800.000). Apesar disso, Portugal é um país com baixo número de internamentos por DPOC (diminuíram 14,7% em 10 anos), o que sugere um razoável controlo da doença em, ambulatório. Ainda assim o 13º relatório do ONDR assinala um subdiagnóstico da DPOC.

Olhando para os internamentos realizados nos últimos 10 anos (entre 2007 e 2016) verifica-se que o número total de internamentos por doenças respiratórias aumentou 26% e os episódios de doentes submetidos a ventilação mecânica aumentou 131%.

Os custos associados aos internamentos por doenças respiratórias atingiram 213 milhões de euros em 2013. Tendo o custo médio de um internamento por doença respiratória sido de 1.892 euros em 2013.

O tabaco continua a ser um fator de risco importante para inúmeras doenças respiratórias: foi responsável por 46,4% das mortes por DPOC, 19,5% das mortes por cancro, 12% das mortes por infeção respiratória inferior. Sendo ainda responsabilizado por 5,7% das mortes por doença cérebro-cardiovascular e 2,4% das mortes por diabetes. Segundo o Institute of Healths Metrics and Evaluation, em 2016 morreram em Portugal 11.800 pessoas devido a doenças relacionadas com o tabaco, o que corresponde à morte de uma pessoa por cada 50 minutos.

Pela primeira vez o Relatório anual do ONDR apresenta um capítulo dedicado ao transplante pulmonar, com uma análise da evolução dos últimos 10 anos. O Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC) é o único onde são efetuados os transplantes pulmonares no nosso país e desde a realização do primeiro transplante pulmonar, em 1991, já realizou 208 transplantes, 192 desde 2008, o que coloca o Hospital de Santa Marta ao nível daqueles que mais transplantam a nível internacional. A taxa de sobrevida dos doentes transplantados é ligeiramente superior aos resultados dos registos internacionais, sendo de três meses em 98% dos casos, de um ano em 81% dos casos e de cinco anos em 59% dos casos.

A síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) também é analisada no 13º relatório do ONDR.Tem-se verificado um aumento da prevalência na ordem dos 23% em mulheres e dos 50% nos homens, sendo a maioria dos casos diagnosticada com SAOS moderada ou grave (82,4%), o que pode revelar um subdiagnóstico desta condição clínica em Portugal. Atendendo à prevalência crescente da SAOS e à eficácia comprovada do seu tratamento com CPAP (Continuous Positive Airway Pressure, ou seja, pressão positiva contínua nas vias aéreas), o futuro desenvolver-se-á numa estratégia eficaz de referenciação dos doentes ao nível dos CSP, na inovação diagnóstica com a descoberta e validação de novos métodos de diagnóstico simples, acessíveis e de baixo custo e na inovação terapêutica na melhoria dos modelos de seguimento dos doentes tratados com CPAP.

Para este relatório foram consultados dados e documentos das seguintes entidades: Administração Central dos Serviços de Saúde (ACSS), Direção Geral de Saúde (DGS), Programa Nacional para as Doenças Respiratórias, Infarmed, Instituto Nacional de Estatística (INE), Instituto Ricardo Jorge, Eurostat, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), e Organização Mundial da Saúde (OMS).

Respira e Linde Saúde distinguem boas práticas na área da saúde respiratória

No dia 5 de dezembro, às 18h30, no AIR Care Centre, a Associação Respira, em parceria com a Linde Saúde, irá anunciar o lançamento do Prémio Luísa Soares Branco e entregar um certificado de reconhecimento aos Serviços de Pneumologia do Hospital de São Bernardo e do Hospital Vila Franca de Xira, bem como um cheque no valor de 1.000 euros (cada um). Esta iniciativa irá contar com a presença de associados e profissionais de saúde.

“É com muito orgulho e satisfação que iremos anunciar o lançamento do Prémio Luísa Soares Branco, que pretende distinguir e reconhecer as boas práticas na área dos cuidados respiratórios. Para assinalar esta iniciativa queremos reconhecer os Serviços de Pneumologia do Hospital São Bernardo e Hospital Vila Franca de Xira que foram um importante apoio também na realização do I e II Fórum Luísa Soares Branco. Pretendemos ainda com este tipo de reconhecimento evidenciar e reforçar a importância de prestar os melhores cuidados de saúde às pessoas com doenças respiratórias crónicas, numa abordagem mais integrada e proativa, para que tenham uma melhor qualidade de vida”, sublinha Isabel Saraiva, vice-presidente da Respira.

“A criação do Prémio Luísa Soares Branco em conjunto com a Respira, que terá a sua primeira edição em 2019, bem como a atribuição deste certificado de reconhecimento, faz todo o sentido para a Linde Saúde, pois sabemos que com estas iniciativas estamos, não só a reconhecer e premiar as boas práticas na área dos cuidados respiratórios, mas também a dar um novo alento às entidades que, tal como nós, se esforçam todos os dias para oferecer os melhores cuidados aos doentes que acompanham”, destaca Maria João Vitorino, Homecare Business Manager da Linde Saúde.

A espirometria é o teste mais simples e preciso para avaliar a função pulmonar

Em Portugal existem cerca de 800 mil doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), sendo apenas 13% diagnosticados após a realização de uma espirometria. Este teste mede a velocidade e a quantidade de ar que um indivíduo é capaz de inspirar e também expirar. Não é invasivo o que toma a sua realização facilitada e demora cerca de 15 minutos a realizar.

Os médicos devem ter presente a relevância da espirometria e requisitarem este exame, pois muitos doentes não procuram o médico até terem perdido cerca de 50% da capacidade respiratória. Algumas razões para efetuar uma espirometria são: se é ou foi fumador; se sente falta de ar ou necessidade de fazer mais esforço para respirar; se não consegue subir escadas (sem sentir dificuldade em respirar); se sente mais dificuldade ao fazer exercício físico; se deixou de ter capacidade ou se a capacidade diminuiu para praticar desporto; se tem tosse persitente nos últimos anos ou se tem pieira (chiadeira no peito). É essencial difundir o acesso à espirometria através dos cuidados de saúd eprimários (CSP), dado que o número de utentes inscritos com o diagnóstico de DPOC continua com valores muito abaixo dos valores de prevalência conhecidos. Um dos motivos para esta discrepância de números é a difilculdade de acesso à espirometria.

 

É essencial difundir o acesso à espirometria através dos cuidados de saúde primários

 

Neste âmbito, a ARSLVT tem desenvolvido ao longo dos anos a implmentação desta técnica em Unidades de Saúde Familiares e ACES. Desde novembro de 2015 que tem em marcha um projeto para a completa implementação de espirometrias através da constituição de uma rede que pretende colmatar esta falha e alargar o acesso dos exames de função respiratória aos CSP de Lisboa. A importância do diagnóstico precoce está bem patente nos dados recentemente lançados pela DGS, segundo os quais, em Portugal Continental, a DPOC é a segunda causa de mortalidade por patologia respiratória e a terceira principal causa de morte global.

Ana Tavares e Castro, pneumologista CSP Dr. Ribeiro Sanches

Maria Conceição Gomes, Coordenadora do Programa das Doenças Respiratórias ARSLVT

Fundação Portuguesa do Pulmão recomenda espirometrias antes dos 40 anos para alterar a prevalência da DPOC

Por ocasião dia Mundial da Doença Obstrutiva Crónica (DPOC), que se assinala no dia 21 de novembro, a Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP) alerta para a necessidade de se alterar a epidemiologia da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) para diminuir a prevalência da doença grave, a morbilidade e a mortalidade.

Atualmente é aconselhado que a partir dos 40 anos todos os fumadores realizem espirometria – um exame que permite avaliar a função pulmonar –, mas a Fundação Portuguesa do Pulmão considera errado esperar por essa idade, uma vez que os efeitos do tabagismo na perda de função pulmonar são irrecuperáveis, sendo preciso detetar estas alterações o mais precocemente possível, de forma a evitar os casos graves, eventualmente fatais de DPOC.

Estima-se que em 2020 a DPOC seja responsável por mais de 3 milhões de óbitos, sendo a sua principal causa o tabagismo. É importante que a população saiba que os danos do tabaco são irrecuperáveis, é importante que a espirometria seja realizada o mais cedo possível. Os fumadores com DPOC são doentes muito antes de terem algum sintoma, por isso quanto mais cedo realizarem o exame, mais cedo podem deixar de fumar e tratar a sua saúde, alerta a FPP. Temos de olhar para este exame da mesma forma que um cardiologista olha para um eletrocardiograma, como um exame de rotina que deve ser realizado frequentemente para se evitar complicações.

Já nos casos do diagnóstico de DPOC é preciso garantir que estes doentes fazem tratamento de reabilitação respiratória. Uma vez que, apesar de pelas guidelines internacionais este tratamento ser reconhecido como uma intervenção obrigatória, em Portugal apenas 2% da população tem acesso ao mesmo.

Para ver o artigo na íntegra consulte: https://bit.ly/2DFeuRB

Quer deixar de fumar? “É mais fácil do que se está à espera”

Dois ex-fumadores partilham a sua história com a Renascença e deixam dicas para quem está a pensar dar o passo.

“Quando for papá também vou fumar.” Foram estas palavras, proferidas pelo filho de 5 anos, que levaram Miguel Teixeira a avançar para uma vida sem fumo.

“Foi um marco grande. Já tinha pensado em deixar de fumar, mas nunca tinha tentado e quando ouvi aquilo foi um alerta: tenho de fazer alguma coisa à minha vida”, conta à Renascença.

Miguel Teixeira é piloto e tem 30 anos. Começou a fumar aos 13, 14 anos e gostou logo. “Gostei e gosto”, diz. Depois retifica: Gostava…” A verdade é que há momentos em que ainda lhe custa não acender um cigarro. Sobretudo se estiver frio e sol – os dias em que Miguel mais desfrutava dos cigarros. “Isto agora ia saber-me mesmo bem”, pensa nessas alturas.

“Apetece-me fumar e custa-me”, admite. “Mas depois passo e o cheiro já é coisa que me começa a fazer um bocado de confusão, o que é bom.”

Há três semanas que Miguel Teixeira não fuma. “Sinto-me bem. Estou orgulhoso. Principalmente, estou orgulhoso de estar a conseguir”, diz. “Não está a ser fácil, mas é mais fácil do que estava à espera. Pode parecer parvo, mas é assim.”

“Larguem que não é assim tão difícil”

O conselho é de Maria Amélia Costa. Há dois anos que pensava deixar o tabaco, mas só o conseguiu quando lhe foi dito que poderia ter de ser operada a um peito.

“Fui falar com a médica de família para me receitar alguma coisa”, revela. Deixou de fumar com a ajuda de medicação, já lá vão quase seis meses.

“Não foi tão difícil como eu estava à espera”, reconhece. E a suspeita de doença só fez com que se decidisse mais rápido. Isso e o facto de ter perdido um cunhado quatro meses depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro no pulmão. “Isso também conta muito. Acho que ainda foi motivo maior.”

Durante cerca de 35 anos, Amélia fumou sete a oito cigarros por dia. Contas feitas terá fumado mais de 102 mil cigarros. O receio de não conseguir largar e depois ficar a fumar mais inibia-a de tentar deixar o vício.

“Tenho pessoas amigas que tentaram largar e largavam durante algum tempo e depois, quando voltavam, começavam com o dobro dos cigarros, a fumar sempre muito mais. Eu, como nunca fui uma grande fumadora, tinha medo de começar a fumar mais”, conta à Renascença.

Hoje, meio ano depois de ter parado, já não sente qualquer vontade de pegar num cigarro, nem sequer quando está perto de pessoas que fumam.

Sozinho ou acompanhado?

Quer Miguel quer Maria Amélia recorreram a consultas especializadas para conseguirem largar os cigarros. Consultas como as de Rui Alves, especialista em medicina geral e familiar em Lisboa, que acompanha quem quer deixar de fumar.

Na sua opinião, o acompanhamento médico é fundamental no processo, “porque faz-se uma programação muito mais adequada à patologia”.

“Algumas destas pessoas querem deixar de fumar porque têm uma doença. Têm tosse, porque se cansam, porque têm falta de ar, porque acham que tomar a pílula e fumar aumenta os derrames…”, explica o médico à Renascença. “É importante que a pessoa possa discutir todas estas questões do risco de fumar para a sua saúde.”

Depois de uma conversa sobre o estilo de vida de cada doente, “o grande objetivo é ver como mudar alguma coisa”, sendo certo que não se pretende “mudar tudo de uma vez”.

A DGS sugere 15 passos para deixar de fumar. Aqui ficam alguns:

  • Faça uma lista dos motivos que justificam a decisão de deixar de fumar
    • Por exemplo: poupar dinheiro, mais saúde e ar mais saudável, melhorar o aspeto da pele, evitar doenças graves
  • Identifique as situações em que costuma e mais gosta de fumar (deste modo, poderá preparar-se com antecedência para as enfrentar no futuro)
  • Prepare-se para a mudança: leia os motivos que o levam a deixar de fumar, procure atrasar o primeiro cigarro da manhã, espace o intervalo entre cada cigarro, por exemplo.
  • Não pense que nunca mais vai voltar a fumar; pense no dia de hoje e nas vantagens de não fumar
  • Aumente o nível de atividade física – por exemplo, começando a andar mais a pé
  • Melhore a alimentação e coma várias vezes ao dia, mas pouco
  • Guarde num local visível o dinheiro que teria gasto para comprar tabaco

Para ler o artigo na íntegra consulte: https://bit.ly/2TpiNWo