“MENOS DE DOIS POR CENTO DOS DOENTES COM DPOC TEM ACESSO A PROGRAMAS DE REABILITAÇÃO RESPIRATÓRIA. A MÉDIA EUROPEIA RONDA OS 30%” – Entrevista Maria João Vitorino

À cabeceira do doente, na sua casa. É com esta proximidade que a Linde Saúde opera em Portugal, disponibilizando os seus produtos e serviços a perto de 70 mil doentes. De acordo com a Homecare Business Manager da Linde Saúde, Maria João Vitorino, esta é “uma relação de grande proximidade e, na maior parte dos casos, de longa duração”, onde a segurança e a capacitação são os valores-chave para o sucesso.

JORNAL MÉDICO (JM) | Qual é o posicionamento da Linde Saúde dentro do grupo Linde Portugal?
MARIA JOÃO VITORINO (MJV) | Temos três entidades legais em Portugal. Uma delas é a Linde Saúde que é “inquilina”, em Lisboa, da Linde Portugal. A Linde Portugal é a empresa que se dedica à produção e comercialização de gases industriais e farmacêuticos e a Linde Saúde à prestação de cuidados de saúde no domicílio. Estamos na parte Oriental de Lisboa – Olivais/Cabo Ruivo – desde os anos 40 do século passado, altura em que esta zona era mesmo só olival. Fomos crescendo e, atualmente, produção de gases está na zona de Alenquer.

JM | Por que filosofia se rege e que valores norteiam o negócio Homecare da Linde Saúde?
MJV | No grupo Linde PLC – designação que assumimos após a fusão com a Praxair –, a filosofia que nos rege é baseada na partilha e na vivência da nossa missão e dos nossos valores e na forma como conseguimos transmitir aos nossos cerca de 80 mil colaboradores, em cerca de 100 países, essa cultura comum. Os valores são sempre uma forma de expressarmos as prioridades que temos e que queremos promover dentro da nossa cultura. Na Linde Saúde, a segurança é a nossa principal prioridade e o valor número um, onde colocamos o nosso foco, sendo fundamental não só para os nossos colaboradores, como para os nossos parceiros, mas também para os doentes em casa. Temos muita logística associada aos cuidados domiciliários. Na área da Saúde, as deslocações dos gases (a nível industrial) têm que ser feitas em segurança e o doente para estar em casa (Homecare) tem que estar em segurança, pelo que esse é o nosso foco principal em termos de valores.

JM | Como se reflete o mote Making our world more productive no trabalho desenvolvido diariamente a nível global e nacional?
MJV | Esse mote é não só interno, como também queremos que se reflita nos nossos doentes na comunidade/sociedade em geral, de uma forma abrangente. Claro que tem que começar em nós, a um nível individual, mas o objetivo é sermos capazes de transmitir essa mensagem/competência, procurando ajudar os nossos clientes a serem, também eles, mais produtivos. E o que é ser mais produtivo? É poder fazer mais com o que temos, os recursos são escassos e sociedade necessita desses níveis de produtividade, para poder fazer frente ao envelhecimento populacional que estamos a viver.

JM | A Linde Saúde está à cabeceira do doente, na sua casa… Como é o processo que vai desde a produção até à prestação de cuidados no domicílio?
MJV | Connosco, esse processo inicia-se com uma chamada telefónica por parte do doente, que nos diz: “Preciso de fazer o tratamento x, prescrito pelo meu médico”. A entrada da solicitação de tratamento é o primeiro ponto de contato com o doente.

JM | A vossa relação com o doente é de enorme proximidade…
MJV | É uma relação de proximidade e, na maior parte dos casos, de longa duração. Temos situações de crianças que começam a fazer os nossos tratamentos e que acompanhamos durante toda a adolescência e vida adulta. A maior parte dos doentes têm patologia crónica, pelo que grande parte das nossas relações são de longo prazo.

JM | E, por inerência, estabelecem também uma relação com o cuidador informal. Como olha para esta figura no contexto dos cuidados domiciliários respiratórios?
MJV | Eu penso que o cuidador informal, neste contexto, chega a ser quase um profissional de saúde, porque é forçado a especializar-se bastante na condição da pessoa de quem cuida e na prestação de cuidados de que esta necessita. Em situações de urgência, em que o doente chega com uma exacerbação/agudização da sua doença ao hospital, o papel do cuidador é crucial na informação ao médico, uma vez que ainda não é uma realidade o doente ter os registos clínicos sempre consigo ou a fluir entre níveis de cuidados. Lá chegaremos…

JM | Que patologias/áreas terapêuticas abarcam com os vossos produtos?
MJV | Os doentes que temos são maioritariamente indivíduos com patologia crónica, em que as doenças respiratórias são as mais prevalentes como a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica) – que nos últimos anos tem sido bastante debatida junto da população em geral, no sentido de se saber identificar os sintomas, alertando-se para a importância de um diagnóstico precoce – até à síndrome da apneia do sono, muito interligada com a obesidade, diabetes e hipertensão arterial.
Abrangemos ainda doentes com patologias congénitas degenerativas, como as doenças neuromusculares, entre as quais se destaca a esclerose lateral amiotrófica. No grupo de doentes com patologia cardíaca, temos a insuficiência cardíaca e o pós-enfarte agudo do miocárdio, que são doentes que estão inseridos em programas de acompanhamento por telessaúde disponibilizados pela Linde. Os benefícios deste tipo de acompanhamento domiciliário por monitorização remota na pós-hospitalização passam por evitar a readmissão hospitalar e as suas consequências (maiores taxas de insucesso). Através destes programas, os doentes podem ter a sua condição precoce e devidamente avaliada e sinalizada.

JM | Como se chega à liderança no mercado nacional na área dos cuidados de saúde ao domicílio?
MJV | A Linde tem desenvolvido a sua atividade a nível local e internacional através de uma estratégia de aquisição. Assim, acabou por se tornar líder na área dos gases industriais e na área da Saúde. Nem todos os países são iguais e nem todos têm a mesma massa crítica, mas em Portugal temos essa dimensão e somos uma das primeiras empresas no mercado.

JM | Qual é a importância de Portugal no mundo Linde Saúde global?
MJV | Portugal é um país muito sensível à tecnologia e à inovação.

JM | Sensível, no bom sentido…?
MJV | Sim, sensível no bom sentido. Os portugueses são sensíveis na adoção, na experimentação e na implementação da inovação. E também no seu desenvolvimento! Por outro lado, temos boas escolas e boas universidades, e temos também massa crítica no país, dimensão, capilaridade.

JM | Podemos dizer que a Linde Saúde é verdadeiramente pioneira nesta área dos programas de telessaúde e de reabilitação respiratória?
MJV | A Linde avançou com a criação do primeiro centro de reabilitação respiratória a nível nacional, em Lisboa, que tem tido resultados importantes em termos de reabilitação destes doentes. Inicialmente pensámos que os doentes que iam acorrer ao centro seriam sobretudo doentes com DPOC, mas também temos outras patologias respiratórias e até doentes oncológicos. Neste sentido, estabelecemos um protocolo com a Fundação Champalimaud para podermos receber os doentes desta instituição, em fase de pré ou pós-operatório ou de radioterapia, para os reabilitar o mais rapidamente possível, em cada uma das diferentes fases da sua doença. Tanto na reabilitação respiratória, como também na telessaúde, a Linde Saúde em Portugal é pioneira e serve de modelo e de tubo de ensaio para o grupo a nível internacional.

Para ler a entrevista na íntegra aceda ao site:
http://www.jornalmedico.pt/wp-content/uploads/premium/jornais/jm097/page_1.html

UBI e Linde Saúde lançam Curso de Telemonitorização da Doença Crónica

A Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (FCS-UBI) e a Linde Saúde, com o apoio científico da SITT – Sociedade Ibérica de Telemedicina e Telesaúde, estão a organizar em conjunto o Curso de Telemonitorização da Doença Crónica, que se irá realizar de 15 a 17 de maio. As inscrições estão abertas.

Neste curso os participantes vão poder adquirir conhecimentos sobre temas como tele-saúde e telemonitorização (Fundamentos e Aplicações), conceitos de Tecnologia de Informação e Comunicação e gestão de doença crónica através da telemonitorização, entre outros. A formação tem o máximo de 110 vagas e dirige-se aos profissionais de saúde e a licenciados em bioengenharia e ciências biomédicas.

Os diferentes temas vão ser abordados por especialistas na área da telemonitorização, nomeadamente, Miguel Castelo Branco, Nuno Garcia e Juliana Sá (docentes da UBI), Nando Campanella (Universidade do Estado do Amazonas), Luís Gonçalves (presidente da SITT – Sociedade Ibérica de Telemedicina e Telesaúde), e Sandra Guedes, João Pereira e Cláudia Serrão, da empresa Linde.

Segundo Luís Gonçalves, a telemonitorização consiste na monitorização de doentes crónicos no seu domicílio, com o principal objetivo de tentar evitar as idas às urgências hospitalares por exacerbação da doença. Através da monitorização de determinados parâmetros indicadores do estado de saúde do doente, como a deteção de alterações indicadoras de instabilidade clínica, é possível atuar precoce e preventivamente em casos de possibilidade de agravamento do estado de saúde do doente.

“A criação deste curso, em parceria com a Linde Saúde e a SITT, faz todo o sentido pois contribui para que a oferta formativa e científica da UBI seja cada vez mais diversificada e atual, explica António Fidalgo, Reitor da UBI, que destaca ainda que esta instituição “tem como missão promover a qualificação de alto nível, a produção, transmissão, crítica e difusão de saber, cultura, ciência e tecnologia, através do estudo, da docência e da investigação”.

Já João Pereira, Business Development Manager da Linde Saúde, refere que a empresa “tem vindo a apostar na tele-saúde, como ferramenta que potencia o acompanhamento dos doentes crónicos, quer respiratórios, quer cardíacos, de forma a dar resposta à crescente prevalência das doenças crónicas e promover uma melhor qualidade de vida nas pessoas com estas doenças. Esta formação que estamos a promover com a UBI é de extrema relevância pois sabemos que estamos a contribuir para capacitar os profissionais de saúde para modelos de cuidados de saúde que estarão cada vez mais presentes nos serviços de saúde em Portugal e no mundo”.

Mais de 700 mil portugueses com asma e pouco mais de metade tem doença controlada

Os dados são divulgados pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica e pela Associação Portuguesa dos Asmáticos na véspera do Dia Mundial da Asma, que se assinala na terça-feira.

O imunologista Mário Morais de Almeida, presidente da Associação Portuguesa de Asmáticos, explicou à agência Lusa que mais de um milhão de pessoas em Portugal tem um diagnóstico de asma, mas são cerca de 700 mil os que têm a asma ativa, tendo queixas no último ano ou fazendo tratamento preventivo.

“Quase só metade dos doentes com asma em Portugal tem a asma controlada. E estamos a falar de controlo nos vários estádios da doença, é transversal, tanto nas pessoas com asmas mais ligeiras como com asmas mais graves”, afirmou.

Aliás, a asma é por si uma doença transversal aos vários grupos etários, desde crianças na primeira infância até aos idosos, “atingindo uma frequência de quase 10% em todos grupos”.

Sobre o elevado número de pessoas sem a doença controlada, Morais de Almeida entende que é uma responsabilidade partilhada. Por um lado, os médicos não passam por vezes boa informação ao doente asmático, mas há também casos de doentes que se vão acostumando às suas queixas e adaptando-se às suas limitações.

Ocorre ainda, segundo o especialista, que nem sempre se consegue nas consultas discutir de forma correta o que é exatamente o controlo da asma e há até um inquérito de 2010 que mostrava que 88% dos asmáticos não controlados considerava erradamente a sua doença como estando sob controlo.

Para ler o artigo completo: https://bit.ly/307nCqO

Presidente da APELA partilhou preocupações de pessoas com ELA no Simpósio Linde dedicado aos cuidados respiratórios

A IV edição das Jornadas de Cuidados Respiratórios em Enfermagem, subordinada ao tema ‘Cuidados respiratórios certos: inspirar, reabilitar, capacitar‘ teve lugar no Auditório António Domingues de Azevedo (OCC) em Lisboa, no passado dia 5 de Abril.

A Associação Portuguesa de Esclerose Lateral Amiotrófica (APELA), esteve presente na figura do seu Presidente, Pedro Souto, também diagnosticado com ELA.
No âmbito do Simpósio Linde, circunscrito à abordagem da VNI e Doenças Neuromusculares, Pedro Souto partilha aquelas que são preocupações transversais a pessoas com ELA e seus cuidadores nomeadamente no que diz respeito à gestão do diagnóstico e sublinha alguns dos desafios que se colocam ao setor da saúde, no momento de dar uma resposta eficaz, designadamente no que diz respeito a complicações respiratórias que possam surgir, quer em contexto domiciliário, quer em situações de hospitalização.

Termina a sua intervenção com um apelo que se ergue na voz do Pedro, pessoa com ELA, e na voz do Pedro, Presidente da APELA:

«Enquanto Pedro, sinto o peso deste desconhecimento e, enquanto Presidente da APELA, sinto a necessidade de se lutar pela promoção de uma maior literacia para a saúde nesta área, não só junto do corpo clínico, mas também junto do corpo político.

Sabemos que os cuidados respiratórios, numa fase mais ou menos avançada da Esclerose Lateral Amiotrófica, são inevitáveis, indispensáveis e com impacto na sobrevida e qualidade de vida da pessoa com ELA. Sabemos que esta deve ser uma escolha atempada, esclarecida e informada. Mas sabemos também que a sustentabilidade económica destes cuidados, a sua qualidade e acessibilidade aos doentes são um desafio permanente, a par de outros tantos que se atravessam na estrada percorrida por pessoas que, como eu, lutam com ELA».

Para ouvir a intervenção na íntegra, clique aqui.

Para mais informações sobre as IV Jornadas de Cuidados Respiratórios em Enfermagem, aceda a http://www.acenfermeiros.pt/ .

Dicas para lidar com as alergias na Primavera

Num artigo sobre Como “sobreviver” às alergias da Primavera, o DN Life partilha a opinião de especialistas e divulga uma lista de dicas para se proteger dos alergénios.

“Em 1980, cerca de dez por cento da população sofria de alergias, em 1999 eram trinta por cento e nos últimos vinte anos o número de pessoas alérgicas duplicou.» Quem o diz é Pedro Lopes da Mata, diretor do Instituto Clínico de Alergologia de Lisboa, que indica que a previsão é que em 2050 cerca de cinquenta por cento da população mundial será alérgica «nos países industrializados”.

A primavera é a altura do ano em que se manifestam mais crises alérgicas. António Lorena Jordão, especialista em imunoalergologia, crê que a melhor forma de prevenir estas alergias passa por uma «avaliação regular de um alergologista de forma a obter um diagnóstico seguro». Um plano terapêutico individualizado «permite ao doente alérgico passar praticamente incólume por uma estação difícil do ponto de vista alergológico».

Comichão nos olhos, nariz e garganta irritada, espirros e tosse são algumas formas de manifestação destas alergias. O especialista explica que estas reações dependem do órgão que é «atacado».

Para “sobreviver” às alergias da primavera, causadas sobretudo pelos pólenes que andam no ar, o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) aconselha:

  • Mantenha as janelas e portas de casa fechadas, principalmente nos dias em que a concentração de pólenes é mais elevada. Prefira persianas em vez de cortinados.
  • Para arejar as divisões pode utilizar o ar condicionado, mas certifique-se de que este tem o filtro adequado e que é limpo periodicamente.
  • Se vai viajar de automóvel mantenha os vidros do carro fechados. Os motociclistas devem usar capacete integral.
  • Mantenha a casa limpa, para evitar a acumulação de pó, que agrava os sintomas das alergias, mas também do “pó dos pinheiros” tão típico nesta altura e que torna todas as superfícies verdes.
  • Elimine da casa tapetes e móveis com tecido.
  • Os ácaros não conseguem sobreviver a temperaturas superiores a 60º, pelo que deve considerar a lavagem da roupa a temperaturas superiores.
  • Se tiver plantas no interior de casa, deve cobrir a terra dos vasos com gravilha, para evitar a formação de bolores que podem desencadear uma crise alérgica.
  • Quando chegar a casa, limpe bem os pés e mude de roupa. Passe uma escova pelo vestuário para evitar espalhar pólenes e pó por toda a casa.
  • O banho à noite elimina o pó e o pólen, evitando a sua passagem para os lençóis da cama.
  • Se é fumador, saiba que o fumo do tabaco agrava os sintomas das alergias, principalmente os relacionados com o sistema respiratório.
  • Se tem por hábito verificar o estado do tempo para o dia seguinte, veja também o boletim polínico da região para saber qual o nível de concentração dos pólenes. Nos dias em que esses índices estão mais elevados, previna-se com a medicação adequada e tente passar o mínimo tempo possível em espaços verdes.
  • Nesta altura do ano, não se esqueça dos óculos de sol, um bom aliado para quem sofre de alergias, pois protege os olhos dos irritantes pólenes.
  • Os anti-histamínicos são a medicação mais receitada a quem sofre de alergias primaveris. Estes medicamentos são conhecidos por provocar sonolência e diminuição da atenção, por isso, opte por um que não tenha estes efeitos secundários ou então escolha a hora de se deitar para o tomar. Existe ainda a opção da vacina antialérgica para tomar antes do início da estação. Em ambos os casos, consulte o seu médico antes de qualquer administração.

Veja o artigo completo aqui.

Sabe o que é a tele-saúde?

A telemonitorização pode reduzir em 83% o risco de o doente ser hospitalizado ou morrer. Falámos com Dulce Brito responsável por este programa no centro Hospitalar de Lisboa Norte.

Um estudo alemão revela que a telemonitorização de doentes com insuficiência cardíaca reduziu a percentagem de dias perdidos em internamentos hospitalares não planeados e até mortalidade por todas as causas. O estudo TIM-HF2 foi publicado na revista científica The Lancet e que foi apresentado no IX Congresso Novas Fronteiras em Medicina Cardiovascular em fevereiro.

Este estudo revela que a gestão remota dos doentes, ou seja, a transmissão diária de sinais vitais para um centro de telemedicina, permitia uma comunicação direta entre o centro de telemedicina, o cardiologista e o clínico geral, todos envolvidos no tratamento. De que forma? Os doentes receberam também um telemóvel para entrar em contacto com o centro de telemedicina em caso de emergência e também foram acompanhados por entrevistas telefónicas mensais.

O estudo TIM-HF2 testou a intervenção em 1.538 doentes em vários centros na Alemanha que foram internados num hospital por piorar a IC nos últimos 12 meses. A professora Dulce Brito, médica cardiologista, é a coordenadora do Programa de Insuficiência cardíaca e Telemonitorização do centro Hospitalar de Lisboa Norte e explica de que forma esta telemonitorização pode ser eficaz. E ainda como funciona este sistema em Portugal.

Como funciona a telemonitorização?
O termo telemonitorização é vasto mas na sua essência implica a monitorização à distância de determinados parâmetros ou “sinais” biológicos que permitem a vigilância clínica do doente. Esses sinais (por exemplo, a frequência e o ritmo cardíacos, a pressão arterial, a temperatura, a percentagem de oxigénio no sangue, o peso corporal, eventualmente outros com importância para a doença que está a ser vigiada) são registados periodicamente pelo doente e são recebidos automaticamente num centro de triagem onde profissionais de saúde supervisionam os dados recebidos.

Quando os dados relativos às medições que estão a ser monitorizadas se encontram “fora” dos limites pré-definidos como os adequados é gerado um “alerta”, e o centro de triagem contacta o doente para averiguar a realidade da situação. Se tal “alerta” é confirmado, a equipa médica é contactada de imediato, estabelece novo contacto com o doente e atua em conformidade. Essa atuação pode incluir apenas ajuste no tratamento, marcação imediata de consulta ou mesmo observação em Serviço de Urgência.

Embora possam existir diferenças em relação ao modo de funcionamento dos vários programas de telemonitorização, na sua essência todos implicam o envio dos dados por parte dos doentes, o seu recebimento e supervisão por profissionais de saúde, a sua interpretação e uma “resposta” aos mesmos, adequada à situação clínica. E estes vários elos da cadeia de telemonitorização têm que funcionar interrelacionados.

Quais são as vantagens?
As vantagens são múltiplas: proximidade entre o doente e a equipa de profissionais de saúde, ultrapassando-se a barreira da distância geográfica; vigilância constante da situação clínica, permitindo a atuação médica imediata em caso de suspeita de agravamento e orientação do doente na cadeia de cuidados de saúde; evitar idas aos serviços de urgência, por vezes desnecessárias; redução do número de internamentos hospitalares pela deteção atempada de sinais de “alarme” e tomada das medidas terapêuticas adequadas dirigidas. A qualidade de vida do doente melhora e, adicionalmente, sente-se mais acompanhado por estar a ser vigiado medicamente de forma continuada. Claro que é nas doenças crónicas e em risco de descompensação, muitas vezes com internamentos hospitalares repetidos, que por vezes as vantagens são mais evidentes. Dois exemplos são a doença pulmonar crónica e a insuficiência cardíaca.

O que demonstra o estudo TIM-HF2?
O estudo TIM-HF2 incluiu mais de 1.500 doentes com insuficiência cardíaca e demonstrou que o seguimento com telemonitorização não invasiva durante 12 meses diminuiu a mortalidade por qualquer causa e diminuiu o número de “dias perdidos” devido a hospitalizações ou por morte. Por outras palavras, mantiveram-se os doentes mais tempo fora do hospital e com menor mortalidade, o que de facto é um dos objetivos máximos do seguimento destes doentes.

Quais são os resultados mais importantes?
Os resultados mais importantes deste estudo passam pela prova da exequibilidade da monitorização para um grande número de doentes e pelos benefícios que demonstrou nesta população ao nível da redução de dias perdidos por internamento hospitalar ou mortalidade. Outro resultado preponderante deste estudo foi a melhor caracterização da população-alvo de doentes que mais beneficia deste tipo de monitorização. Como todas as terapêuticas, estas não devem ser prescritas de forma indiscriminada para todos os doentes. Deve ser identificado o subgrupo de doentes mais vulnerável e que mais beneficia deste tipo de intervenção.

Quantos doentes têm no projeto de telemonitorização de doentes com insuficiência cardíaca que coordena no Centro Hospitalar de Lisboa Norte?
Actualmente estão 26 doentes com insuficiência cardíaca crónica a ser seguidos em programa de telemonitorização.

Dizem que este programa “decorre com bastante sucesso”. Podia dar exemplos?
Nos doentes com insuficiência cardíaca crónica, a telemonitorização associada a um programa de seguimento estruturado permitiu reduzir em 83% o risco de o doente ser hospitalizado ou morrer por qualquer causa, quando em comparação com os doentes que eram seguidos antes da implementação deste programa. Ao longo de um período médio de 10 meses de seguimento, são necessários apenas dois doentes neste seguimento com telemonitorização para prevenir uma morte ou hospitalização. Estes resultados são bastante significativos e a serem transpostos para o universo de doentes com esta patologia, a telemonitorização, nos moldes em que o nosso programa a está a efectuar, poderia controlar estes doentes de forma mais eficaz em ambulatório, evitando assim o internamento hospitalar e morte de muitos doentes.

Saiba mais em: https://bit.ly/2VWrTu8

Apneia do sono com sonolência diurna excessiva causa maior risco cardiovascular

Estudo publicado na revista “American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine”

 

Os pacientes com síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) com sonolência diurna excessiva aparentam um risco bastante maior de doenças cardiovasculares do que os que não apresentam sonolência diurna excessiva, indicou um estudo.
Vários estudos associaram já a SAOS a doenças cardiovasculares. Para melhor perceber esta associação, investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, EUA, categorizaram 1.207 participantes com SAOS moderada a severa em quatro subtipos: distúrbios de sono, minimamente sintomático, moderadamente sonolento e excessivamente sonolento.
Os participantes tinham 40 anos ou mais de idade na altura do recrutamento e foram monitorizados durante aproximadamente 12 anos.
A SAOS moderada a severa foi entendida como pelo menos 15 episódios de paragem respiratória por hora durante o sono ou uma redução na respiração conhecida como hipopneia.
Saiba mais sobre este estudo em: https://bit.ly/2IrriPd

O papel da Reabilitação Respiratória no Cancro do Pulmão

O Cancro do Pulmão é a doença Oncológica, segundo a OMS – GLOBOCAN 2018, que mais casos novos regista anualmente, e que maior mortalidade apresenta.

Embora a incidência em não fumadores tenha vindo a aumentar, é sabido que o tabaco está intimamente relacionado com o Cancro do Pulmão. Consequentemente estes doentes apresentam frequentemente associada Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).

O Colégio Americano de Médicos Pneumologistas refere mesmo que o controlo dos sintomas no cancro do pulmão é tão importante como o tratamento do próprio cancro.

A Reabilitação Respiratória deve ser integrada no plano terapêutico do doente respiratório, e o doente com cancro do pulmão não é exceção, em qualquer fase da sua doença oncológica.

Numa fase mais precoce a capacidade funcional (respiratória, muscular e cardíaca) deve ser otimizada sendo aplicada no pré e pós-operatório, para uma recuperação mais fácil e adequada, permitindo ao doente voltar o mais rapidamente à sua vida diária sem limitações. No pós-operatório é mandatório implementar exercícios com o intuito de melhorar a expansão pulmonar e impedir aderências pleurais, bem como técnicas para uma boa higiene brônquica.

Nas fases mais avançadas da doença são realizadas terapêuticas como a quimioterapia, a imunoterapia ou radioterapia. Nestes casos, e aplicado simultaneamente, um programa de Reabilitação Respiratória adaptado possibilita melhorar a capacidade respiratória (diminuindo os sintomas de fadiga e dispneia, bem como da perda da massa muscular), incrementa a tolerância ao exercício conduzindo a uma melhoria geral da capacidade funcional e maior controlo de ansiedade do doente.

Existem estudos que identificam uma prevalência de 80% de fadiga relacionada com o cancro em doentes sob quimioterapia e/ou radioterapia, já que estas terapêuticas diminuem a capacidade de entrega/utilização do oxigénio durante o esforço contribuindo para a intolerância ao exercício.

As modalidades de intervenção são múltiplas, nomeadamente com exercício aeróbico através do uso de bicicleta, tapete rolante, marcha e treino de escadas; alguns incluíram também treino de força, de relaxamento e sessões educacionais.

De igual importância, a Reabilitação Respiratória tem também benefícios psicológicos, tornando-se até uma motivação durante o tratamento da doença oncológica.

Na generalidade, os doentes descrevem a dor e o medo da dispneia (falta de ar) como os maiores receios quando lhes é transmitido o diagnóstico de Cancro do Pulmão.

Os tratamentos, farmacológicos e não farmacológicos, têm evoluído muito nos últimos 5-10 anos, apresentando efeitos secundários mais toleráveis e sendo mais eficazes, conseguindo uma maior sobrevida com maior qualidade de vida. Nesse sentido, hoje os doentes oncológicos podem e devem cada vez mais tentar ter uma vida normal, com um estilo de vida saudável e fisicamente ativo. A Reabilitação Respiratória dá-lhes armas que os ajudam a conseguir isso mesmo, sendo sempre adaptada a cada caso.

Um programa de reabilitação respiratória assenta em três pilares: controlo clínico, treino de exercício e educação. Esta intervenção é sempre adaptada às necessidades de cada doente, em cada momento específico da sua doença e do seu tratamento. Sendo que deverá ter o apoio de uma equipa interdisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais.

O AIR Care Centre®, criado em 2014, é o primeiro centro em Portugal exclusivamente dedicado à Reabilitação de doentes respiratórios fora do meio hospitalar e que junta uma equipa multi-interdisciplinar de profissionais de saúde experientes, a excelentes condições de espaço físico e equipamentos para um processo completo de reabilitação.

 

Patrícia Garrido, pneumologista na Fundação Champalimaud

Luísa Morais, fisioterapeuta e técnica coordenadora do AIR Care Centre®

 

As infeções respiratórias são mais frequentes e graves no tempo frio. Que cuidados devemos ter?

O ano novo chegou cheio de frio. As baixas temperaturas que se fazem sentir, em conjunto com a chuva, vento e humidade típicas desta altura do ano podem causar inflamação no aparelho respiratório, o que que facilita a infeção.

Uma infeção respiratória ocorre quando uma parte do aparelho respiratório é infetada por um microrganismo que pode ser um vírus, uma bactéria, um fungo ou um parasita.

As manifestações da infeção irão depender da área do aparelho respiratório atingida e embora a maioria das infeções respiratórias sejam benignas, elas são muito frequentes e podem ser fatais. Por exemplo, as pneumonias são a terceira causa de mortalidade a nível mundial. De facto, à escala mundial, as infeções respiratórias são responsáveis por cerca de 4 milhões de mortes todos os anos.

A constipação e a gripe sazonal são as infeções respiratórias mais comuns nesta altura do ano. Numa pessoa saudável podem ser incómodas, mas numa pessoa portadora de doenças respiratórias crónicas podem ter consequências perigosas. No entanto, é possível prevenir estas infeções. Entre as principais medidas de prevenção que pode tomar, estão:

  • Evitar locais fechados com grande concentração de pessoas, de forma a prevenir o contágio pelos vírus respiratórios;
  • Reforçar as medidas de higiene das mãos. Lave as mãos com maior regularidade no inverno e desinfete-as sempre que estiver em contacto com objetos de uso público;
  • Espirrar e tossir para um lenço ou antebraço, evitando passar vírus e germes para as mãos ou para o ar, que depois podem levar ao contagio de outras pessoas;
  • Usar cada lenço de papel apenas uma vez;
  • Evitar o contacto com pessoas doentes;
  • Vacinar-se contra a gripe. Ainda vai a tempo, pois espera-se que o pico da gripe seja atingido entre o final de janeiro e o início de fevereiro, segundo Filipe Froes, pneumologista e consultor da Direcção-Geral da Saúde.

As pneumonias também devem ser um preocupação. Segundo o 13º relatório do Observatório Nacional das Doenças Respiratórias, Portugal é o país da União Europeia no qual mais se morre por pneumonia: a taxa de mortalidade é mais do dobro da média europeia. A cada 90 minutos há um óbito por pneumonia nos hospitais públicos.

A pneumonia acontece quando uma gripe não é bem tratada e pode ser originada por vírus, bactérias ou, raramente, por fungos ou outros micro-organismos. A pneumonia é a inflamação dos alvéolos pulmonares – os sacos de ar que existem nas extremidades dos bronquíolos –, tem tratamento mas, quando se agrava, pode ser fatal. Vacinar-se contra a pneumonia e tratar bem as gripes corretamente são as melhores medidas a adotar para tentar prevenir a pneumonia.

As pessoas que sofrem de doenças crónicas, respiratórias ou outras, bem como as que podem ter o sistema imunitário debilitado devem aconselhar-se com o médico de forma a fazerem uma prevenção mais completa, apostando ainda mais no uso da máscara e evitando os  espaços fechados com a presença de muitas pessoas.

A constipação comum podem ser tratada com medidas sintomáticas, como descongestionante para o nariz ou soro fisiológico, medicamentos para a tosse, por indicação médica, sendo que a ingestão de líquidos em maior quantidade também pode ajudar. Alimente-se bem e não esteja em contato com o fumo do tabaco ou outros poluentes do ar.

Deve procurar o médico sempre que sentir dificuldade em respirar, sensação de pressão no peito, febre que não baixa com a medicação ou tosse persistente e que não melhora com a medicação.

Todos estes conselhos podem ajudá-lo a ter um Inverno com mais saúde e a Respirar Melhor!

 

3 tendências para a tele-saúde em 2019

Num mundo globalizado como o que temos nos dias de hoje, é normal que as tendências globais tenham impacto e influência nas tendências nacionais e, no caso da tele-saúde, não deverá ser excepção.

A evolução tecnológica nos últimos anos tem vindo a trazer para o mercado novos dispositivos que melhoram e simplificam o acesso à tele-saúde. A título de exemplo, no evento anual Consumer Electronic Show (CES 2019), que se realizou em Las Vegas e terminou no passado dia 11 de janeiro, a OMRON apresentou o que diz ser o “primeiro monitor de pressão arterial wearable“, que permite a medição simplificada da pressão arterial, através do tradicional método oscilométrico, com recurso apenas a um relógio que tem a capacidade de insuflar e proceder às medições das pressões arteriais. Estes “choques” tecnológicos são fundamentais para a tele-saúde, dado que um dos pilares de qualquer programa de tele-saúde é a tecnologia.

Em Portugal, desde a criação do Centro Nacional de Telesaúde, em 2016, foram surgindo várias iniciativas nesta área e o setor tem vindo a crescer de forma sustentada no nosso país. Para 2019 destaco as seguintes tendências, tendo em conta o que decorreu até agora e de acordo com as condições criadas para os próximos meses:

 

  1. Teleconsulta: A expansão desta forma de consulta será consolidada dada a forte aceitação da mesma, a facilidade de execução e o nível de investimento que é necessário. Por outro lado, é provável que tenhamos mais instituições a utilizar esta ferramenta na sua atividade assistencial dada a sua aplicabilidade em diferentes especialidades, como por exemplo: Cirurgia vascular, tele via verde do AVC, telecardiologia, pneumologia, entre outros. De acordo com dados do Centro Nacional de Telesaúde, em 2018, realizaram-se mais de 166.000 teleconsultas, sendo a sua maioria na região norte de Portugal.

Esta ferramenta não se cinge às instituições do Sistema Nacional de Saúde e estender-se-á aos privados (hospitais, clínicas, seguradoras e outros prestadores de cuidados de saúde) porque é uma forma de comunicação que, num determinado grupo etário, é bem aceite e permite diversificar a oferta de serviços em saúde.

  1. Teledermatologia: Este serviço proporciona uma resposta mais rápida e eficiente aos utentes, reduzindo o tempo de espera por uma consulta, mas também evitando, em alguns casos a referenciação para o hospital. Funciona, normalmente, entre um hospital e um centro de saúde, não sendo necessária deslocação ao hospital para ser avaliado pela dermatologia. Estes projetos permitirão, durante o ano de 2019, melhorar a acessibilidade e equidade no acesso às consultas de dermatologia.
  2. Telemonitorização: De acordo com a Berg Insight, em 2017 existiam, mundialmente, 16,5 milhões de pacientes monitorizados remotamente e em 2023 é estimado pela mesma empresa de estudos de mercado, que se atinjam os 83,4 milhões de pacientes.

De uma forma geral, são programas que tem tido alguma adesãoem diversas partes do mundo, nos mais variados contextos com os objetivos de resolver problemas frequentes das doenças crónicas, nomeadamente idas à urgência e hospitalizações. Em Portugal, nos últimos anos, têm surgido vários programas de telemonitorização, sobretudo para a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), a insuficiência cardíaca, no status pós-enfarte agudo do miocárdio, entre outras patologias. É expectável que, durante 2019, comecem a surgir os primeiros resultados destes programas.

No caso da insuficiência cardíaca, em Agosto foi publicado um estudo com 1538 indivíduos (dos quais 765 telemonitorizados) que sugere que uma intervenção estruturada com recurso à telemonitorização e integrado com um centro de telemedicina pode reduzir a mortalidade nestes pacientes.

Na área respiratória são cada vez mais os dispositivos, como os ventiladores para insuficiência respiratória ou para tratamento da apneia do sono que permitem a monitorização remota dos dados de utilização (adesão terapêutica) e dados de eficácia terapêutica. Esta inovação pode permitir, se aliado a um programa estruturado e personalizado, uma adesão mais rápida à terapia e mantida ao longo do tempo. A telemonitorização veio, definitivamente, para ficar.

Por João Tiago Pereira, Senior Product & Business Development Manager

Linde Saúde