AIR Care Centre® integra redes de Cuidados da Allianz

O AIR Care Centre®, o Centro de Reabilitação Respiratória da Linde, acaba de integrar a rede de cuidados de saúde da seguradora Allianz.Os beneficiários de seguros de saúde da Allianz (Rede Médica, Rede Bem-Estar e Rede 55+) podem, usufruir dos serviços de consultas de especialidade (pneumologia e fisiatria), exames (prova de esforço cardiorespiratória, espirometria, gasimetria entre outros) e fisioterapia (respiratória).

O AIR Care Centre Centre® é um Centro de Reabilitação especializado e o único no país exclusivamente dedicado ao tratamento de doentes respiratórios (agudos sem necessidade de internamento, sub-agudos e crónicos). São inúmeras as condições que podem beneficiar da fisioterapia/reabilitação respiratória, como situações de pré e pós-operatórios de cirurgia torácica e abdominal, infeções respiratórias associadas a excesso de secreções e tosse, doentes com cancro do pulmão com diminuição da capacidade respiratória e/ou funcional, DPOC, bronquiectasias, fibrose pulmonar, asma, entre outras.

O AIR Care Centre® recomenda aos doentes que contactem os seus mediadores de seguros para conhecerem as condições específicas das suas apólices para os serviços abrangidos na rede Allianz Saúde.

 

Para mais informações consulte – www.allianz.pt/servicos/redes-allianz/rede-allianz-saude e o AIR Care Centre através de http://www.aircarecentre.pt/pt/index.html ou 21 049 99 96.

Sono não reparador, cansaço ao despertar ou sonolência excessiva? Este artigo é para si

Entrevista publicada no Vital Health.
Manter horários regulares de sono, privilegiar o número adequado de horas de sono e adotar estilos de vida saudáveis, são conselhos a recordar no Dia Mundial do Sono, que se assinala amanhã, 16 de março, e para aplicar em todos os dias do ano. A propósito desta data, o Vital Health esteve à conversa com a pneumologista Susana Sousa, que explica que “o sono não reparador, o cansaço ao despertar e o aparecimento de sonolência excessiva durante o dia” são os principais sintomas da síndrome de apneia obstrutiva do sono, um distúrbio que afeta cerca de 4% da população adulta.

Susana Sousa, Pneumologista

Este ano, o Dia Mundial do Sono assinala-se a 16 de março. A World Sleep Society escolheu como tema a importância dos ritmos circadianos, com o mote “Junte-se ao mundo do sono, proteja os seus ritmos para aproveitar a vida”. Qual o “relógio biológico” ideal para a pessoa “aproveitar a vida”?
Este ano o Dia Mundial do Sono é dedicado ao tema da relação entre sono e ritmo circadiano, que mereceu o Prémio Nobel em 2017. O nosso ritmo circadiano é regulado pela exposição à luz, que determina a produção de uma hormona que é conhecida pela hormona do sono: a melatonina. Tão importante como o número de horas de sono, que na idade adulta deverá corresponder a 7-8 horas, é saber a fase do dia em que esse sono ocorre no período das 24 horas. A privação do sono, o trabalho por turnos ou o jet lag são exemplos de alterações do ritmo do ciclo de sono-vigília e que podem ter consequências graves, como obesidade, doenças cardiovasculares e aumento do risco de cancro. Manter horários regulares de sono, programar o sono nos casos de trabalho noturno ou por turnos, privilegiando o número adequado de horas de sono e a adoção de estilos de vida saudáveis, são conselhos a recordar no Dia Mundial do Sono e para aplicar em todos os dias do ano.
A síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) é uma patologia que causa interrupções na respiração e, consequentemente, no sono, tendo um impacto negativo na Saúde. De que forma a apneia afeta a Saúde?
A SAOS caracteriza-se por interrupções na respiração que ocorrem durante o sono, devido ao encerramento intermitente da via aérea. Como consequência, existem variações dos valores de oxigénio com ativação do sistema nervoso simpático, stress oxidativo e inflamação sistémica, que são responsáveis pelo aumento de risco de doenças cardiovasculares e metabólicas. A SAOS associa-se a um aumento de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, arritmias, doença coronária, AVC e também a diabetes e obesidade, afetando negativamente a Saúde e a qualidade de vida.
A SAOS afeta cerca de 4% da população adulta. De que forma pode ser prevenida?
Um estudo realizado em 2015 na Suíça, o Hypnolaus, demonstrou que a doença pode atingir até 50% dos homens e 25% das mulheres, demonstrando uma prevalência superior ao que julgávamos até aqui. Conhecemos hoje alguns dos fatores de risco da doença, sendo o principal fator a obesidade. Manter um estilo de vida saudável, controlo do peso, com nutrição adequada e exercício físico regular, evitar bebidas alcoólicas (sobretudo nas últimas quatro horas antes de dormir) e evitar o tabagismo, são medidas gerais de prevenção da doença.

 

Quais são os principais sintomas da SAOS?
Os principais sintomas são o sono não reparador, o cansaço ao despertar e o aparecimento de sonolência excessiva durante o dia. Frequentemente os doentes referem cefaleias ao acordar, irritabilidade, dificuldade na atenção e memória e diminuição da libido ou impotência. Durante o período de sono é frequente o ressonar, a nictúria (aumento do número de micções durante o período de sono) e a sensação de asfixia ou engasgamento durante o sono.
Hoje em dia, existem opções de tratamento que permitem melhorar a SAOS, como é o exemplo da ventilação por pressão positiva contínua (CPAP). Considera que os tratamentos atuais são eficazes e acessíveis aos doentes?
O tratamento de primeira linha é o CPAP, ou seja, a administração de uma pressão positiva na via aérea através de um equipamento gerador de pressão e de uma interface que impedem o colapso da via aérea durante o sono, eliminando os eventos respiratórios. Este tratamento demonstrou melhorar a sonolência diurna, reduzir os acidentes de viação, diminuir a pressão arterial e melhorar a qualidade de vida.
A SAOS pode ter um grande impacto no dia a dia dos doentes, podendo levar a que apresentem problemas no trabalho, na vida social e nos relacionamentos. Qual a melhor forma de ultrapassar esta situação?
A SAOS não é uma doença apenas do indivíduo. Tem impacto na qualidade de vida do próprio, mas também no seio familiar, âmbito social e laboral. A sonolência diurna excessiva leva muitas vezes ao isolamento social e a perturbações do humor. As alterações da memória e atenção, bem como a sonolência nas atividades laborais, podem comprometer o exercício da profissão e causar acidentes de trabalho. No âmbito do casal, o ressonar muitas vezes leva a separação de quartos, a sonolência impede atividades em conjunto e a diminuição da libido e o aparecimento de impotência podem ser causa de disfunção familiar.
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Atividade física regular associada a melhor função pulmonar em fumadores

Estudo publicado na “Thorax”

Uma equipa de investigadores descobriu que a prática regular de exercício físico está associada a uma melhor função pulmonar nos fumadores.

O achado que foi o resultado de um estudo efetuado recentemente por investigadores do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), Espanha, faz parte de um projeto conhecido como “Ageing Lungs in European Cohorts” (pulmões em envelhecimento em coortes europeus) que está a ser coordenado pelo Imperial College London, em Inglaterra.

Para o estudo, Elaine Fuertes e equipa usaram dados recolhidos de 25 centros europeus em 11 países relativamente a uma sondagem sobre a saúde respiratória nos cidadãos na comunidade europeia.

Num período de 10 anos, 3.912 adultos, com idades compreendidas entre os 27 e os 57 anos no início do estudo, foram considerados ativos se praticassem exercício físico duas ou mais vezes por semana e com a duração de uma hora ou mais também por semana.

As associações entre o exercício físico e a função pulmonar foram apenas observáveis nos fumadores atuais, o que sugere a existência de um mecanismo biológico relacionado com a inflamação.
“Este resultado põe em destaque a importância da atividade física, especificamente nos fumadores atuais que são um grupo que corre um risco mais elevado de terem uma função pulmonar debilitada”, disse Elaine Fuertes, que é a primeira autora do estudo.

Os investigadores verificaram ainda que os participantes que eram ativos no fim do estudo, seja por se terem tornado ativos ou por se terem mantido ativos durante o período de acompanhamento, apresentavam uma função pulmonar consideravelmente melhor do que os que se tinham mantido consistentemente inativos.

A investigadora Elaine Fuertes expõe que uma possível explicação para este achado poderá ser o facto de a atividade física fazer melhorar o endurance e força muscular respiratória através de um efeito que necessita de um esforço físico para se manter.

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Transplante de pulmões obriga a mudança radical de rotina

O transplante pulmonar significa, para muitas pessoas, a última esperança de sobrevivência e todos têm que enfrentar o mesmo desafio: as listas de espera. Mas, se por um lado, a cirurgia significa uma nova oportunidade, o transplante pulmonar obriga também a uma mudança radical nos hábitos de cada doente.

Isto porque “o risco de infeção depois de um transplante é elevado, uma vez que os pulmões se encontram expostos constantemente ao ar, que contém bactérias que podem provocar doenças”, disse ao Correio da Manhã Maria Manuela Santos, vice-presidente da Associação de Transplantados Pulmonares de Portugal.

O transplante de pulmão é feito em doentes cujos órgãos já não cumprem as suas funções. “A maioria das pessoas submetidas à cirurgia já teve ou tem doença pulmonar obstrutiva crónica, fibrose pulmonar idiopática, fibrose cística, entre outros problemas”, explicou ao CM Carla Damas, pneumologista no Hospital de São João, no Porto.

Ainda assim, nem todos os utentes com doenças pulmonares associadas podem realizar o transplante. Utentes com idade superior a 65 anos ficam automaticamente excluídos da lista de espera. Depois da cirurgia, os transplantados fazem medicação específica e têm que seguir consultas regulares.

Doença diagnosticada aos 3 anos

Beatriz Salgueiro, estudante de Psicologia, fez um transplante pulmonar em 2016. “Recebi o diagnóstico da bronquite obliterante aos três anos de idade. Por isso, quando me disseram que tinha que ser transplantada, não fiquei surpreendida”, conta a jovem, de 24 anos. Realizada a cirurgia, confessa que notou “imensas diferenças no respirar”. Beatriz teve de recorrer à ventilação não invasiva, o que a ‘ensinou’ “a respirar de uma certa forma – a correta”, assegura.

Alimentos gordos e crus excluídos de dieta rigorosa

Os utentes submetidos a uma cirurgia de transplante pulmonar têm que ter uma dieta rigorosa, o que implica ter cuidados acrescidos e até mesmo restrições na alimentação. O peso é uma das preocupações dos especialistas.

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“Queremos tudo “aqui” e “agora”: esta resposta só é possível pelo recurso à tecnologia e à telesaúde”

O cardiopneumologista Dr. João Pereira considera que o recurso à tecnologia e à telesaúde tem inúmeras vantagens, quer para os doentes, que são assistidos sem necessidade de se deslocarem, quer para os hospitais, ao permitir “reduzir as listas de espera de seis meses para uma semana.” Em entrevista ao Vital Health, o cardiopneumologista mostrou-se muito satisfeito com a telesaúde em Portugal: “aquilo de que tenho conhecimento, à exceção da Dinamarca e do Reino Unido, Portugal é o país da Europa que tem dado mais passos nesse sentido”, afirma.

Vital Health (VH) | Vivemos um momento em que a tecnologia está cada vez mais ao serviço da comunidade científica e médica. Quais são as principais vantagens da telemedicina na sociedade atual?

João Pereira (JP) | Depende do utilizador final, mas diria que para o doente a principal vantagem é a facilidade de acesso. Pegando no exemplo da Dermatologia, um doente em Bragança consegue, desta forma, ter acesso a um especialista que está num Hospital no Porto, consegue, no centro de saúde a que pertence ser assistido e ver ser-lhe feito um diagnóstico à distância sem ter que se deslocar. Do ponto de vista da unidade hospitalar, isto também permite reduzir as listas de espera de seis meses para uma semana. Obviamente é completamente diferente marcar consulta e percorrer 200 km ou o médico de família recolher uma imagem na consulta e enviar para o colega da especialidade que faz o diagnóstico e decide se há necessidade de o doente se deslocar ao hospital central ou se se trata de uma situação que pode ser resolvida nos cuidados de saúde primários.

VH | Portanto falamos também de uma forma de reduzir as assimetrias regionais no acesso aos cuidados de saúde…

JP | Sim, exatamente. Nós temos um modelo em que todos os hospitais têm as mesmas valências, na maior parte dos casos, e o que se pretende é que, através da tecnologia, se concentre nas unidades mais preparadas, a maior parte dos pedidos. Claro que falamos daquilo que é possível fazer à distância, há determinados aspetos que envolvem a copresença do doente e do especialista. Falando de uma perspetiva global, numa altura em que a questão da sustentabilidade e do ambiente está na ordem do dia, a poupança no gasto energético também é um aspeto positivo.
Centrando-me novamente no doente, no caso da telemonitorização, em causa estão doentes crónicos que têm acesso a determinados equipamentos que recolhem informação clinica relevante e que podem enviar estes dados para o seu médico. Neste caso, se o doente apresentar alguma alteração no seu estado esta vai ser precocemente detetada, evitando idas à urgência e potenciais internamentos. Num contexto em que a população está cada vez mais envelhecida, e sabendo que as doenças crónicas afetam sobretudo estas faixas etárias, a telemedicina assume um papel especialmente relevante.

 

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Menos idas às urgências e menos internamentos com Teleassistência

A teleassistência, um serviço de consultas e monitorização de doentes à distância, é a grande aposta do Serviço Nacional de Saúde que, para além de permitir uma maior aproximação entre médicos e utentes, permitirá uma gestão mais eficiente dos recursos dos sistemas de saúde. Em entrevista ao Atlas da Saúde, o cardiopneumologista João Tiago Pereira explica em que consiste e quem mais irá beneficiar.

É cada vez mais evidente a aposta na telemedicina/teleassistência. Em que consiste e o que deve compor este serviço?

A teleassistência consiste em prestar assistência à distância, com recurso a tecnologias de telecomunicações. Na medicina é intercambiável pela denominação “tele-saúde” porque são cuidados de saúde à distância. Um exemplo específico, consiste na telemonitorização dos sinais vitais do doente através do telemóvel ou tablet, juntamente com a recolha (à distância), via telefone, videochamada ou chat, dos seus sinais e sintomas, permitindo a correlação dos sinais vitais recebidos com os sintomas do doente. Estes programas permitem, a médio-prazo, melhorar o conhecimento do doente sobre a sua doença, ao facilitarem o reconhecimento dos sinais e sintomas das agudizações e sabendo, prontamente, como actuar.

O que são os programas de telemonitorização?

Os programas de telemonitorização integram centros de gestão clínica, compostos de profissionais de saúde (cardiopneumologistas, enfermeiros, farmacêuticos e fisioterapeutas), conseguem criar uma dinâmica distinta com os doentes, porque não só recebem a informação enviada pelo doente, como aplicam questionários específicos para avaliação da sintomatologia, correlacionando a mesma com os bio-sinais recebidos.

Que equipamentos são necessários para aceder a este serviço? O que é necessário para implementar um projeto de telemedicina? Estará acessível a qualquer utente, mesmo de franjas mais fragilizadas?

Para se implementar um serviço de telemonitorização é necessário ter à disposição sistemas específicos que incluem não só os dispositivos médicos – como por exemplo, um tensiómetro, um oxímetro ou um termómetro, mas também um dispositivo (sem fios) que recolhe os dados desses mesmos dispositivos médicos – que pode ser um telemóvel, por exemplo. Esses dados são posteriormente enviados de forma automatizada para o centro de gestão clínica, que por sua vez efetua a monitorização diária destes dados juntamente com a recolha à distância – via telefone, videochamada ou chat – dos sinais e sintomas do doente.

A Linde Saúde tem um serviço completo que inclui a disponibilização dos dispositivos médicos, do dispositivo de recolha dos dados e ainda um serviço de monitorização desses dados, pelo que qualquer pessoa poderá ter acesso a este serviço.

 

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O FUTURO DA SAÚDE PASSA PELA TELESSAÚDE. E O QUE É ISSO?

Portugal tem uma população cada vez mais envelhecida, com doenças crónicas e várias comorbilidades. As despesas em saúde são uma grande preocupação para o Governo que está à procura de soluções. A aposta na telessaúde é apontada como um caminho óbvio. Fomos saber o que isso é com o cardiopneumologista João Tiago Pereira.

O que é a teleassistência?

A teleassistência consiste numa forma de assistir à distância, através dos meios de telecomunicações.

Quando aplicada à medicina é intercambiável pela tele-saúde porque podemos especificar e dizer que são cuidados de saúde à distância, podendo ser meramente programas de telemonitorização de doenças crónicas ou até mais simples, como as tele-consultas.

No caso concreto dos programas de telemonitorização, consiste na monitorização de sinais vitais através de uma aplicação móvel específica, juntamente com a recolha (à distância), via telefone, videochamada ou chat, dos seus sinais e sintomas, permitindo a correlação dos sinais vitais recebidos com as queixas do doente.

Esta correlação dos dados é feita por um centro de gestão clínica, que é composto por uma equipa multidisciplinar, que inclui cardiopneumologistas, enfermeiros, fisioterapeutas e farmacêuticos, com a responsabilidade de monitorizar os dados enviados diariamente pelos doentes e, desta forma, evitar agudizações da doença, idas às urgências e internamentos desnecessários, poupando tempo ao médico e encaminhando apenas em situações específicas.

A teleassistência deve ser uma aposta do SNS?

A teleassistência já é uma aposta do SNS em alguns hospitais e chega a alguns doentes. Ainda poucos, mas acredita-se que as condições estão criadas para alavancar o acesso a estes serviços de uma forma mais abrangente.

Em que áreas médicas a teleassistência poderia suprir falhas no SNS?

As falhas hão-de existir sempre. Não existem modelos perfeitos, nem a tele-saúde serve para todos os doentes. O que podemos conseguir é aproveitar os rápidos desenvolvimentos tecnológicos dos últimos anos na área dos dispositivos médicos e das telecomunicações e selecionar grupos específicos de doenças onde existe evidência científica de que os modelos de cuidados à distância podem adicionar valor para o Estado, mas também (e sobretudo) para o doente.

O valor obtido por estes programas é sobretudo no potencial impacto que podem ter nas idas à urgência, nos internamentos e na duração desses mesmos internamentos.

A teleassistência é cara?

A implementação de qualquer serviço novo e diferenciado implica um investimento inicial. Aqui o importante é ter em vista o valor acrescentado e a poupança que poderá advir destes programas que permitem por exemplo a redução de idas desnecessárias às urgências, libertando os profissionais de saúde para a prestação de cuidados a outros utentes que necessitem desse apoio urgente.

Estes programas possibilitam também a deteção precoce de episódios agudos das patologias, através da telemonitorização, o que permite um melhor acompanhamento do doente, evitando o agravamento destes episódios, resultando assim numa redução do número de internamentos e duração desses internamentos.

Quais são os projetos de teleassistência já implementados em Portugal?

A Administração Central dos Sistemas de Saúde (ACSS) já dispõe, nos últimos anos, de um financiamento para três programas de telemonitorização: telemonitorização da doença pulmonar obstrutiva crónica, telemonitorização da insuficiência cardíaca e telemonitorização do enfarte agudo do miocárdio. Um financiamento para programas que incluem doenças com uma elevada carga assistencial para o SNS. Em locais onde se realiza, já foi possível demonstrar que reduz idas à urgência e internamentos nos doentes telemonitorizados, quando comparado com o ano antes de iniciar o programa de telemonitorização.

Qual a perspetiva para o futuro?

A saúde digital nas suas diversas vertentes é um tema cada vez mais relevante. Várias entidades, desde a Comissão Europeia, aos Governos de cada país até aos próprios hospitais e profissionais de saúde tem demonstrado interesse e planos de ação específicos para implementar diversas soluções. Creio que o ecossistema está criado e nos próximos cinco anos será um tema mais frequente e poderá ser prescrito pelo médico, como é prescrito um medicamento ao doente.

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Saúde: o futuro passa pelos serviços médicos à distância

Qual o papel e o futuro da telessaúde na prestação de serviços médicos? É isso que estará em discussão no Funchal, O patologista Sobrinho Simões é um dos convidados e vai abordar a utilização da patologia digital.

A telemedicina, que engloba diversas formas de prestação de serviços médicos à distância e possibilita, por exemplo a consultas de especialidade à distância entre um centro de saúde e um hospital central, começou a ganhar forma em Portugal há cinco anos.

Em 2013, o Grupo de Trabalho de Telemedicina partia para o terreno e três anos depois dava lugar ao Centro Nacional de Telessaúde, que tinha como plano concretizar a implementação dos serviços de teleconsultoria clínica, telepatologia, teleassistência, rastreio teledermatológico e telessaúde nos serviços de saúde e prisões.

Cinco anos depois, a telessaúde – que está no centro das atenções num congresso que decorre no Funchal, Madeira – continua ser implementada de forma progressiva de norte a sul do país, ilhas incluídas.

«Regista-se ainda alguma resistência à inovação da parte dos profissionais de saúde, nomeadamente de alguns clínicos e da própria Ordem dos Médicos»

Luís Gonçalves, presidente da Sociedade Ibérica de Telemedicina e Telessaúde (SITT), considerado o «pai» da telemedicina, não têm dúvidas da importância desta prestação de cuidados de saúde à distância. «A e-saúde vai obrigatoriamente ser englobada nos sistemas de saúde de forma progressiva», diz à Notícias Magazine, acrescentando que a mesma tem como objetivo fornecer uma saúde de primeira qualidade. «Isso é possível com a diminuição dos tempos de espera, o que aumenta as hipóteses de boas práticas clínicas, nomeadamente no campo da oncologia», explica.

Uma melhor prestação de serviços de saúde aos cidadãos e menos custos com transportes e deslocações. «Para as populações, a mais-valia é a melhoria muito significativa de acessibilidade, melhorando a eficiência e eficácia na prestação de cuidados», diz.

Ainda assim, o responsável nota alguma desconfiança. «Regista-se ainda alguma resistência à inovação da parte dos profissionais de saúde, nomeadamente de alguns clínicos e da própria Ordem dos Médicos, tendo em consideração declarações recentes do senhor bastonário, mas há um crescente apoio da maioria dos profissionais de saúde e das instituições do Ministério da Saúde e privados», diz.

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Funchal recebe fórum sobre telesaúde

Especialistas debatem a prestação de cuidados de saúde à distância.

A segunda edição do Fórum de TeleSalut@, organizado pela Sociedade Ibérica de Telemedicina e Telesaúde (SITT), em parceria com a Ordem dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira vai decorrer entre esta sexta-feira e sábado no Funchal, Madeira. “Vários profissionais da área da saúde vão discutir vários temas, nomeadamente a teleassistência, a telemonitorização, a telepatologia e a telesaúde nas regiões de autónomas”, disse ao Correio da Manhã Luís Gonçalves, presidente da SITT. Segundo o presidente, “a ideia base é fazer uma boa saúde com boas práticas: através da melhoraria da qualidade dos cuidados mas também da acessibilidade, porque qualquer pessoa pode pegar num telefone e fazer uma consulta à distância. Esta é uma ferramenta que pretende melhorar a performance do Serviço Nacional de Saúde, reduzindo o número das listas de espera nas unidades de cuidados de saúde”.

O objetivo do fórum passa por “divulgar a telesaúde, mostrar os benefícios que esta pode trazer, como a poupança em termos de custos, por exemplo, nos transportes”, explicou ao CM o presidente da SITT sublinhando que é “fundamental despertar o interesse de todos os profissionais de saúde – médicos, enfermeiros, farmacêuticos, técnicos, entre outros – para a telesaúde, uma vez que no futuro este será um serviço integrante do SNS, que irá permitir melhorar a acessibilidade das pessoas à saúde, ao longo da sua vida”.

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Os desafios na área da transplantação pulmonar – ATPP como veículo facilitador

Fundada em Março de 2017 no Hospital de Santa Marta, em Lisboa, a Associação de Transplantados Pulmonares de Portugal (ATPP) surgiu para prestar ações de esclarecimento, apoio, defesa e orientação com objetivo de melhoria da qualidade de vida de candidatos a transplante pulmonar, recetores de transplante de pulmonar, suas famílias, cuidadores e amigos.

A ATPP foi criada para preencher uma lacuna existente nesta área da transplantação pois não existe, em Portugal, nada semelhante para transplantados pulmonares. Consideramos estar no momento ideal para a divulgação e promoção desta associação, visto que:

  • O número de transplantados pulmonares tem vindo a aumentar, bem como a taxa de sucesso, muito embora, segundo os relatos médicos, ainda continua a ser a cirurgia de transplantação mais complicada;
  • Persiste ainda muita falta de informação sobre este tipo de transplante, realizado em Portugal mas desconhecido pela generalidade dos portugueses, inclusive pela comunidade dos profissionais de saúde

Assim, a ATPP tem como objetivo a defesa dos direitos dos pré-transplantado e pós-transplantado, garantir assistência médica e medicamentosa (parcialmente) gratuita; transporte e alojamento gratuito adequado em regime de consulta ou tratamentos em ambulatório (caso necessário).

A associação integra já 125 associados, mas quase todos os dias surgem novos associados, e distingue-se por todos os membros fundadores da associação serem pessoas transplantadas, mas com diferentes patologias de base. O primeiro transplante pulmonar realizou-se em 2001, tendo sido feitos até hoje mais de 172 transplantes no Hospital de Santa Marta, em Lisboa, o único centro de referenciação nacional onde se pode realizar esta delicada intervenção.

Todo o processo pré e pós-transplante é trabalho de uma equipa multidisciplinar, que visam a melhoria de qualidade de vida do doente. A ATPP trabalha em conjunto com estas especialidades (Cirurgia Cardiotorácica, Pneumologia, Fisiatria, Enfermagem, Medicina Geral, Fisioterapia, Advocacia e Assistência Social) para promover mais informação e apoio aos candidatos e aos que já foram transplantados.

No pré-transplante, os tempos de espera variam dependendo de vários fatores: o aparecimento de um órgão em bom estado, a verificação da compatibilidade com o doente, a condição do doente, etc. Entre nós, dirigentes da associação, há quem esperou 4 meses e quem esperou 4 anos. Há quem foi chamado uma única vez e foi transplantado e quem foi chamado uma série de vezes até chegar o seu dia. Uns pulmões bons para transplante não têm data ou hora de chegada, o tempo de espera é sempre uma incógnita, o importante é acreditar que a nossa vez vai chegar e tentar viver da melhor forma possível.

Quando chega a nossa vez, e somos transplantados, o processo não termina aí. Dependendo de caso para caso, existem transplantados que em alguns dias já estão a respirar por si e a realizar o levante (sentados no cadeirão), outros têm um tempo superior (semanas ou meses) no isolamento. O tempo médio de obtenção de alta hospitalar é de 3 meses mas cada vez mais com tendência a diminuir. Depois do transplante a pessoa começa a conseguir fazer as suas atividades de vida diárias sem depender de terceiros, melhorando assim a sua qualidade de vida. Ainda assim, é fundamental o doente transplantado tomar precauções por forma a evitar a rejeição, seguindo um plano terapêutico previamente estabelecido pelo médico da Equipa de Transplante, no qual está incluída a medicação imunossupressora, entre outras. Estes fármacos devem ser tomados na dose e na hora indicadas. O doente deve efetuar todos os exames requisitados e ser observado na consulta de transplante pulmonar de acordo com as marcações agendadas.

Após o transplante e depois de um período de reabilitação respiratória poderá regressar a casa, sem alterações muito significativas no estilo de vida: não descurar a higiene pessoal; na alimentação usar pouco sal, açúcar e evitar gorduras, não comer carne ou peixe mal cozinhados; poderá tomar banho no mar e mas deverá evitar as piscinas, sendo fundamental o uso de creme com elevado fator de proteção; praticar exercício físico logo que possível e de forma regular; regressar ao trabalho ou à escola; não fumar. O doente poderá ainda manter o contacto com os familiares e amigos, embora deva afastar-se de quem possa ter doenças infeciosas.

A Reabilitação Respiratória é vital para a recuperação do doente tanto no pós-transplante como no pré-transplantado, pois se no primeiro vai ajudar a expandir o(s) pulmão(ões) e aumentar a capacidade de ventilar aprendendo a respirar de novo; no pré-transplante ajuda a manter a sua capacidade respiratória, aprender a gerir melhor esforço e como lidar com a doença.

Foi neste sentido que no passado dia 18 de outubro, a ATPP assinou um protocolo de colaboração com o Centro de Reabilitação Respiratória – Air Care Centre® da Linde Saúde, que permite melhorar o acesso de doentes à Reabilitação Respiratória. Pretende-se com esta colaboração aumentar a satisfação dos doentes e dos seus familiares, através da disponibilização de um desconto em todos os serviços desde o diagnóstico até ao tratamento no âmbito da Reabilitação Respiratória para todos os associados da ATPP.

A assinatura deste protocolo foi um dos primeiros passos da ATPP, sendo que para o futuro a ATPP pretende: alterar os estatutos da associação para IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social); chegar a todos os transplantados portugueses, quer tenham efetuado a cirurgia em Portugal ou no estrangeiro; criar um “banco” de equipamentos que proporcionem uma maior qualidade de vida aos pré e pós- transplantados; e continuar focados na formação e divulgação sobre transplantação pulmonar nas diversas capitais de distrito; entre outros.

Neste momento as intenções e objetivos são muitos, e já estamos a trabalhar com muita motivação e empenho, para a sua concretização.

Engenheiro Ricardo Pires

Presidente da Direção da ATPP