Respira e Linde Saúde distinguem boas práticas na área da saúde respiratória

No dia 5 de dezembro, às 18h30, no AIR Care Centre, a Associação Respira, em parceria com a Linde Saúde, irá anunciar o lançamento do Prémio Luísa Soares Branco e entregar um certificado de reconhecimento aos Serviços de Pneumologia do Hospital de São Bernardo e do Hospital Vila Franca de Xira, bem como um cheque no valor de 1.000 euros (cada um). Esta iniciativa irá contar com a presença de associados e profissionais de saúde.

“É com muito orgulho e satisfação que iremos anunciar o lançamento do Prémio Luísa Soares Branco, que pretende distinguir e reconhecer as boas práticas na área dos cuidados respiratórios. Para assinalar esta iniciativa queremos reconhecer os Serviços de Pneumologia do Hospital São Bernardo e Hospital Vila Franca de Xira que foram um importante apoio também na realização do I e II Fórum Luísa Soares Branco. Pretendemos ainda com este tipo de reconhecimento evidenciar e reforçar a importância de prestar os melhores cuidados de saúde às pessoas com doenças respiratórias crónicas, numa abordagem mais integrada e proativa, para que tenham uma melhor qualidade de vida”, sublinha Isabel Saraiva, vice-presidente da Respira.

“A criação do Prémio Luísa Soares Branco em conjunto com a Respira, que terá a sua primeira edição em 2019, bem como a atribuição deste certificado de reconhecimento, faz todo o sentido para a Linde Saúde, pois sabemos que com estas iniciativas estamos, não só a reconhecer e premiar as boas práticas na área dos cuidados respiratórios, mas também a dar um novo alento às entidades que, tal como nós, se esforçam todos os dias para oferecer os melhores cuidados aos doentes que acompanham”, destaca Maria João Vitorino, Homecare Business Manager da Linde Saúde.

A espirometria é o teste mais simples e preciso para avaliar a função pulmonar

Em Portugal existem cerca de 800 mil doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), sendo apenas 13% diagnosticados após a realização de uma espirometria. Este teste mede a velocidade e a quantidade de ar que um indivíduo é capaz de inspirar e também expirar. Não é invasivo o que toma a sua realização facilitada e demora cerca de 15 minutos a realizar.

Os médicos devem ter presente a relevância da espirometria e requisitarem este exame, pois muitos doentes não procuram o médico até terem perdido cerca de 50% da capacidade respiratória. Algumas razões para efetuar uma espirometria são: se é ou foi fumador; se sente falta de ar ou necessidade de fazer mais esforço para respirar; se não consegue subir escadas (sem sentir dificuldade em respirar); se sente mais dificuldade ao fazer exercício físico; se deixou de ter capacidade ou se a capacidade diminuiu para praticar desporto; se tem tosse persitente nos últimos anos ou se tem pieira (chiadeira no peito). É essencial difundir o acesso à espirometria através dos cuidados de saúd eprimários (CSP), dado que o número de utentes inscritos com o diagnóstico de DPOC continua com valores muito abaixo dos valores de prevalência conhecidos. Um dos motivos para esta discrepância de números é a difilculdade de acesso à espirometria.

 

É essencial difundir o acesso à espirometria através dos cuidados de saúde primários

 

Neste âmbito, a ARSLVT tem desenvolvido ao longo dos anos a implmentação desta técnica em Unidades de Saúde Familiares e ACES. Desde novembro de 2015 que tem em marcha um projeto para a completa implementação de espirometrias através da constituição de uma rede que pretende colmatar esta falha e alargar o acesso dos exames de função respiratória aos CSP de Lisboa. A importância do diagnóstico precoce está bem patente nos dados recentemente lançados pela DGS, segundo os quais, em Portugal Continental, a DPOC é a segunda causa de mortalidade por patologia respiratória e a terceira principal causa de morte global.

Ana Tavares e Castro, pneumologista CSP Dr. Ribeiro Sanches

Maria Conceição Gomes, Coordenadora do Programa das Doenças Respiratórias ARSLVT

Fundação Portuguesa do Pulmão recomenda espirometrias antes dos 40 anos para alterar a prevalência da DPOC

Por ocasião dia Mundial da Doença Obstrutiva Crónica (DPOC), que se assinala no dia 21 de novembro, a Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP) alerta para a necessidade de se alterar a epidemiologia da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) para diminuir a prevalência da doença grave, a morbilidade e a mortalidade.

Atualmente é aconselhado que a partir dos 40 anos todos os fumadores realizem espirometria – um exame que permite avaliar a função pulmonar –, mas a Fundação Portuguesa do Pulmão considera errado esperar por essa idade, uma vez que os efeitos do tabagismo na perda de função pulmonar são irrecuperáveis, sendo preciso detetar estas alterações o mais precocemente possível, de forma a evitar os casos graves, eventualmente fatais de DPOC.

Estima-se que em 2020 a DPOC seja responsável por mais de 3 milhões de óbitos, sendo a sua principal causa o tabagismo. É importante que a população saiba que os danos do tabaco são irrecuperáveis, é importante que a espirometria seja realizada o mais cedo possível. Os fumadores com DPOC são doentes muito antes de terem algum sintoma, por isso quanto mais cedo realizarem o exame, mais cedo podem deixar de fumar e tratar a sua saúde, alerta a FPP. Temos de olhar para este exame da mesma forma que um cardiologista olha para um eletrocardiograma, como um exame de rotina que deve ser realizado frequentemente para se evitar complicações.

Já nos casos do diagnóstico de DPOC é preciso garantir que estes doentes fazem tratamento de reabilitação respiratória. Uma vez que, apesar de pelas guidelines internacionais este tratamento ser reconhecido como uma intervenção obrigatória, em Portugal apenas 2% da população tem acesso ao mesmo.

Para ver o artigo na íntegra consulte: https://bit.ly/2DFeuRB

Quer deixar de fumar? “É mais fácil do que se está à espera”

Dois ex-fumadores partilham a sua história com a Renascença e deixam dicas para quem está a pensar dar o passo.

“Quando for papá também vou fumar.” Foram estas palavras, proferidas pelo filho de 5 anos, que levaram Miguel Teixeira a avançar para uma vida sem fumo.

“Foi um marco grande. Já tinha pensado em deixar de fumar, mas nunca tinha tentado e quando ouvi aquilo foi um alerta: tenho de fazer alguma coisa à minha vida”, conta à Renascença.

Miguel Teixeira é piloto e tem 30 anos. Começou a fumar aos 13, 14 anos e gostou logo. “Gostei e gosto”, diz. Depois retifica: Gostava…” A verdade é que há momentos em que ainda lhe custa não acender um cigarro. Sobretudo se estiver frio e sol – os dias em que Miguel mais desfrutava dos cigarros. “Isto agora ia saber-me mesmo bem”, pensa nessas alturas.

“Apetece-me fumar e custa-me”, admite. “Mas depois passo e o cheiro já é coisa que me começa a fazer um bocado de confusão, o que é bom.”

Há três semanas que Miguel Teixeira não fuma. “Sinto-me bem. Estou orgulhoso. Principalmente, estou orgulhoso de estar a conseguir”, diz. “Não está a ser fácil, mas é mais fácil do que estava à espera. Pode parecer parvo, mas é assim.”

“Larguem que não é assim tão difícil”

O conselho é de Maria Amélia Costa. Há dois anos que pensava deixar o tabaco, mas só o conseguiu quando lhe foi dito que poderia ter de ser operada a um peito.

“Fui falar com a médica de família para me receitar alguma coisa”, revela. Deixou de fumar com a ajuda de medicação, já lá vão quase seis meses.

“Não foi tão difícil como eu estava à espera”, reconhece. E a suspeita de doença só fez com que se decidisse mais rápido. Isso e o facto de ter perdido um cunhado quatro meses depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro no pulmão. “Isso também conta muito. Acho que ainda foi motivo maior.”

Durante cerca de 35 anos, Amélia fumou sete a oito cigarros por dia. Contas feitas terá fumado mais de 102 mil cigarros. O receio de não conseguir largar e depois ficar a fumar mais inibia-a de tentar deixar o vício.

“Tenho pessoas amigas que tentaram largar e largavam durante algum tempo e depois, quando voltavam, começavam com o dobro dos cigarros, a fumar sempre muito mais. Eu, como nunca fui uma grande fumadora, tinha medo de começar a fumar mais”, conta à Renascença.

Hoje, meio ano depois de ter parado, já não sente qualquer vontade de pegar num cigarro, nem sequer quando está perto de pessoas que fumam.

Sozinho ou acompanhado?

Quer Miguel quer Maria Amélia recorreram a consultas especializadas para conseguirem largar os cigarros. Consultas como as de Rui Alves, especialista em medicina geral e familiar em Lisboa, que acompanha quem quer deixar de fumar.

Na sua opinião, o acompanhamento médico é fundamental no processo, “porque faz-se uma programação muito mais adequada à patologia”.

“Algumas destas pessoas querem deixar de fumar porque têm uma doença. Têm tosse, porque se cansam, porque têm falta de ar, porque acham que tomar a pílula e fumar aumenta os derrames…”, explica o médico à Renascença. “É importante que a pessoa possa discutir todas estas questões do risco de fumar para a sua saúde.”

Depois de uma conversa sobre o estilo de vida de cada doente, “o grande objetivo é ver como mudar alguma coisa”, sendo certo que não se pretende “mudar tudo de uma vez”.

A DGS sugere 15 passos para deixar de fumar. Aqui ficam alguns:

  • Faça uma lista dos motivos que justificam a decisão de deixar de fumar
    • Por exemplo: poupar dinheiro, mais saúde e ar mais saudável, melhorar o aspeto da pele, evitar doenças graves
  • Identifique as situações em que costuma e mais gosta de fumar (deste modo, poderá preparar-se com antecedência para as enfrentar no futuro)
  • Prepare-se para a mudança: leia os motivos que o levam a deixar de fumar, procure atrasar o primeiro cigarro da manhã, espace o intervalo entre cada cigarro, por exemplo.
  • Não pense que nunca mais vai voltar a fumar; pense no dia de hoje e nas vantagens de não fumar
  • Aumente o nível de atividade física – por exemplo, começando a andar mais a pé
  • Melhore a alimentação e coma várias vezes ao dia, mas pouco
  • Guarde num local visível o dinheiro que teria gasto para comprar tabaco

Para ler o artigo na íntegra consulte: https://bit.ly/2TpiNWo

 

Espirometria: o que é, como se faz e para que serve

Falta de ar, tosse, expetoração e sensação de aperto no peito são alguns dos sintomas que podem acompanhar uma doença respiratória. Para diagnosticar uma doença do foro respiratório, há duas condições: avaliar as alterações estruturais, e isso é conseguido através da TAC Torácica, e, tão ou mais importante, avaliar a função respiratória, que se consegue através de um exame muito simples chamado espirometria. A espirometria é um exame que pretende avaliar a função pulmonar através da medição da entrada e saída de ar nos pulmões, da avaliação dos volumes e da força da respiração, da avaliação dos débitos.

A espirometria é utilizada para diagnosticar patologias como Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), asma ou outras doenças que afetam a função pulmonar. Para além do diagnóstico, este exame pode ajudar na monitorização das doenças crónicas do pulmão, de forma a verificar se tratamentos utilizados estão a melhorar a função respiratória.

Aos doentes fumadores, recomenda-se não fumar pelo menos na hora anterior ao exame. Também não é recomendado o consumo de bebidas alcoólicas nas 24 horas antes do exame. Comer em demasia e utilizar roupa muito justa são, também, duas ações não recomendadas, uma  vez que podem alterar os resultados do teste.

Por norma, uma espirometria tem a duração de 15 minutos e é realizada num consultório médico. Durante o exame, o paciente está sentado numa cadeira e é-lhe colocado um clipe no nariz para manter ambas as narinas fechadas e um bocal na boca. Seguidamente o doente deve inspirar profundamente, prender a respiração durante alguns segundos e, por fim, expirar o máximo de ar e o mais rápido que puder para o bocal. Para garantir que os resultados são consistentes, o teste terá de ser efetuado pelo menos três vezes, sendo que pode ser repetido mais vezes se se verificar uma grande variação entre os resultados do teste. As curvas registadas de inspiração e expiração são importantes para validar as provas.

No caso de ser detetada alguma anomalia na função respiratória, esta prova deve ser complementada com uma outra, após a inalação de um broncodilatador. Por norma, o doente deve esperar 15 minutos até que seja realizado um novo teste. No final do segundo teste, o médico irá comparar os dois resultados e irá avaliar qual o efeito do broncodilatador na função pulmonar. Quando a espirometria apresenta alterações, este teste deve ser realizado pelo menos uma vez por ano.

É importante sublinhar que a espirometria é um teste rápido e indolor que possibilita o diagnóstico, avalia a evolução e permite controlar a eficácia da medicação prescrita.

Dr. António Carvalheira Santos, Chefe de Serviço de Pneumologia

O impacto da Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono na saúde cardiovascular

A Síndrome de Apneia obstrutiva do sono (SAOS) é um distúrbio comum, mas subdiagnosticado, sendo caraterizado por episódios recorrentes de obstrução das vias aéreas superiores durante o sono, resultando em pausas respiratórias. Estas pausas respiratórias originam diminuição da saturação de oxigénio no sangue periférico e, por vezes, também, aumento da pressão arterial de dióxido de carbono. Quando estes valores atingem determinado limiar, existem mecanismos de defesa que induzem despertares para que a pausa respiratória tenha um fim e o doente volte a respirar normalmente. Estes despertares repetitivos ao longo da noite causam fragmentação e desestruturação do sono. Assim, este mecanismo protetor, torna-se na causa dos sintomas e das consequências nefastas desta síndrome.
A tríada sintomática típica da SAOS é roncopatia, sonolência excessiva durante o dia e pausas respiratórias testemunhadas durante o sono.
Nem todos os doentes apresentam estes sintomas, podendo o quadro clínico ser mais inespecífico e o doente apresentar diminuição da capacidade de memória ou de concentração, irritabilidade, ansiedade, disfunção sexual, etc.
Os principais fatores de risco de SAOS são a obesidade, pois a gordura ao acumular-se ao nível do pescoço diminui o calibre da via respiratória, tornando mais fácil o seu colapso durante a noite; a genética, pois a amplitude e o calibre desta via é determinado pelos genes que herdamos dos nossos progenitores; o género masculino, de facto os homens têm o dobro da probabilidade de sofrer de SAOS em relação às mulheres; e a idade pois com o avançar dos anos, os tecidos e os músculos à volta da via respiratória tornam-se mais laxos e perdem a capacidade de manter a via aérea patente.
O diagnóstico da SAOS é feito através da realização de estudos polissonográficos, que podem ser realizados no domicílio ou em meio hospitalar, de acordo com o seu grau de complexidade e monitorizam parâmetros respiratórios, cardíacos e, até, eletroencefalográficos. Estes exames permitem avaliar a presença de pausas respiratórias, quantificar o seu número por unidade de tempo e a sua relação com determinadas posturas durante o sono ou com determinadas fases do sono.
A quantificação das pausas respiratórias ao longo da noite, permite-nos graduar a gravidade da SAOS e assim decidir qual o melhor tratamento a instituir. O tratamento mais eficaz e mais usado é o suporte ventilatório noturno com equipamentos que permitem manter uma pressão positiva contínua na via aérea ao longo de toda a noite, impedindo que esta colapse. Estes equipamentos chamam-se CPAP (continuous positive airway pressure) ou APAP (autoadjusting positive airway pressure). Nos casos de doentes que aliam à SAOS a presença de outras doenças respiratórias como a Doença Pulmonar Obstrutiva crónica (DPOC), Asma ou outras, poderá ser necessário usar ventiladores com algoritmos mais sofisticados como os BiPAP (bilevel positive airway pressure).
Existem medidas que diminuem a gravidade da SAOS e que devem ser respeitadas por todos os doentes com SAOS, tais como, controlo ponderal, evitando o excesso de peso; exercício físico regular, para fortalecer os músculos respiratórios, responsáveis por manter o calibre da via respiratória durante o sono; abstenção de tabaco pelo menos 2 horas antes de deitar, abstenção de álcool pelo menos 4 horas antes de deitar e não recorrer a comprimidos para dormir da classe das benzodiazepinas.
É mesmo importante tratar a SAOS, pois além dos sintomas e da má qualidade de vida que esta doença acarreta, aumenta o risco de acidentes de viação e de trabalho devido ao cansaço e à sonolência diurna excessiva que os doentes apresentam. Para além disso, também o risco de doenças cardio e cerebrovasculares como a hipertensão arterial, o enfarte agudo do miocárdio, as alterações do ritmo cardíaco e o Acidente vascular cerebral (AVC) é mais elevado nestes doentes.
Exatamente pelo fato de existirem mecanismos de defesa que acordam os doentes ao fim de alguns segundos em pausa respiratória para que voltem a respirar, é que surgem estes efeitos cardiovasculares e cerebrovasculares. Cada despertar é acompanhado de ativação do sistema nervoso simpático, e consequentemente, de aumento do ritmo e do débito cardíaco e da tensão arterial, o que vem a revelar-se altamente prejudicial para a saúde. Felizmente, o tratamento da SAOS, não só controla os sintomas como também diminui drasticamente os riscos associados a esta doença, nomeadamente os riscos cardio e cerebrovasculares.

Marta Drummond, especialista em pneumologia com grau de consultor, competência em Medicina do Sono pela Ordem dos Médicos e professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto

Das consultas à distância ao controlo de doenças crónicas. A telessaúde está aí

No âmbito do simpósio Telehealth for Chronic Diseases: Integrated Patient-centric Solutions, que teve lugar no 27º Congresso da EAHM – European Association of Hospital Managers, o Diário de Notícias (DN) realizou uma reportagem sobte Telessaúde, no qual partilhou o testemunho de uma doente com insuficiência cardíaca que é acompanhada no recurso à telessaúde. Neste artigo, o DN explora a maneira como a telessaúde se está a implementar em Portugal e quais os desafios que esta nova tecnologia terá de superar para ser o braço direito do SNS.

Desde que recebeu o diagnóstico de insuficiência cardíaca, Maria Celeste deixou “de viver a 200% para passar a viver a 50%”. Uma mudança violenta para alguém que “pensava que era a supermulher”. Teve alguns sustos, passou por vários internamentos. Chegou a dormir com a porta de casa destrancada, com medo de se sentir mal durante a noite. No final do ano passado, o médico que a acompanha no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, propôs-lhe que integrasse um projeto de telemonitorização, que tem vindo a ajudá-la a aprender a viver com a doença. “Ainda não foi preciso, mas, se não me sentir bem ou se os valores justificarem, encaminham-me para o hospital. Agora sinto-me um pouco mais tranquila, e não vou tantas vezes ao médico. É como se tivesse uma enfermeira a monitorizar-me diariamente. E há um serviço de apoio 24 horas por dia”, afirma, destacando que, como vive numa aldeia perto de Mafra, este sistema evita muitas deslocações a Lisboa.

Telemonitorização em oito hospitais públicos

A telemonitorização – que neste ano está a ser desenvolvida em oito hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) – é uma das subáreas da telessaúde, um tema em discussão no simpósio Telehealth for Chronic Diseases: Integrated Patient-centric Solutions, evento integrado no 27.º Congresso da EAHM – European Association of Hospital Managers, que decorreu na sexta-feira no Centro de Congressos do Estoril.

“A implementação da telessaúde está a avançar a um ritmo acelerado e em praticamente todo o território nacional”, adianta ao DN Micaela Monteiro, diretora do Centro Nacional de TeleSaúde (CNTS), que está sob a responsabilidade dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS).

O recurso às tecnologias da informação e da comunicação está a mudar a forma como se presta cuidados de saúde no país. “Através da telessaúde é possível ultrapassar barreiras geográficas, facilitar o acesso a serviços, ter um acompanhamento mais continuado e articulado entre os diferentes níveis de cuidados. Já não é necessário partilhar o mesmo espaço físico para receber cuidados de saúde. Não é apenas mais cómodo para o utente e as famílias, mas também ajuda a reduzir custos em deslocações ou através de uma organização mais eficiente dos recursos disponíveis”, sublinha Micaela Monteiro.

Teresa Magalhães, investigadora nas áreas de sistemas de informação na saúde e responsável pela implementação do primeiro programa integrado de telemonitorização da insuficiência cardíaca no Hospital de Santa Maria, destaca as vantagens desta ferramenta nas doenças crónicas: “Quando atuamos de forma precoce na agudização da doença, evitamos gastos desnecessários com internamentos e idas às urgências. Mas isto não pode ser visto só numa perspetiva económica. Damos mais qualidade de vida aos doentes e reduzimos a mortalidade.” Desta forma, prossegue, o paciente torna-se mais autónomo, aprendendo a lidar melhor com a sua doença, já que passa a reconhecer os sinais.

Teleconsultas em tempo real

Atualmente, exemplifica a diretora do CNTS, existem “teleconsultas em tempo real, em que profissionais e utentes se ligam através de videochamadas; e teleconsultas em tempo diferido, em que, por exemplo, uma imagem de uma lesão cutânea “viaja” por via digital para o especialista no hospital para uma priorização dos casos mais urgentes ou mesmo para resolução das situações menos graves através de recomendações que ajudam o médico de família a tomar as melhores decisões”. Já “no centro de contacto do SNS, SNS 24, os enfermeiros todos os meses atendem em média mais de cem mil chamadas de utentes com dúvidas relativamente a questões de saúde – o que faz deste provavelmente o maior serviço de telessaúde em Portugal”.

Em 2017, registaram-se 28 448 teleconsultas em 18 unidades de saúde em Portugal, de especialidades como dermatologia, cardiologia, cardiologia pediátrica, nefrologia, medicina física e de reabilitação. As consultas de dermatologia, por exemplo, envolvem 24 unidades hospitalares, das quais 14 são centros hospitalares. Nestas consultas, geralmente o doente e o médico de família estão no centro de saúde e o dermatologista está no hospital, que pode ser a dezenas de quilómetros de distância. “Neste momento, o que é preciso é desenvolver a teleconsulta sem intermediário, médico-doente”, sugere Teresa Magalhães.

Embora considere que a telessaúde pode ser um forte aliado do SNS, Teresa Magalhães reconhece que “a falta de literacia na população mais envelhecida é uma barreira” à sua implementação, pelo que é preciso “o envolvimento dos profissionais no ensino aos doentes da sua condição de doença e no que podem beneficiar com este suporte tecnológico”.

Pode ler o artigo completo em http://bit.ly/DiariodeNoticias

O 1.º passo é deixar de fumar, mas não chega. “Saúde respiratória precisa de ser reabilitada”

O alerta é do coordenador do Programa de Reabilitação Respiratória do AIR Care Centre®, António Carvalheira, que no Dia Europeu do Ex-Fumador, que se assinala a 26 de setembro, alerta para o impacto negativo do tabagismo e reforça a importância de os ex-fumadores sintomáticos fazerem Reabilitação Respiratória.

Sabe-se que 85% dos casos de cancro do pulmão e 90% dos casos de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) se devem ao tabagismo. Deixar de fumar é caminhar no sentido de uma vida melhor e mais longa, mas não chega. Mesmo anos depois de apagar o último cigarro, os efeitos do tabaco ficam nos pulmões e é preciso avaliar o impacto, que esse hábito influiu na função pulmonar e tomar as medidas adequadas para que eventual doença associada ao tabagismo não evolua.

Um em cada cinco portugueses maiores de 15 anos fuma e o consumo de tabaco é responsável por 10,6% das mortes. Segundo o relatório “Portugal – Prevenção e Controlo do Tabagismo 2017”, apresentado pela Direção-Geral da Saúde (DGS), morreu uma pessoa a cada 50 minutos, em Portugal, por doenças atribuíveis ao tabaco. O tabaco foi responsável por 46,4% das mortes por DPOC, 19,5% das mortes por cancro, 12% das mortes por infeções respiratórias do trato inferior, 5,7% das mortes por doenças cérebro-cardiovasculares e 2,4% das mortes por diabetes.

“O fumador ou ex-fumador é um doente, mesmo que ainda não tenha o diagnóstico”, alerta António Carvalheira, médico pneumologista coordenador do Programa de Reabilitação Respiratória do AIR Care Centre®, único centro em Portugal exclusivamente dedicado à reabilitação de doentes respiratórios. “Deixar de fumar é um passo muito importante, mas não chega. A saúde respiratória precisa de ser reabilitada”, destaca.

Nesse sentido, o especialista aconselha “todos os fumadores e ex-fumadores a fazer uma Tomografia Computadorizada (TAC) do tórax para avaliar possíveis alterações estruturais nos pulmões e exames para analisar eventuais alterações da função respiratória, como a espirometria ou a pletismografia”. Quando há alterações nestes parâmetros e o ex-fumador tem sintomas como tosse, expetoração e dispneia (falta de ar) “é totalmente recomendado, para além das medidas profiláticas e terapêuticas, a  Reabilitação Respiratória”, sublinha.

O especialista em pneumologia lamenta que em Portugal menos de 2% dos doentes com DPOC tenham acesso à Reabilitação Respiratória, quando este tratamento é obrigatório em 100% dos casos de DPOC sintomáticos, segundo as normas de boas práticas internacionais.

Assente em três pilares fundamentais – controlo clínico, educação e exercício físico – a Reabilitação Respiratória traz benefícios como: a redução dos sintomas de dispneia (falta de ar) e fadiga; a melhoria da capacidade física, para melhor realizar as tarefas do dia a dia; a redução do número de exacerbações e/ou da sua gravidade; a redução das idas ao serviço de urgência, bem como de hospitalizações e até duração das mesmas; a melhoria da qualidade de vida relacionada com a saúde; a melhoria da função emocional; e uma maior capacitação para gerir com maior eficácia a sua doença crónica.

 

Mais sobre AIR Care Centre®

O primeiro Centro de proximidade em Portugal especializado em Reabilitação de doentes respiratórios, fora do meio hospitalar. Este centro assenta a sua intervenção em três pilares fundamentais: avaliação clínica minuciosa e abrangente, treino de exercício físico e educação, complementada com fisioterapia respiratória, intervenção psicológica, acompanhamento nutricional e programa de cessação tabágica. A equipa inter-multidisciplinar do AIR Care Centre® é composta por profissionais experientes e dedicados, incluindo médicos, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, nutricionistas, terapeutas ocupacionais e cardiopneumologistas.

A tele-saúde nas doenças respiratórias crónicas

As doenças respiratórias crónicas, como a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), caracterizam-se por serem de evolução prolongada com declínio da função respiratória, muitas vezes potenciada por períodos em que o estado geral de saúde do indivíduo piora e denominam-se por exacerbações. Estas contribuem negativamente para a evolução da doença, gerando, frequentemente, idas à urgência, hospitalizações e/ou readmissões hospitalares.

O tratamento desta doença tem como objectivo a melhoria sintomática e evitar as complicações e exacerbações do indivíduo, na maior parte das vezes através de fármacos. As recomendações clínicas também sugerem outros tratamentos não farmacológicos, como por exemplo a reabilitação respiratória, a educação e a auto-gestão da doença. Relativamente à primeira, consiste numa intervenção não-farmacológica com bastante evidência científica que suporta a sua recomendação, embora não esteja, actualmente, disponível de uma forma massificada como seria desejável. As outras duas formas de intervenção (educação e auto-gestão) são recomendadas para os indivíduos com a DPOC, potenciando a utilização correcta dos seus fármacos, no reconhecimento dos sinais e sintomas da doença e no planeamento, muitas vezes, em conjunto com o profissional de saúde, de estratégias de actuação perante uma exacerbação. Aqui entra a tele-saúde para facilitar o acompanhamento dos indivíduos com DPOC à distância, que consiste na aplicação de tecnologias para ajudar os doentes a gerir as suas próprias doenças através da melhoria das suas capacidades de auto-cuidados e do acesso à educação e aos sistemas de apoio1.

Existem variadas formas de tecnologia associada à tele-saúde na DPOC, destacando-se a monitorização de parâmetros fisiológicos (oximetria de pulso, frequência cardíaca, frequência respiratória, peso, temperatura corporal e pressão arterial), monitorização da actividade física e pesquisa de sinais e sintomas, bem como da adesão à terapêutica farmacológica (através de questionários via smartphone/tablet ou através de contacto telefónico directo). Este conjunto de tecnologias, utilizado de forma integrada poderá permitir o reconhecimento precoce de exacerbações. Somente a recolha de parâmetros não adiciona nada de novo, é necessário recolher informação sobre a sintomatologia, com o apoio de um profissional de saúde à distância. Os indivíduos com DPOC, em alguns casos, podem ter dificuldade em distinguir o que é uma variação diária, normal, dos seus sintomas, daquilo que é realmente um sintoma precoce de exacerbação. Assim sendo importa incluir a componente humana na equação da tele-saúde: É necessário a avaliação à distância de um profissional de saúde, sempre que possível.

Sabemos que a evolução tecnológica recente tem tido incrementos exponenciais, sobretudo na área da inteligência artificial. Na área da saúde ainda são tímidos os passos mas, recentemente, um estudo2 publicado no Journal of Medical Internet Research, realizado por uma equipa de investigadores da Universidade de Sheffield, demonstrou que, em 135 doentes com DPOC, utilizando a técnica de machine learning, foi possível demonstrar que, para a amostra em estudo, esta técnica de predição consegui ser superior a identificar exacerbações e necessidade de medicação (corticosteróides). Este tipo de inteligência artificial, permite utilizar algoritmos para recolher dados, aprender com eles e fazer uma previsão de acontecimentos, neste caso exacerbações da DPOC, personalizadas a cada indivíduo, reconhecendo a variabilidade sintomática inter-indivíduos.

Ainda existe, como é óbvio, um longo caminho a percorrer, de forma a ter um modelo integrado e inovador de tele-saúde para a DPOC. Entretanto e à luz das principais recomendações clínicas para o tratamento da DPOC, no campo das terapêuticas não-farmacológicas, a integração de cuidados com a tecnologia, de forma a potenciar a auto-gestão da doença e os auto-cuidados, é cada vez mais possível e acessível através da tele-saúde.

João Tiago Pereira, gestor de produto da Linde Saúde

 

1-Kvedar J, Coye MJ, Everett W. Connected health: a review of technologies and strategies to improve patient care with telemedicine and telehealth. Health Aff (Millwood) 2014; 33: 194–199.
2- Orchard P, Agakova A, Pinnock H, Burton CD, Sarran C, Agakov F, McKinstry. Improving Prediction of Risk of Hospital Admission in Chronic Obstructive Pulmonary Disease: Application of Machine Learning to Telemonitoring Data. Journal of Medical Internet Research. (forthcoming/in press)

O doente com Fibrose Pulmonar Idiopática

A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é uma doença de causa desconhecida, consistindo numa progressiva acumulação de tecido danificado nos pulmões, podendo-se encarar este processo como o resultado de deficiente cicatrização pulmonar perante agressões diversas, embora não cabalmente identificadas, mas dentro das quais o tabaco será um dos mais relevantes fatores.

A FPI é uma doença progressiva e que surge habitualmente entre os 60 e os 70 anos de idade, sendo mais frequente no sexo masculino.

Inicialmente as queixas são muito discretas, pelo que, aparecendo esta doença maioritariamente em fumadores, são muitas vezes desvalorizadas ou confundidas com doença das vias aéreas ou doença cardíaca. Esta é uma das causas para o atraso no diagnóstico, o que pode condicionar a evolução da doença sem o correto encaminhamento.

A falta de ar que se vai instalando, inicialmente apenas em esforço, acompanhada de tosse seca e irritativa, são os principais sintomas da doença.

O diagnóstico é efetuado principalmente com realização de uma TAC do tórax, não sendo necessário atualmente, na maioria das situações, o recurso a biópsia para obtenção de tecido pulmonar.

 

Não havendo cura para a FPI, existem tratamentos disponíveis, as chamadas moléculas antifibróticas, que podem abrandar o desenvolvimento do processo de cicatrização nos pulmões e assim atrasar a progressão da doença, daí a necessidade de um diagnóstico o mais atempado possível.

Também existem opções terapêuticas disponíveis com potencial de controlo dos sintomas como a tosse. A reabilitação pulmonar é outra das atitudes terapêuticas obrigatórias, estimulando os doentes a realizar exercício dentro dos limites das suas capacidades funcionais. Finalmente, a oxigenoterapia pode tornar-se imprescindível para os doentes com FPI mais avançada.

É também fundamental que os doentes possam receber e procurar informação que os ajude a entender o seu problema clínico e que lhes forneça formação na gestão da doença. A informação online é hoje uma ferramenta indispensável, mas é imprescindível uma relação próxima e constante entre o doente e os profissionais de saúde.

 

Carlos Robalo Cordeiro, professor catedrático de Pneumologia da Faculdade de Medicina de Coimbra e diretor do Serviço de Pneumologia A do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra