Espirometria: Saiba tudo sobre o exame essencial para a saúde dos pulmões

A espirometria é um exame simples e indolor que permite avaliar a função respiratória.

Este teste, conjuntamente com a imagem fornecida pela TAC torácica são essenciais para o esclarecimento do órgão chamado pulmões.

Quando fazer uma espirometria?

– Se tiver sintomas como tosse, pieira ou falta de ar ao fazer esforços;

– Se fuma ou já fumou nalgum momento da sua vida;

– Se tem uma doença respiratória diagnosticada. Nestes casos, o estudo é realizado periodicamente;

– Se realiza atividades de trabalho relacionadas com inalação de fumo, minério, indústria têxtil, química, metalúrgica, madeireira, entre outras;

– Se vai fazer uma cirurgia;

– Se vai começar a praticar desporto.

Leia o artigo completo em Notícias ao Minuto.

Ex-fumadores: Vencedores incontestáveis

No dia do Ex-Fumador, Alfredo Martins, Internista e Coordenador do NEDResp partilhou com o Notícias ao Minuto um artigo de opinião sobre o tema.

A Maria Isabel tem 46 anos e é, há nove anos, uma ex-fumadora de mais de 20 cigarros por dia durante cerca de 20 anos. Continua a marcar uma consulta por ano e, em cada consulta, eu continuo a felicitá-la, com grande entusiasmo, por ter deixado de fumar em definitivo.

“E o prazer que sentia com o cigarro na mão, ao acendê-lo, o cheiro a tabaco queimado? Nada substituiu, nem me faz esquecer esse prazer”. 

O tabaco contribui significativamente para as principais causas de morte no mundo (doença isquémica cardíaca; doença vascular cerebral; doença pulmonar obstrutiva crónica; pneumonia; cancro do pulmão; diabetes mellitus; tuberculose), e mais de metade dos fumadores morrem por doença relacionada com o consumo do tabaco. É conhecido que os fumadores vivem em média menos cerca de 11 anos que os não fumadores e que o seu risco de morrer até aos 60 anos é 6 por cento superior, até aos 70 anos é 15 por cento superior e até aos 80 anos 32 por cento superior ao dos não fumadores.

Fumar aumenta a probabilidade de desenvolver doenças crónicas que prejudicam a qualidade de vida, como doença respiratória crónica (bronquite crónica; enfisema pulmonar; doença pulmonar obstrutiva crónica; bronquiectasias), doença cardiovascular crónica (insuficiência cardíaca; insuficiência arterial periférica), doença cerebral (acidente vascular cerebral; demência), doenças da boca (gengivites; periodontites; cáries; perda de dentes; alteração da coloração dos dentes), osteoporose, diminuição e perda de visão, envelhecimento precoce da pele, redução da fertilidade feminina e impotência. O tabaco aumenta o risco de cancro respiratório (nariz; garganta; pulmão), digestivo (esófago; estômago; pâncreas; fígado; cólon), ginecológico (colo do útero; ovário), urinário (bexiga; próstata; rim; ureter) e da medula óssea.

Para ler o artigo completo: https://bit.ly/2mTfzPI

Fisioterapia_Respiratória_Reabilitação

Fisioterapia Respiratória: As indicações e os benefícios

Artigo de opinião de Paulo Abreu, Fisioterapeuta e Clinical Development Manager do AIR Care Centre, publicado no Sapo Lifestyle.

A Fisioterapia fornece serviços a indivíduos e populações com a finalidade de desenvolver, manter e restaurar a máxima capacidade para o movimento e funcionalidade, ao longo de todo o ciclo de vida. Isto inclui serviços em circunstâncias em que o movimento e função estão ameaçados pelo envelhecimento, lesão, dor, doenças, condições ou fatores ambientais (World Confederation for Physical Therapy, 2011).

A Fisioterapia respiratória (componente da área da Fisioterapia cardiorrespiratória) diz respeito à intervenção do fisioterapeuta nas condições do foro respiratório, com doença ou em risco de a desenvolver, prestando assim cuidados no âmbito da prevenção, tratamento, habilitação e reabilitação.

A Fisioterapia respiratória deve ser oferecida a doentes com doenças respiratórias agudas (críticas e não críticas) ou crónicas, cujos objetivos sejam:

  • A melhoria/controlo dos sintomas (dispneia, fadiga, dor);
  • A limpeza das vias aéreas;
  • A melhoria das trocas gasosas;
  • O aumento da força e resistência muscular;
  • O aumento da tolerância ao esforço e capacidade para o exercício;
  • A melhoria da capacidade para realizar as atividades do dia-a-dia;
  • O aumento da eficácia na auto-gestão da doença e no auto-cuidado;
  •  A redução da ansiedade e stress;
  • A prevenção de infeções respiratórias;
  • O aumento dos níveis de atividade física;
  • A melhoria da qualidade de vida relacionada com a saúde;
  •  Promover a adesão a comportamentos para melhoria/manutenção da saúde (ex. realização de atividade física de forma regular, não fumar ou deixar de fumar).

Para atingir estes objetivos, ou contribuir para eles, o fisioterapeuta na área respiratória utiliza técnicas e treinos específicos e intervém em vários contextos de prática desde o hospital (cuidados intensivos, serviço de urgência, enfermarias, serviço de MFR), comunidade (centros de reabilitação, unidades privadas de Fisioterapia, clínicas, Cuidados Saúde Primários, Unidades de Cuidados Continuados e de Cuidados Paliativos, Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), ginásios), até ao domicílio.

Pelas suas competências específicas o fisioterapeuta respiratório é um elemento fundamental nas equipas multi-interdisciplinares de Reabilitação Respiratória, cuja evidência dos benefícios está claramente demonstrada nos doentes com DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica) e também com bons resultados noutras doenças como as bronquiectasias, doenças do interstício (ex. fibrose pulmonar idiopática), asma, sequelas de tuberculose, fibrose quística, doenças neuromusculares, doentes pré e pós-transplante pulmonar, cancro do pulmão (ex. pré e pós-cirurgia e a realizar quimioterapia e radioterapia), pré e pós cirurgia abdominal, obesidade, hipertensão pulmonar, entre outras.

A Reabilitação Respiratória (RR) é uma intervenção abrangente, multi-interdisciplinar, dirigida aos doentes respiratórios crónicos, realizada por uma equipa que inclui vários profissionais de saúde (médico, fisioterapeuta, enfermeiro, psicólogo, nutricionista, terapeuta ocupacional, entre outros), baseando-se numa avaliação, que permite elaborar um programa de reabilitação individualizado, que inclui, mas não se limita, ao treino de exercício físico, educação e mudança de comportamentos desenhados para melhorar a condição física e psicossocial e promover a adesão a longo prazo de comportamentos promotores de saúde.

Os benefícios da RR comprovados são:

  • O aumento da tolerância ao esforço;
  •  A melhoria da capacidade funcional para as tarefas diárias;
  •  A redução dos sintomas (dispneia, tosse, expetoração)
  •  A redução da ansiedade e depressão;
  •  A diminuição do número de exacerbações e da sua gravidade;
  •  Uma recuperação mais rápida após uma exacerbação;
  • A diminuição do número de idas às urgências, hospitalizações e tempo de hospitalização;
  • A melhoria da qualidade de vida relacionada com a saúde;
  • Um maior bem-estar emocional e social;
  • Uma maior eficácia do doente e familiares/cuidadores na auto-gestão da doença.

Estes benefícios não se traduzem apenas em melhorias de saúde para os doentes, como também numa redução de custos diretos e indiretos com a saúde para o estado, seguradoras, doente e famílias.

A RR pode ser realizada em diferentes locais (hospitalar, centros especializados, comunidade – cuidados saúde primários e centros de reabilitação, domicílio) sendo cada um deles adaptado para doentes com diferentes graus de gravidade e complexidade. O contexto hospitalar deve preferencialmente destinar-se a doentes mais graves que requerem mais meios de avaliação e controlo, e equipas especializadas. A reabilitação na comunidade destina-se a doentes menos graves e doentes para manutenção de resultados pós Programa de Reabilitação Respiratória (PRR). A RR no domicílio (acompanhado por fisioterapeuta presencialmente, telerreabilitação ou um sistema misto) deve ser reservada para os doentes que têm dificuldade de acesso a locais onde existam programas de RR (ex. dificuldades na deslocação, condição de saúde débil), podendo ser também uma boa forma de manter os resultados de um PRR realizado no hospital ou centro especializado.

A RR é uma intervenção custo-efetiva, com benefícios comprovados para o doente respiratório, sendo importante aumentar a sua acessibilidade que é atualmente muita reduzida, em particular no contexto comunitário, que abrange a maioria dos doentes respiratórios crónicos que necessitam de RR. A Fisioterapia respiratória e o profissional habilitado para a executar, o fisioterapeuta, são elementos fundamentais que contribuem para a melhoria da condição de saúde do doente respiratório (aguda ou crónica) nas suas várias dimensões (física, psíquica e social), seja integrado numa equipa multi-interdisciplinar de RR ou num contexto de prática mais direto não enquadrado no conceito de Reabilitação Respiratória.

Paulo Abreu
Fisioterapeuta e Clinical Development Manager do AIR Care Centre – Centro de Reabilitação Respiratória da Linde Saúde

Alergias respiratórias: 6 Mitos e Verdades

O número de crianças e adultos com alergia respiratória, manifestada por asma, rinite e/ou conjuntivite alérgica, tem vindo a aumentar nos últimos anos, e esse crescimento está associado a fatores genéticos e ambientais, tais como o estilo de vida e o tipo de alimentação característico dos países desenvolvidos.

A alergia é uma reação exacerbada do sistema imunológico ao entrar em contato com determinadas substâncias da natureza chamadas de alergéneos, tais como como ácaros, pó doméstico, fungos, epitélios de animais e pólen. 

Frequentemente, surgem dúvidas em torno das alergias respiratórias por parte dos próprios doentes ou por parte dos pais cujos filhos sofrem deste problema. A rinite alérgica, a asma, a sinusite e a bronquite lideram o top das doenças que costumam acarretar mais questões

Substâncias que habitualmente são inofensivas para a maioria da população, podem ser os piores inimigos de quem sofre de alergia. Com o Verão a aproximar-se do fim e com o Outono à vista, altura em que muitas alergias se manifestam, torna-se importante abordar alguns mitos e verdades sobre as alergias:

1 – O ar condicionado é prejudicial à saúde dos alérgicos: MITO

Muitas pessoas afirmam que o ar condicionado é um fator que potencia a ocorrência de alergias respiratórias, mas essa afirmação é um mito. Os aparelhos de ar condicionado utilizam, atualmente, tecnologia avançada, não sendo responsáveis por desencadear alergias. O que muitas vezes pode ocorrer é que, a alergia surja pela falta de manutenção e acumulação de pó nos filtros dos aparelhos, sendo, por isso, fundamental manter o aparelho limpo para que não haja interferências na saúde.

2 – As pessoas alérgicas podem praticar desporto: VERDADE

A prática da atividade física não só é permitida, como também aconselhada, desde que haja uma orientação correta. Nalguns casos, esta prática contribui inclusive para ultrapassar as crises alérgicas pois leva a um aumento da atividade respiratória e porque possui um efeito anti-inflamatório. Sugere-se que a pessoa com alergia aborde esta questão previamente com o médico assistente de modo a evitar a prática incorreta, como por exemplo, iniciar uma atividade aeróbica num dia seco e de muito calor.

Muitas vezes, pessoas diagnosticadas com asma, acreditam que o único desporto que lhes é permitido praticar é a natação. No entanto, nenhuma atividade física é recomendada caso a doença não esteja controlada.

3 – As crises alérgicas, gripes e constipações são iguais: MITO

A ideia de que não é possível distinguir gripes e constipações das crises alérgicas é bastante comum, no entanto, trata-se de um mito. Apesar de alguns sintomas coexistirem nos três casos, como nariz entupido, tosse e espirros, alguns sinais são exclusivos das doenças virais.

No diagnóstico diferencial, existem sintomas como dores no corpo, fraqueza e dor de garganta, que não ocorrem durante uma crise alérgica.

4 – A alergia respiratória é considerada uma doença crónica: VERDADE

A asma, bronquite, sinusite e rinite são doenças inflamatórias crónicas das vias respiratórias. As crises que advêm são ocasionadas pela exposição recorrente a substâncias alergénicas. 

Ao tratar-se de uma doença crónica significa que a mesma não possui cura, mas é possível haver um controlo e conviver com a condição mantendo a qualidade de vida.

5 – Anti-histamínicos dão sono: MITO

Este é um pensamento comum porém não é totalmente verdadeiro. É um facto que pode acontecer com certos medicamentos, mas não é uma regra. Os primeiros medicamentos que surgiram para controlar a alergia provocam sonolência. No entanto, existem no mercado alternativas mais recentes que não têm esse efeito secundário. Aconselhar-se com um profissional de saúde acerca da melhor opção é fundamental.

6 – Os purificadores de ar podem evitar as crises alérgicas: VERDADE

Embora não seja do conhecimento de todos, os purificadores de ar são importantes aliados para pessoas que sofrem de alergias respiratórias. Atualmente, existem no mercado equipamentos que contam com tecnologia de ponta que pode ser utilizada na remoção de ácaros, pêlos de animais e outros alergéneos do ambiente.

Tem Asma? Neste Verão, siga estes conselhos:

A asma é uma doença frequente, crónica e que pode manifestar-se em todas as idades e em todas as alturas do ano. Esta é provocada por diversos estímulos, como ácaros do pó, pólenes ou poluentes atmosféricos, que causam uma inflamação das vias respiratórias e provocam dificuldade em respirar. Os principais sintomas associados à asma são:

  • Respiração ruidosa (conhecida como pieira)
  • Dificuldade em respirar (dispneia)
  • Opressão torácica
  • Tosse, especialmente à noite

Apesar de o Inverno ser a estação do ano durante a qual  as exarcebações desta doença são mais frequentes, não devemos esquecer-nos que no Verão uma pessoa com asma está exposta a algumas situações de risco que precisam de atenção. Abaixo partilhamos alguns cuidados a ter nos meses mais quentes para manter a asma controlada:

  1. Controlar a temperatura do ar condicionado – em verões muito rigorosos é muito frequente que se liguem os ares condicionados, seja em casa ou no carro. No entanto há que ter em atenção que a passagem de um ambiente quente para um ambiente exageradamente frio pode ser prejudicial para as pessoas que sofrem de asma, uma vez que as mudanças bruscas de temperatura podem desencadear crises respiratórias. Para além disso, o ar condicionado reduz a humidade presente no ar, o que leva à irritação das vias respiratórias.
  2. Ter cuidado com os mergulhos na piscina e/ou em alto mar – é vulgar ouvir-dizer  que quem sofre de asma não pode entrar na piscina, nem mergulhar no mar, o que não é correto. Uma pessoa com asma pode estar na piscina desde que tenha cuidado com o cloro, especialmente se frequentar piscinas fechadas, pois o cloro irrita as vias respiratórias. Relativamente aos mergulhos em alto mar é necessário ter atenção redobrada, pois se a asma não estiver controlada e a água for fria, pode desencadear-se uma crise asmática.
  3. Praticar exercício físico em horas de menor concentração de pólenes – uma pessoa com a asma controlada consegue praticar exercício físico sem qualquer restrição, no entanto no verão é necessário ter alguns cuidados redobrados. Devido a uma maior incidência da luz solar, existe uma concentração maior do níveis de ozono, que é altamente irritante para os brônquios e vias respiratórias, aumentando as crises asmáticas. Desta forma, aconselha-se a prática de exercício físico durante o período da manhã.
  4. Ter a casa sempre arejada – nesta altura do ano é frequente que passemos muito mais tempo fora de casa devido às férias  ou ao bom tempo que nos leva a passar muito tempo na rua. É muito importante que tenha sempre a casa arejada, para evitar a acumulação de poeira e mofo, que desencadeiam crises de asma frequentes. Recomenda-se, ainda, o uso de produtos de limpeza sem aromas muito fortes, pois estes também podem desencadear uma crise. Aproveite os dias de sol para abrir as janelas e deixar o ar puro entrar.

Para além disto é importante não esquecer a realização correta do tratamento farmacológico indicado para a asma, pois é este que permite o controlo da doença e um estilo de vida sem restrições. Se vai de férias não se esqueça do seu kit de tratamento de manutenção e de SOS.

Reabilitação Respiratória é fundamental no tratamento do cancro do pulmão

Artigo de opinião de António Carvalheira Santos, médico Pneumologista e Coordenador do Programa de Reabilitação Respiratória do AIR Care Centre, publicado no Notícias ao Minuto.

O cancro do pulmão é uma das principais causas de mortalidade e morbilidade em todo o mundo. A nível mundial e segundo dados de 2018 da Agência Internacional para a Pesquisa do Cancro (dados de 185 países e 36 tipos de cancro), a mortalidade por cancro do pulmão ocupa o primeiro lugar destacado com 18,4%, seguido do cancro coloretal com 9,2%, cancro do estômago com 8,2%, fígado com 8,2% e cancro da mama com 6,6%. Estima-se que em 2018 tenham sido diagnosticados 5200 novos casos de cancro do pulmão no nosso país, 4000 homens e 1200 mulheres, segundo dados da Agência Internacional de Observação da Doença Oncológica (Globocan 2018). Em Portugal, o cancro do pulmão é o 4º em incidência, após coloretal, mama e próstata, mas o primeiro em mortalidade.

O tabagismo é um reconhecido fator de risco de cancro do pulmão, consequentemente muitos destes doentes têm Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) associada. Fumar é a primeira causa evitável de doença, incapacidade e morte prematura nos países mais desenvolvidos, contribuindo para seis das oito primeiras causas de morte a nível mundial.

As opções terapêuticas têm evoluído muito nos últimos anos, o que tem permitido conseguir proporcionar tratamentos mais eficazes e de maior tolerabilidade, favorecendo uma maior sobrevida com maior qualidade de vida. Novos fármacos estão a revolucionar e entusiasmar doentes, família e profissionais de saúde para passo a passo darmos ao nosso doente mais vida com qualidade. Graças às novas terapêuticas e à Reabilitação Respiratória, as pessoas com cancro do pulmão conseguem cada vez mais ter uma vida ativa e com qualidade.

O tratamento é definido de acordo com as características de cada caso e de acordo com o estadio do cancro do pulmão que o doente tem. Cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e novas terapêuticas biológicas, qualquer destas isoladas ou associadas entre si e sempre aliadas à melhor terapêutica de suporte, constituem as principais armas no tratamento do cancro do pulmão.

A Reabilitação Respiratória deve fazer parte integrante do plano terapêutico do doente respiratório e o cancro do pulmão não é excepção. O Colégio Americano de Médicos Pneumologistas refere mesmo que o controlo dos sintomas no cancro do pulmão é tão importante como o tratamento do próprio cancro.

Numa fase mais precoce da doença, a Reabilitação Respiratória ajuda a otimizar a capacidade funcional (respiratória, muscular e cardíaca), devendo ser aplicada no pré e pós-operatório, para uma recuperação mais fácil e adequada, permitindo ao doente voltar o mais rapidamente possível à sua vida diária sem limitações.

No pós-operatório a Reabilitação Respiratória é obrigatória para aumentar a expansão pulmonar e impedir aderências pleurais. Nas sessões de Reabilitação Respiratória fazem também parte técnicas de higiene brônquica e de exercício.

Nas fases mais avançadas da doença, quando se aplicam terapêuticas como a quimioterapia, a imunoterapiaou a radioterapia, o programa de Reabilitação Respiratória pode ser aplicado em simultâneo, sempre adaptado ao estado do doente, para melhorar a capacidade respiratória e diminuir sintomas como fadiga e dispneia(falta de ar), ao mesmo tempo que promove a melhoria da capacidade funcional e muscular.

Existem estudos que identificam uma prevalência de 80% de fadiga relacionada com o cancro em doentes sob quimioterapia e/ou radioterapia, já que estas terapêuticas diminuem a capacidade de entrega/utilização do oxigénio durante o esforço, contribuindo para a intolerância ao exercício.

As modalidades de intervenção são múltiplas, nomeadamente com exercício aeróbico através do uso de bicicleta, tapete rolante, marcha e treino de escadas, treino de força, de relaxamento e sessões educacionais.

Para além dos benefícios físicos, a Reabilitação Respiratória tem também benefícios psicológicos, uma vez que traz mais segurança e dá ferramentas aos doentes para lidar com o medo de ter dor ou falta de ar. A convivência que proporciona entre doentes e profissionais de saúde faz com que as sessões de Reabilitação Respiratória se tornem muitas vezes numa motivação extra durante o tratamento da doença oncológica.

Dr. António Carvalheira Santos

Um programa de Reabilitação Respiratória assenta em três pilares: controlo clínico, treino de exercício e educação. Esta intervenção é sempre adaptada às necessidades de cada doente, em cada momento específico da sua doença e do seu tratamento. É indispensável o apoio de uma equipa multi e interdisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais.

O AIR Care Centre®, criado em 2014, é o primeiro centro em Portugal exclusivamente dedicado à Reabilitação Respiratória fora do meio hospitalar e que junta uma equipa multi e interdisciplinar de profissionais de saúde experientes a excelentes condições de espaço físico e equipamentos para um processo completo de reabilitação.

Associação Respira e Linde Saúde lançam prémio para homenagear presidente e premiar saúde respiratória

A Associação Respira, com o apoio da Linde Saúde, criou o Prémio Luísa Soares Branco, numa homenagem à primeira presidente da associação que apoia doentes respiratórios. Em entrevista ao Saúde Online, a Dra. Isabel Saraiva, vice-presidente da Associação Respira explica em que é que constiste este prémio, quem se pode candidatar e a importância de prestar os melhores cuidados a todos os doentes respiratórios.

1- Qual é o objetivo do Prémio Luísa Soares Branco?

O Prémio Luísa Soares Branco, no valor de 2.500 euros, destina-se distinguir instituições que se destaquem na prestação de serviços e cuidados de saúde a doentes respiratórios crónicos, em especial a pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). É uma parceria com a Linde Saúde, de âmbito nacional (incluindo as Regiões Autónomas) e terá uma periocidade bienal. As candidaturas estão a decorrer até 30 de setembro e as inscrições podem ser feitas através do site da Respira. O Prémio, e possível menção honrosa, será entregue no âmbito do Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, a 20 de novembro deste ano.

2- Quem se pode candidatar a este prémio?

Podem-se candidatar a este prémio Instituições públicas e privadas – hospitais, clínicas, centros de reabilitação entre outras, que trabalhem na área da saúde respiratória.

3- Que requisitos deve cumprir uma candidatura?

As candidaturas deverão indicar as informações necessárias, entre as quais destacamos: dados sobre os profissionais de saúde que trabalham no serviço, os equipamentos disponíveis, número de doentes tratados, relacionamento com Associações de Doentes. A ficha de inscrição está disponível no site da Respira: http://www.respira.pt/Default.aspx#/PremioLSB/Candidatura

4- Quem faz parte do júri deste prémio?

O júri é composto pela Eng.ª Maria João Vitorino, Homecare Business Manager, e Dr. João Tiago Pereira, Sénior Product & Business Development Manager, ambos representantes da Linde Saúde, José Albino, presidente da Associação RESPIRA, Professora Dra. Cristina Bárbara, Dr. João Munhá e Dra. Paula Simão em representação de três serviços de pneumologia de hospitais portugueses. O júri será presidido pelo Professor Dr. Carlos Robalo Cordeiro, pneumologista e secretário-geral da Sociedade Europeia de Pneumologia.

Para ler a notícia na íntegra consulte: https://bit.ly/2FtHY4Y

Eis os principais benefícios da Oxigenoterapia

oxigenoterapia consiste na administração de oxigénio, mediante prescrição médica, a doentes no seu domicílio, de forma a prevenir ou tratar a carência de oxigénio no sangueO tratamento regular com oxigénio está indicado para o tratamento da insuficiência respiratória crónica e os estudos revelam que pode melhorar tanto a qualidade de vida como a longevidade das pessoas que sofrem de Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).  

A DPOC é uma doença pulmonar grave e bastante incapacitante que afeta 800 mil pessoas no nosso país. Esta doença progressiva afeta os brônquios e os pulmões (bronquite e enfisema), provocando sintomas iniciais como tosse e expetoração, e outros mais avançados como cansaço e dispneia (sensação de falta de ar) ao mínimo esforço.  

Através da oxigenoterapia de longa duração as pessoas com DPOC e com insuficiência respiratória crónica têm menos falta de ar (dispneia) e cansaço e conseguem realizar com mais facilidade as suas atividades diárias. Segundo reportam estudos recentes, a oxigenoterapia de longa duração também pode reduzir o número de internamentos em pessoas com DPOC, uma vez que mantém o estado-geral do doente mais controlado e garante a oxigenação do sangue.  

Desde o primeiro dia que adesão ao tratamento, por mais de 15 horas por dia, é muito importante para que os doentes possam ter os efeitos benéficos da oxigenoterapia. Sobretudo à noite, é muito importante não descurar a utilização do oxigénio, para garantir a correta oxigenação e prevenir riscos de exacerbação da doença. 

Desenhada à medida do estado de saúde e das necessidades de cada doente, de acordo com indicação médica, a oxigenoterapia no domicílio pode ser realizada através de diferentes equipamentos, nomeadamente o concentrador de oxigénio para extrair o oxigénio do ar envolvente; oxigénio medicinal em cilindros de alta pressão como backup do concentrador de oxigénio e oxigénio medicinal líquido de modo a permitir o armazenamento de grandes quantidades de gás, na casa do doente. 

Além de um precioso auxílio no dia-a-dia, reduzindo a falta de ar e o cansaço que surgiam associados às tarefas mais básicas, e de um promotor da saúde e do bem-estaroxigenoterapia também é a companhia ideal na atividade física e nas sessões de Reabilitação Respiratória, ambas fundamentais no tratamento da DPOC e na promoção da longevidade. 

“MENOS DE DOIS POR CENTO DOS DOENTES COM DPOC TEM ACESSO A PROGRAMAS DE REABILITAÇÃO RESPIRATÓRIA. A MÉDIA EUROPEIA RONDA OS 30%” – Entrevista Maria João Vitorino

À cabeceira do doente, na sua casa. É com esta proximidade que a Linde Saúde opera em Portugal, disponibilizando os seus produtos e serviços a perto de 70 mil doentes. De acordo com a Homecare Business Manager da Linde Saúde, Maria João Vitorino, esta é “uma relação de grande proximidade e, na maior parte dos casos, de longa duração”, onde a segurança e a capacitação são os valores-chave para o sucesso.

JORNAL MÉDICO (JM) | Qual é o posicionamento da Linde Saúde dentro do grupo Linde Portugal?
MARIA JOÃO VITORINO (MJV) | Temos três entidades legais em Portugal. Uma delas é a Linde Saúde que é “inquilina”, em Lisboa, da Linde Portugal. A Linde Portugal é a empresa que se dedica à produção e comercialização de gases industriais e farmacêuticos e a Linde Saúde à prestação de cuidados de saúde no domicílio. Estamos na parte Oriental de Lisboa – Olivais/Cabo Ruivo – desde os anos 40 do século passado, altura em que esta zona era mesmo só olival. Fomos crescendo e, atualmente, produção de gases está na zona de Alenquer.

JM | Por que filosofia se rege e que valores norteiam o negócio Homecare da Linde Saúde?
MJV | No grupo Linde PLC – designação que assumimos após a fusão com a Praxair –, a filosofia que nos rege é baseada na partilha e na vivência da nossa missão e dos nossos valores e na forma como conseguimos transmitir aos nossos cerca de 80 mil colaboradores, em cerca de 100 países, essa cultura comum. Os valores são sempre uma forma de expressarmos as prioridades que temos e que queremos promover dentro da nossa cultura. Na Linde Saúde, a segurança é a nossa principal prioridade e o valor número um, onde colocamos o nosso foco, sendo fundamental não só para os nossos colaboradores, como para os nossos parceiros, mas também para os doentes em casa. Temos muita logística associada aos cuidados domiciliários. Na área da Saúde, as deslocações dos gases (a nível industrial) têm que ser feitas em segurança e o doente para estar em casa (Homecare) tem que estar em segurança, pelo que esse é o nosso foco principal em termos de valores.

JM | Como se reflete o mote Making our world more productive no trabalho desenvolvido diariamente a nível global e nacional?
MJV | Esse mote é não só interno, como também queremos que se reflita nos nossos doentes na comunidade/sociedade em geral, de uma forma abrangente. Claro que tem que começar em nós, a um nível individual, mas o objetivo é sermos capazes de transmitir essa mensagem/competência, procurando ajudar os nossos clientes a serem, também eles, mais produtivos. E o que é ser mais produtivo? É poder fazer mais com o que temos, os recursos são escassos e sociedade necessita desses níveis de produtividade, para poder fazer frente ao envelhecimento populacional que estamos a viver.

JM | A Linde Saúde está à cabeceira do doente, na sua casa… Como é o processo que vai desde a produção até à prestação de cuidados no domicílio?
MJV | Connosco, esse processo inicia-se com uma chamada telefónica por parte do doente, que nos diz: “Preciso de fazer o tratamento x, prescrito pelo meu médico”. A entrada da solicitação de tratamento é o primeiro ponto de contato com o doente.

JM | A vossa relação com o doente é de enorme proximidade…
MJV | É uma relação de proximidade e, na maior parte dos casos, de longa duração. Temos situações de crianças que começam a fazer os nossos tratamentos e que acompanhamos durante toda a adolescência e vida adulta. A maior parte dos doentes têm patologia crónica, pelo que grande parte das nossas relações são de longo prazo.

JM | E, por inerência, estabelecem também uma relação com o cuidador informal. Como olha para esta figura no contexto dos cuidados domiciliários respiratórios?
MJV | Eu penso que o cuidador informal, neste contexto, chega a ser quase um profissional de saúde, porque é forçado a especializar-se bastante na condição da pessoa de quem cuida e na prestação de cuidados de que esta necessita. Em situações de urgência, em que o doente chega com uma exacerbação/agudização da sua doença ao hospital, o papel do cuidador é crucial na informação ao médico, uma vez que ainda não é uma realidade o doente ter os registos clínicos sempre consigo ou a fluir entre níveis de cuidados. Lá chegaremos…

JM | Que patologias/áreas terapêuticas abarcam com os vossos produtos?
MJV | Os doentes que temos são maioritariamente indivíduos com patologia crónica, em que as doenças respiratórias são as mais prevalentes como a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica) – que nos últimos anos tem sido bastante debatida junto da população em geral, no sentido de se saber identificar os sintomas, alertando-se para a importância de um diagnóstico precoce – até à síndrome da apneia do sono, muito interligada com a obesidade, diabetes e hipertensão arterial.
Abrangemos ainda doentes com patologias congénitas degenerativas, como as doenças neuromusculares, entre as quais se destaca a esclerose lateral amiotrófica. No grupo de doentes com patologia cardíaca, temos a insuficiência cardíaca e o pós-enfarte agudo do miocárdio, que são doentes que estão inseridos em programas de acompanhamento por telessaúde disponibilizados pela Linde. Os benefícios deste tipo de acompanhamento domiciliário por monitorização remota na pós-hospitalização passam por evitar a readmissão hospitalar e as suas consequências (maiores taxas de insucesso). Através destes programas, os doentes podem ter a sua condição precoce e devidamente avaliada e sinalizada.

JM | Como se chega à liderança no mercado nacional na área dos cuidados de saúde ao domicílio?
MJV | A Linde tem desenvolvido a sua atividade a nível local e internacional através de uma estratégia de aquisição. Assim, acabou por se tornar líder na área dos gases industriais e na área da Saúde. Nem todos os países são iguais e nem todos têm a mesma massa crítica, mas em Portugal temos essa dimensão e somos uma das primeiras empresas no mercado.

JM | Qual é a importância de Portugal no mundo Linde Saúde global?
MJV | Portugal é um país muito sensível à tecnologia e à inovação.

JM | Sensível, no bom sentido…?
MJV | Sim, sensível no bom sentido. Os portugueses são sensíveis na adoção, na experimentação e na implementação da inovação. E também no seu desenvolvimento! Por outro lado, temos boas escolas e boas universidades, e temos também massa crítica no país, dimensão, capilaridade.

JM | Podemos dizer que a Linde Saúde é verdadeiramente pioneira nesta área dos programas de telessaúde e de reabilitação respiratória?
MJV | A Linde avançou com a criação do primeiro centro de reabilitação respiratória a nível nacional, em Lisboa, que tem tido resultados importantes em termos de reabilitação destes doentes. Inicialmente pensámos que os doentes que iam acorrer ao centro seriam sobretudo doentes com DPOC, mas também temos outras patologias respiratórias e até doentes oncológicos. Neste sentido, estabelecemos um protocolo com a Fundação Champalimaud para podermos receber os doentes desta instituição, em fase de pré ou pós-operatório ou de radioterapia, para os reabilitar o mais rapidamente possível, em cada uma das diferentes fases da sua doença. Tanto na reabilitação respiratória, como também na telessaúde, a Linde Saúde em Portugal é pioneira e serve de modelo e de tubo de ensaio para o grupo a nível internacional.

Para ler a entrevista na íntegra aceda ao site:
http://www.jornalmedico.pt/wp-content/uploads/premium/jornais/jm097/page_1.html

UBI e Linde Saúde lançam Curso de Telemonitorização da Doença Crónica

A Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (FCS-UBI) e a Linde Saúde, com o apoio científico da SITT – Sociedade Ibérica de Telemedicina e Telesaúde, estão a organizar em conjunto o Curso de Telemonitorização da Doença Crónica, que se irá realizar de 15 a 17 de maio. As inscrições estão abertas.

Neste curso os participantes vão poder adquirir conhecimentos sobre temas como tele-saúde e telemonitorização (Fundamentos e Aplicações), conceitos de Tecnologia de Informação e Comunicação e gestão de doença crónica através da telemonitorização, entre outros. A formação tem o máximo de 110 vagas e dirige-se aos profissionais de saúde e a licenciados em bioengenharia e ciências biomédicas.

Os diferentes temas vão ser abordados por especialistas na área da telemonitorização, nomeadamente, Miguel Castelo Branco, Nuno Garcia e Juliana Sá (docentes da UBI), Nando Campanella (Universidade do Estado do Amazonas), Luís Gonçalves (presidente da SITT – Sociedade Ibérica de Telemedicina e Telesaúde), e Sandra Guedes, João Pereira e Cláudia Serrão, da empresa Linde.

Segundo Luís Gonçalves, a telemonitorização consiste na monitorização de doentes crónicos no seu domicílio, com o principal objetivo de tentar evitar as idas às urgências hospitalares por exacerbação da doença. Através da monitorização de determinados parâmetros indicadores do estado de saúde do doente, como a deteção de alterações indicadoras de instabilidade clínica, é possível atuar precoce e preventivamente em casos de possibilidade de agravamento do estado de saúde do doente.

“A criação deste curso, em parceria com a Linde Saúde e a SITT, faz todo o sentido pois contribui para que a oferta formativa e científica da UBI seja cada vez mais diversificada e atual, explica António Fidalgo, Reitor da UBI, que destaca ainda que esta instituição “tem como missão promover a qualificação de alto nível, a produção, transmissão, crítica e difusão de saber, cultura, ciência e tecnologia, através do estudo, da docência e da investigação”.

Já João Pereira, Business Development Manager da Linde Saúde, refere que a empresa “tem vindo a apostar na tele-saúde, como ferramenta que potencia o acompanhamento dos doentes crónicos, quer respiratórios, quer cardíacos, de forma a dar resposta à crescente prevalência das doenças crónicas e promover uma melhor qualidade de vida nas pessoas com estas doenças. Esta formação que estamos a promover com a UBI é de extrema relevância pois sabemos que estamos a contribuir para capacitar os profissionais de saúde para modelos de cuidados de saúde que estarão cada vez mais presentes nos serviços de saúde em Portugal e no mundo”.