Oxigenoterapia de Deambulação nas férias

A Oxigenoterapia de Deambulação consiste na administração de oxigénio durante as atividades da vida diária de forma a aumentar a concentração de oxigénio no ar que respiramos. É facilitada pelos dispositivos denominados concentradores portáteis de oxigénio e permite  aumentar a autonomia e a qualidade de vida das pessoas com Insuficiência Respiratória Crónica.

Em férias, este tratamento deve ser mantido tal e qual como durante o resto do ano. Mesmo andando de um lado para o outro e independentemente dos locais, deve ser feito o mesmo oxigénio e de acordo com a prescrição médica.

A Insuficiência Respiratória Crónica é caracterizada pela incapacidade de efectuar trocas gasosas a nível pulmonar em parâmetros adequados.  Manifesta-se por hipoxémia , redução da concentração de oxigénio no sangue periférico. Para além de hipoxémia, a Insuficiência Respiratória Crónica também pode provocar a retenção do dióxido de carbono, que se chama hipercápnia, por incapacidade do aparelho respiratório em eliminá-lo eficazmente.

Considera-se que existe uma Insuficiência Respiratória Crónica quando a pressão arterial parcial de oxigénio (PaO2) é inferior a 60 mm Hg (milímetros de mercúrio) com ou sem aumento da pressão arterial parcial de dióxido de carbono (PaCO2) superior a 45 mm Hg.

A Insuficiência Respiratória Crónica pode ser causada por doenças do aparelho respiratório ou por doenças de outros órgãos ou sistemas, que impeçam uma eficaz entrega de oxigénio aos tecidos. O sintoma mais evidente da Insuficiência Respiratória Crónica é a dispneia, ou seja, a sensação de dificuldade respiratória ou a chamada falta de ar, que inicialmente é desencadeada pelo esforço, mas com o passar do tempo pode agravar-se surgindo em repouso.

Os doentes em que há baixa da concentração de oxigénio – o que se traduz  numa saturação do oxigénio periférico abaixo de 88% (SpO2 < 88%) –, nas tarefas da vida diária,  na deambulação, ou nos trabalhos que implicam esforço moderado a alto, têm indicação de utilização de oxigénio suplementar para impedir a degradação dos órgãos, nomeadamente coração, pulmões, cérebro e músculos. A isso chama-se Oxigenoterapia de Deambulação.

A Oxigenoterapia consiste, assim, na administração terapêutica de oxigénio suplementar, de forma a aumentar a concentração de oxigénio no ar que respiramos. A prescrição de Oxigenoterapia de Deambulação é indicada para as pessoas que através de uma prova de marcha de 6 minutos ou de um registo da saturação periférica por oximetria durante 24 horas revelem uma saturação periférica do oxigénio inferior a 88%.

A quantidade de oxigénio suplementar a prescrever está dependente de um exame, que se chama prova de aferição do oxigénio.

A Norma da Direcção Geral de Saúde e a Norma da Prescrição de Oxigenoterapia de Deambulação obriga a que estes doentes estejam integrados em Programa de Reabilitação Respiratória. Um programa de Reabilitação Respiratória tem como objetivos proporcionar a diminuição das incapacidades físicas e psicológicas causadas pela doença respiratória através da melhoria da aptidão física e mental, alteração de comportamentos de agravamento, promoção da reintegração social e capacitação do doente para a gestão integrada da sua doença. Este programa assenta em três pilares: controlo clínico, ensino e treino de exercício. Sendo que deverá ter o suporte técnico de uma equipa interdisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais.

Os principais benefícios da reabilitação respiratória são a redução dos sintomas respiratórios de fadiga e dispneia, a reversão da ansiedade e depressão associadas à doença respiratória, a melhoria da tolerância ao exercício com aumento da resistência ao esforço, a melhoria na habilidade para a realização das actividades da vida diária, a redução das agudizações, a redução do número de consultas não programadas e recurso ao Serviço de Urgência, a  redução do número de dias de hospitalizações, a  diminuição dos custos directos e indirectos relacionados com a saúde e uma melhor integração familiar e social

Se for de férias e suspender temporariamente a Reabilitação Respiratória, deve manter, para além da rigorosa prescrição de oxigénio, um plano de exercício, pois o exercício faz parte integrante do plano terapêutico do doente sob Oxigenoterapia de Deambulação.

Dr. António Carvalheira Santos, Chefe de Serviço de Pneumologia

Dia do Transplante: Os cuidados a ter depois de receber esta nova oportunidade

Mal se entra nesta nova fase da vida, após o transplante pulmonar, são vários os cuidados a ter, e nem todos contam com o apoio médico, mas com o quotidiano de cada um.
O dia de hoje é marcado pelos 49 anos desde a realização do primeiro transplante em Portugal. Esta é, segundo a Associação de Transplantados Pulmonares de Portugal, “a esperança de sobrevivência e também uma nova oportunidade” para quem o recebe.

Além dos cuidados médicos, que são bastante frequentes numa primeira fase, segue-se a adaptação do estilo de vida à nova condição que embora garanta uma maior saúde, importa não esquecer da sensibilidade a que se fica exposto.

O pulmão é o principal órgão do sistema respiratório, pelo que é necessário garantir a reabilitação respiratória antes de o paciente regressar a casa. Quando tal acontece, há recomendações a ter em conta.

Quem as aponta é Manuel Francisco, presidente da Associação de Transplantados Pulmonares de Portugal (ATPP), que indica em primeiro lugar a mais essencial: não fumar. O estilo de vida saudável passa também pela prática de exercício físico regular que pode, agora no verão, ser feita no mar. Contudo, deve evitar as piscinas.

Quanto à alimentação, deve contar com pouco sal, açúcar ou gorduras e o peixe e carne devem ser sempre bem cozinhados.

Porque o sistema imunitário estará mais enfraquecido, não deve descurar do uso da máscara de proteção em locais públicos e fechados nem da higiene pessoal, para garantir uma boa prevenção contra infeções. Do mesmo modo, o contato com quem tenha doenças infecciosas deve ser evitado e o cuidado com o sol deve ser redobrado, através do uso de creme com elevado fato de proteção, para que se evitem queimaduras que tenham como consequência reações do sistema imunitário.

A par desta nova rotina cuidada, a medicação é imprescindível para garantir que o sistema imunitário se adapta e não rejeita o novo órgão, aspeto que é prevenido através de um plano terapêutico estabelecido pela Equipa de Transplante.

 

Para ler o artigo completo, clique aqui.

Comece no verão a preparar o seu inverno

Para que as pessoas com doenças respiratórias crónicas estejam mais protegidas nos meses de frio, devem começar no verão a investir em medidas de proteção e limpeza das vias aéreas, bem como a melhorar a sua capacidade física e tolerância ao exercício, através da reabilitação respiratória.

As doenças do aparelho respiratório têm uma elevada prevalência, sendo que em Portugal são responsáveis por cerca de 19% dos óbitos e a principal causa de internamento hospitalar. Estima-se que, em 2020 no mundo, as doenças respiratórias sejam responsáveis por cerca de 12 milhões de mortes anuais.

As doenças respiratórias são na sua maioria mais prevalentes nas faixas etárias mais elevadas, com maior incidência no sexo masculino, no entanto e devido às alterações marcadas nos hábitos tabágicos no sexo feminino, estas diferenças tendem a diminuir.

Podemos definir como doenças respiratórias crónicas, as doenças que, independentemente da sua gravidade e apesar de serem tratáveis, permanecem com manifestações dessas mesmas doenças. A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), a asma brônquica, as fibroses pulmonares e as bronquiectasias são as principais doenças respiratórias crónicas. No entanto, existem outras doenças que também são relevantes, nomeadamente a fibrose quística, a hipertensão pulmonar de várias causas, a Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono, as doenças neuromusculares e as doenças deformativas da parede torácica que conduzem a insuficiência respiratória e implicam muitas vezes a necessidade de utilização de oxigénio e mesmo de ventilação mecânica para que os doentes tenham uma boa qualidade de vida.

O frio é um irritante brônquico e, por isso, facilitador do agravamento das doenças respiratórias crónicas.  O muco, que tem como finalidade a fixação dos irritantes que invadem o aparelho respiratório de forma a que estes sejam expulsos, pela sua composição – proteínas, glúcidos (açúcares) – e à temperatura do organismo, também pode criar, se retido, as condições para a sua multiplicação dos vírus e bactérias que reteve, levando ao desenvolvimento das doenças infeciosas respiratórias virais e bacterianas.

Outro efeito do frio é provocar vasoconstrição, o que leva a um menor aporte de leucócitos e glóbulos brancos aos locais infetados, e por isso a uma diminuição na capacidade de defesa das vias aéreas.

Por este motivo, nos doentes respiratórios crónicos a adesão à terapêutica brônquica e a vacinação da gripe e das pneumonias deve ser efectuada conforme a prescrição. A limpeza das vias aéreas é outro cuidado a ter, de forma a não facilitar as infeções respiratórias.

Em Portugal os dados de incidência e prevalência de pneumonias são bastante preocupantes. Há mais de 150.000 casos por ano, que são causa de 40.000 internamentos e mais de 400.000 dias de internamento. Segundo os dados de 2015, 78% dos internamentos por pneumonia ocorreu em pessoas com mais de 65 anos.

Muitos dos óbitos hospitalares por pneumonia ocorrem nas primeiras horas ou dias após a chegada ao hospital, o que sugere atrasos no diagnóstico e na referenciação do doente.

De notar que os idosos muitas vezes apresentam sintomas gerais, como alteração do comportamento, letargia, sonolência, o que não leva a pensar nesta doença. Neste grupo etário, muitas vezes, as queixas respiratórias podem ser escassas e podem não apresentar febre.

Para além da correta manutenção da terapêutica brônquica prescrita pelo médico e a vacinação da gripe e das pneumonias, a reabilitação respiratória deve fazer parte integrante da terapêutica dos doentes respiratórios crónicos sintomáticos.

A Reabilitação Respiratória é uma componente fundamental no tratamento do doente respiratório crónico. Tem sido alvo de particular atenção pelos investigadores nos últimos 10 anos e é atualmente apontada como uma intervenção de 1ª linha no tratamento da DPOC, bem como em outras doenças respiratórias crónicas, propiciando diminuição dos sintomas, melhoria na funcionalidade, capacidade de exercício e qualidade de vida e na autonomia da gestão da doença.

Reabilitação Respiratória

Um programa de reabilitação respiratória tem como objetivos proporcionar a diminuição das incapacidades físicas e psicológicas causadas pela doença respiratória através da melhoria da aptidão física e mental, alteração de comportamentos de agravamento, promovendo a reintegração social e capacitando o doente para a gestão integrada da sua doença.

Os principais benefícios da reabilitação respiratória são a redução dos sintomas respiratórios de fadiga e dispneia, a reversão da ansiedade e depressão associados à doença respiratória, a melhoria da tolerância ao exercício com aumento da resistência ao esforço, a melhoria na habilidade para a realização das atividades da vida diária, a redução das agudizações, a redução do número de consultas não programadas e recurso ao Serviço de Urgência, a  redução do número de dias de hospitalizações, a  diminuição dos custos diretos e indiretos relacionados com a saúde e uma melhor integração familiar e social.

Um programa de reabilitação respiratória assenta em três pilares: controlo clínico, ensino e treino de exercício.

A reabilitação respiratória deverá ter o suporte técnico de uma equipa interdisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais.

O exemplo do AIR CARE CENTRE, Centro de Reabilitação Respiratória da Linde tem de ser multiplicado para chegar a um número significativo de doentes respiratórios crónicos com os evidentes benefícios daí decorrentes.

A Direção Geral de Saúde aponta para a necessidade de expandir a espirometria (função pulmonar) à população para avaliação funcional respiratória e a reabilitação respiratória de proximidade abarcando os doentes respiratórios crónicos sintomáticos, que dela necessitem.

Hoje, em Portugal, só um pequeno número de doentes respiratórios crónicos é privilegiado ao ter acesso a um tratamento global com Programa de Reabilitação incluído. Torna-se pois premente a abertura de Centros de Reabilitação Respiratória de proximidade, que possam dar respostas às necessidades do país.

 

Dr. António Carvalheira Santos, chefe de Serviço de Pneumologia do Hospital Pulido Valente

A atividade física em pessoas com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

Atividade física e exercício são conceitos diferentes que importa esclarecer. Atividade física é qualquer movimento corporal, produzido pela contração dos músculos esqueléticos, que resulte num gasto de energia acima do nível de repouso (exemplos: atividade física desportiva, doméstica, ocupacional). Exercício é uma subcategoria da atividade física que é planeada, estruturada e repetitiva, e que tem como objetivo final a melhoria ou manutenção da capacidade física.

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença progressiva que afeta os brônquios e os pulmões (bronquite e enfisema), provocando sintomas iniciais como tosse e expetoração, e outros mais avançados como cansaço e dispneia (sensação de falta de ar) ao mínimo esforço.

Uma vez que se sentem cansadas e com falta de ar ao fazer as tarefas mais comuns, as pessoas com DPOC vão evitando o esforço e a atividade física. Sabe-se que a atividade física regular (150 min de atividade moderada/semana) é essencial para a promoção e a manutenção da saúde. Nas pessoas com DPOC, esta regra não tem exceção. Não é por acaso que a Direção Geral de Saúde (DGS) perspetivou o “exercício como medicamento” na sua “Estratégia Nacional para a Promoção da Atividade Física, da Saúde e do Bem-Estar | 2016-2025.

Aliás, os estudos comprovam que uma pessoa com DPOC que é integrada num programa de Reabilitação Respiratória e que tem níveis médios de atividade física consegue aumentar o seu grau de tolerância ao exercício físico, melhorar a sua qualidade de vida e reduzir o seu risco de hospitalizações, devido a exacerbações, e até de mortalidade.

A Reabilitação Respiratória é apontada como uma intervenção de fundamental no tratamento da doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Um programa de Reabilitação Respiratória deve assentar em três pilares essenciais: avaliação e controlo clínico, treino de exercício físico e educação. Neste programa o doente deverá ter o apoio de uma equipa multidisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais, para que possa melhorar a sua capacidade física, reduzir os sintomas, diminuir o stress e ansiedade e gerir de forma mais eficaz a sua doença.

Tarefas tão simples como abotoar uma camisa ou fazer a barba podem ser hercúleas para uma pessoa com DPOC que ainda não aprendeu a lidar com a sua doença. Mas, na Reabilitação Respiratória vai aprender a fazê-las de uma forma que não lhe cause tanto cansaço e dispneia (fazê-las sentado, por exemplo), ou seja de forma a conservar energia e consumir menos oxigénio.

Mesmo com treinos de baixa intensidade, a prática de exercício é benéfica para quem sofre de DPOC. Definindo objetivos que tenham em consideração a capacidade física do doente, e mantendo o acompanhamento profissional, de forma a ter rotinas de treino de acordo com a sua tolerância ao exercício, é possível melhorar os níveis de capacidade física de doentes com DPOC. Os profissionais de saúde têm um papel importante na promoção da Reabilitação Respiratória e da atividade física para o tratamento das pessoas com DPOC.

Joana Cruz, fisioterapeuta, docente da Escola Superior de Saúde (ESSLei) e investigadora da Unidade de Investigação em Saúde (UIS) do Instituto Politécnico de Leiria, destaca que também é importante “não esquecer que a atividade física é um fenómeno complexo e que depende de vários fatores que vão para além da própria doença, tais como características individuais, crenças, fatores socioeconómicos e ambientais (e.g., clima, região onde vive, suporte social)”.

Por isso, “cabe aos profissionais de saúde avaliar cada indivíduo no seu contexto, de forma a identificar possíveis facilitadores e/ou barreiras à atividade física, e ajudar o seu doente a manter-se fisicamente ativo”, conclui a especialista.

A Esclerose Lateral Amiotrófica e a Reabilitação Respiratória

Das doenças neurodegenerativas, a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é a terceira mais frequente. Afecta os neurónios motores do córtex, do tronco cerebral e da medula espinhal com perda progressiva e irreversível que conduz à fraqueza e paralisia motora de todos os músculos inclusive dos respiratórios, sendo esta última a causa de insuficiência respiratória e, consequentemente, o evento terminal mais comum.

O envolvimento dos músculos respiratórios (expiratórios e inspiratórios, sobretudo do diafragma), bem como da musculatura axial do tronco desencadeiam um quadro clínico de hipoventilação que se traduz por dificuldade respiratória, inicialmente durante a noite, responsável por queixas de sono como: fragmentação, pesadelos e sintomas matinais como boca seca, dores no corpo, fadiga, cefaleias. Queixas que evoluem para fadiga, dispneia, taquipneia  e impotência funcional para esforços cada vez menores durante o dia.  Os volumes de ar mobilizados, cada vez menores, agravam os sintomas e acentuam a acumulação de secreções e dificuldade na produção de tosse eficaz com potencial para complicações de infeção e/ou atelectasia, seguindo-se a instalação progressiva de insuficiência respiratória com alterações das trocas gasosas, com descida da pressão parcial do oxigénio (hipoxemia) e subida da concentração de dióxido de carbono (hipercapnia) em circulação.

O tratamento visa reduzir os sintomas, antecipar e prevenir as complicações, tendo como alvo os músculos respiratórios, afim de, melhorar, manter ou diminuir o declínio da função existente.

Inicialmente, um programa de reabilitação respiratória com uso de técnicas de controlo do ritmo e amplitude da frequência respiratória, tal como, uma abordagem global dirigida não só aos músculos respiratórios como aos do tronco e membros com treino de endurance e de fortalecimento moderado, são úteis e suportados pela evidência mais recente.

Sabendo que o início da insuficiência respiratória se processa, a maior parte das vezes, de uma forma insidiosa e durante os períodos de sono, nunca é demais chamar a atenção para o papel de avaliação sistemática capaz de detectar os primeiros sinais, como a oximetria de pulso noturna e/ou a capnografia, que permitem a identificação dos primeiros sinais objectiváveis e reconhecidos pelos próprios doentes, o que ajuda na aceitação da intervenção pela ventiloterapia não-invasiva (VNI) durante os períodos de sono de uma forma mais precoce. Mais tardiamente a VNI ajuda durante todo o processo dos programas de reabilitação realizados quer no domicílio quer em contexto hospitalar ou de clínica.

A VNI (administração de pressão positiva intermitente por meio de uma interface que pode ser uma máscara nasal, facial, orofacial ou outras), tem como objetivo a melhoria da qualidade do sono, melhoria da eficiência das trocas gasosas, redução da fadiga e aumento da tolerância ao esforço. É uma terapêutica estabelecida e eficaz a longo prazo que prolonga a sobrevida, melhora a funcionalidade e a qualidade de vida. Sem a VNI a sobrevida média após os primeiros sintomas não ultrapassa os 2-3 anos, com o recurso à VNI está identificada uma sobrevida média de 5-6 anos em muitos centros dos EUA e da Europa.

Contudo, existem importantes aspectos a realçar no domínio desta técnica, o primeiro dos quais se relaciona com a necessidade de seleção adequada das máscaras (faciais/nasais/outras) e de individualização da parametrização do equipamento para atingir o conforto, promover a adesão à terapêutica e alcançar os objectivos da VNI.

Em última instância o que se procura é uma verdadeira harmonia e sincronia entre o equipamento, a interface e a respiração do doente, situação em que se observa um equilíbrio estável na unidade coração-pulmão com redução da taquicardia, da taquipneia e melhoria da oxigenação sanguínea.

Em segundo lugar, avaliar a eficácia da tosse, visto que é igualmente vital manter as vias aéreas permeáveis sem secreções visando a prevenção das complicações associadas como as pneumonias e as atelectasias. Para este efeito recorre-se a outros produtos de apoio (ajudas respiratórias à ventiloterapia) como o Cough Assist, e/ou o Vest, para produzir uma tosse mecanicamente assistida.

Em terceiro lugar, e não menos importante, reconhecer a necessidade de um acompanhamento clínico frequente e próximo, com avaliações seriadas que permitam a identificação de potenciais complicações ou intercorrências, por forma a introduzir as correções necessárias antes que a evolução atinja pontos de difícil solução.

Na verdade, o maior ou menor êxito da intervenção reabilitadora no seu conjunto, desde o início da evolução, ou melhor, desde o diagnóstico até às fases terminais, deve ser uma constante integrada em equipas multidisciplinares vastas, incluindo os cuidados paliativos, domiciliários ou de cuidados continuados.

 

Anabela Pinto, PHD., Air Care Centre Linde Saúde

“É importante lembrar que os efeitos do tabaco ficam nos pulmões para sempre”, destaca especialista

No Dia Mundial Sem Tabaco, que se assinala a 31 de maio, o AIR Care Centre®, Centro de Reabilitação Respiratória, destaca os malefícios do tabaco, em particular a sua responsabilidade no aparecimento da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (bronquite e enfisema) e o facto de menos de 2% destes doentes terem acesso ao tratamento que, segundo as normas de boas práticas internacionais, deveria ser obrigatório: a reabilitação respiratória.

Sabe-se que 85% dos casos de cancro do pulmão e 90% dos casos de DPOC se devem ao tabagismo. Por isso, fazer todos os esforços para deixar de fumar – ativa ou passivamente – é dar um passo muito importante para promover a saúde, a qualidade de vida e prolongar a esperança de vida.

É muito importante que “os fumadores, os ex-fumadores e mesmo os fumadores passivos se lembrem de que os efeitos do tabaco ficam nos pulmões para sempre. Não é à toa que uma grande parte só comece a ter sintomas de problemas de saúde vários anos depois de deixar de fumar. Para muitos desses, reaprender a respirar e recuperar a sua capacidade física, através da reabilitação respiratória é essencial”, destaca o Dr. António Carvalheira, médico pneumologista coordenador do Programa de Reabilitação Respiratória do AIR Care Centre®, único centro em Portugal exclusivamente dedicado à reabilitação de doentes respiratórios.

Entre os principais benefícios da Reabilitação Respiratória estão: a redução dos sintomas de dispneia (falta de ar) e fadiga; a melhoria da capacidade física, para melhor realizar as tarefas do dia a dia; a redução do número de exacerbações e/ou da sua gravidade; a redução das idas ao serviço de urgência, bem como de hospitalizações e até duração das mesmas;; a melhoria da qualidade de vida relacionada com a saúde; a melhoria da função emocional; e uma maior capacitação para gerir com maior eficácia a sua doença crónica.

Com isto reduzem ainda os custos com a saúde associados aos internamentos por doenças respiratórias (a terceira mais importante causa de custos diretos relacionados com os internamentos hospitalares, a seguir aos das doenças cardiovasculares e do sistema nervoso) que, segundo o relatório “Portugal – Doenças Respiratórias em Números 2015” da Direção Geral de Saúde (DGS), atingiram os 213 milhões de euros em 2013. No mesmo ano, o custo médio de um internamento por doença respiratória foi de 1.892 euros.

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma doença respiratória com queixas gerais muitas vezes confundida com o processo natural de envelhecimento. De início poderá sentir tosse e catarro/expetoração, por vezes desvalorizados. Com a continuação da exposição a tabaco e/ou gases nocivos, estes sintomas podem tornar-se mais frequentes e incómodos, sendo mais frequentes as infeções respiratórias e os períodos de bronquite agudizada (exacerbações). Esta doença pode ainda apresentar sintomas como cansaço, dificuldade em respirar, sensação de falta de ar (dispneia) e/ou pieira ou farfalheira. Os sintomas de cansaço e falta de ar são particularmente relacionados com os esforços físicos e por isso são muitas vezes atribuídos ao envelhecimento.

AIR Care Centre® integra redes de Cuidados da Allianz

O AIR Care Centre®, o Centro de Reabilitação Respiratória da Linde, acaba de integrar a rede de cuidados de saúde da seguradora Allianz.Os beneficiários de seguros de saúde da Allianz (Rede Médica, Rede Bem-Estar e Rede 55+) podem, usufruir dos serviços de consultas de especialidade (pneumologia e fisiatria), exames (prova de esforço cardiorespiratória, espirometria, gasimetria entre outros) e fisioterapia (respiratória).

O AIR Care Centre Centre® é um Centro de Reabilitação especializado e o único no país exclusivamente dedicado ao tratamento de doentes respiratórios (agudos sem necessidade de internamento, sub-agudos e crónicos). São inúmeras as condições que podem beneficiar da fisioterapia/reabilitação respiratória, como situações de pré e pós-operatórios de cirurgia torácica e abdominal, infeções respiratórias associadas a excesso de secreções e tosse, doentes com cancro do pulmão com diminuição da capacidade respiratória e/ou funcional, DPOC, bronquiectasias, fibrose pulmonar, asma, entre outras.

O AIR Care Centre® recomenda aos doentes que contactem os seus mediadores de seguros para conhecerem as condições específicas das suas apólices para os serviços abrangidos na rede Allianz Saúde.

 

Para mais informações consulte – www.allianz.pt/servicos/redes-allianz/rede-allianz-saude e o AIR Care Centre através de http://www.aircarecentre.pt/pt/index.html ou 21 049 99 96.

Sono não reparador, cansaço ao despertar ou sonolência excessiva? Este artigo é para si

Entrevista publicada no Vital Health.
Manter horários regulares de sono, privilegiar o número adequado de horas de sono e adotar estilos de vida saudáveis, são conselhos a recordar no Dia Mundial do Sono, que se assinala amanhã, 16 de março, e para aplicar em todos os dias do ano. A propósito desta data, o Vital Health esteve à conversa com a pneumologista Susana Sousa, que explica que “o sono não reparador, o cansaço ao despertar e o aparecimento de sonolência excessiva durante o dia” são os principais sintomas da síndrome de apneia obstrutiva do sono, um distúrbio que afeta cerca de 4% da população adulta.

Susana Sousa, Pneumologista

Este ano, o Dia Mundial do Sono assinala-se a 16 de março. A World Sleep Society escolheu como tema a importância dos ritmos circadianos, com o mote “Junte-se ao mundo do sono, proteja os seus ritmos para aproveitar a vida”. Qual o “relógio biológico” ideal para a pessoa “aproveitar a vida”?
Este ano o Dia Mundial do Sono é dedicado ao tema da relação entre sono e ritmo circadiano, que mereceu o Prémio Nobel em 2017. O nosso ritmo circadiano é regulado pela exposição à luz, que determina a produção de uma hormona que é conhecida pela hormona do sono: a melatonina. Tão importante como o número de horas de sono, que na idade adulta deverá corresponder a 7-8 horas, é saber a fase do dia em que esse sono ocorre no período das 24 horas. A privação do sono, o trabalho por turnos ou o jet lag são exemplos de alterações do ritmo do ciclo de sono-vigília e que podem ter consequências graves, como obesidade, doenças cardiovasculares e aumento do risco de cancro. Manter horários regulares de sono, programar o sono nos casos de trabalho noturno ou por turnos, privilegiando o número adequado de horas de sono e a adoção de estilos de vida saudáveis, são conselhos a recordar no Dia Mundial do Sono e para aplicar em todos os dias do ano.
A síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) é uma patologia que causa interrupções na respiração e, consequentemente, no sono, tendo um impacto negativo na Saúde. De que forma a apneia afeta a Saúde?
A SAOS caracteriza-se por interrupções na respiração que ocorrem durante o sono, devido ao encerramento intermitente da via aérea. Como consequência, existem variações dos valores de oxigénio com ativação do sistema nervoso simpático, stress oxidativo e inflamação sistémica, que são responsáveis pelo aumento de risco de doenças cardiovasculares e metabólicas. A SAOS associa-se a um aumento de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, arritmias, doença coronária, AVC e também a diabetes e obesidade, afetando negativamente a Saúde e a qualidade de vida.
A SAOS afeta cerca de 4% da população adulta. De que forma pode ser prevenida?
Um estudo realizado em 2015 na Suíça, o Hypnolaus, demonstrou que a doença pode atingir até 50% dos homens e 25% das mulheres, demonstrando uma prevalência superior ao que julgávamos até aqui. Conhecemos hoje alguns dos fatores de risco da doença, sendo o principal fator a obesidade. Manter um estilo de vida saudável, controlo do peso, com nutrição adequada e exercício físico regular, evitar bebidas alcoólicas (sobretudo nas últimas quatro horas antes de dormir) e evitar o tabagismo, são medidas gerais de prevenção da doença.

 

Quais são os principais sintomas da SAOS?
Os principais sintomas são o sono não reparador, o cansaço ao despertar e o aparecimento de sonolência excessiva durante o dia. Frequentemente os doentes referem cefaleias ao acordar, irritabilidade, dificuldade na atenção e memória e diminuição da libido ou impotência. Durante o período de sono é frequente o ressonar, a nictúria (aumento do número de micções durante o período de sono) e a sensação de asfixia ou engasgamento durante o sono.
Hoje em dia, existem opções de tratamento que permitem melhorar a SAOS, como é o exemplo da ventilação por pressão positiva contínua (CPAP). Considera que os tratamentos atuais são eficazes e acessíveis aos doentes?
O tratamento de primeira linha é o CPAP, ou seja, a administração de uma pressão positiva na via aérea através de um equipamento gerador de pressão e de uma interface que impedem o colapso da via aérea durante o sono, eliminando os eventos respiratórios. Este tratamento demonstrou melhorar a sonolência diurna, reduzir os acidentes de viação, diminuir a pressão arterial e melhorar a qualidade de vida.
A SAOS pode ter um grande impacto no dia a dia dos doentes, podendo levar a que apresentem problemas no trabalho, na vida social e nos relacionamentos. Qual a melhor forma de ultrapassar esta situação?
A SAOS não é uma doença apenas do indivíduo. Tem impacto na qualidade de vida do próprio, mas também no seio familiar, âmbito social e laboral. A sonolência diurna excessiva leva muitas vezes ao isolamento social e a perturbações do humor. As alterações da memória e atenção, bem como a sonolência nas atividades laborais, podem comprometer o exercício da profissão e causar acidentes de trabalho. No âmbito do casal, o ressonar muitas vezes leva a separação de quartos, a sonolência impede atividades em conjunto e a diminuição da libido e o aparecimento de impotência podem ser causa de disfunção familiar.
Para ler a notícia, clique aqui.

Atividade física regular associada a melhor função pulmonar em fumadores

Estudo publicado na “Thorax”

Uma equipa de investigadores descobriu que a prática regular de exercício físico está associada a uma melhor função pulmonar nos fumadores.

O achado que foi o resultado de um estudo efetuado recentemente por investigadores do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal), Espanha, faz parte de um projeto conhecido como “Ageing Lungs in European Cohorts” (pulmões em envelhecimento em coortes europeus) que está a ser coordenado pelo Imperial College London, em Inglaterra.

Para o estudo, Elaine Fuertes e equipa usaram dados recolhidos de 25 centros europeus em 11 países relativamente a uma sondagem sobre a saúde respiratória nos cidadãos na comunidade europeia.

Num período de 10 anos, 3.912 adultos, com idades compreendidas entre os 27 e os 57 anos no início do estudo, foram considerados ativos se praticassem exercício físico duas ou mais vezes por semana e com a duração de uma hora ou mais também por semana.

As associações entre o exercício físico e a função pulmonar foram apenas observáveis nos fumadores atuais, o que sugere a existência de um mecanismo biológico relacionado com a inflamação.
“Este resultado põe em destaque a importância da atividade física, especificamente nos fumadores atuais que são um grupo que corre um risco mais elevado de terem uma função pulmonar debilitada”, disse Elaine Fuertes, que é a primeira autora do estudo.

Os investigadores verificaram ainda que os participantes que eram ativos no fim do estudo, seja por se terem tornado ativos ou por se terem mantido ativos durante o período de acompanhamento, apresentavam uma função pulmonar consideravelmente melhor do que os que se tinham mantido consistentemente inativos.

A investigadora Elaine Fuertes expõe que uma possível explicação para este achado poderá ser o facto de a atividade física fazer melhorar o endurance e força muscular respiratória através de um efeito que necessita de um esforço físico para se manter.

Para ler a notícia, clique aqui.

Transplante de pulmões obriga a mudança radical de rotina

O transplante pulmonar significa, para muitas pessoas, a última esperança de sobrevivência e todos têm que enfrentar o mesmo desafio: as listas de espera. Mas, se por um lado, a cirurgia significa uma nova oportunidade, o transplante pulmonar obriga também a uma mudança radical nos hábitos de cada doente.

Isto porque “o risco de infeção depois de um transplante é elevado, uma vez que os pulmões se encontram expostos constantemente ao ar, que contém bactérias que podem provocar doenças”, disse ao Correio da Manhã Maria Manuela Santos, vice-presidente da Associação de Transplantados Pulmonares de Portugal.

O transplante de pulmão é feito em doentes cujos órgãos já não cumprem as suas funções. “A maioria das pessoas submetidas à cirurgia já teve ou tem doença pulmonar obstrutiva crónica, fibrose pulmonar idiopática, fibrose cística, entre outros problemas”, explicou ao CM Carla Damas, pneumologista no Hospital de São João, no Porto.

Ainda assim, nem todos os utentes com doenças pulmonares associadas podem realizar o transplante. Utentes com idade superior a 65 anos ficam automaticamente excluídos da lista de espera. Depois da cirurgia, os transplantados fazem medicação específica e têm que seguir consultas regulares.

Doença diagnosticada aos 3 anos

Beatriz Salgueiro, estudante de Psicologia, fez um transplante pulmonar em 2016. “Recebi o diagnóstico da bronquite obliterante aos três anos de idade. Por isso, quando me disseram que tinha que ser transplantada, não fiquei surpreendida”, conta a jovem, de 24 anos. Realizada a cirurgia, confessa que notou “imensas diferenças no respirar”. Beatriz teve de recorrer à ventilação não invasiva, o que a ‘ensinou’ “a respirar de uma certa forma – a correta”, assegura.

Alimentos gordos e crus excluídos de dieta rigorosa

Os utentes submetidos a uma cirurgia de transplante pulmonar têm que ter uma dieta rigorosa, o que implica ter cuidados acrescidos e até mesmo restrições na alimentação. O peso é uma das preocupações dos especialistas.

Para ler a reportagem, clique aqui