“MENOS DE DOIS POR CENTO DOS DOENTES COM DPOC TEM ACESSO A PROGRAMAS DE REABILITAÇÃO RESPIRATÓRIA. A MÉDIA EUROPEIA RONDA OS 30%” – Entrevista Maria João Vitorino

À cabeceira do doente, na sua casa. É com esta proximidade que a Linde Saúde opera em Portugal, disponibilizando os seus produtos e serviços a perto de 70 mil doentes. De acordo com a Homecare Business Manager da Linde Saúde, Maria João Vitorino, esta é “uma relação de grande proximidade e, na maior parte dos casos, de longa duração”, onde a segurança e a capacitação são os valores-chave para o sucesso.

JORNAL MÉDICO (JM) | Qual é o posicionamento da Linde Saúde dentro do grupo Linde Portugal?
MARIA JOÃO VITORINO (MJV) | Temos três entidades legais em Portugal. Uma delas é a Linde Saúde que é “inquilina”, em Lisboa, da Linde Portugal. A Linde Portugal é a empresa que se dedica à produção e comercialização de gases industriais e farmacêuticos e a Linde Saúde à prestação de cuidados de saúde no domicílio. Estamos na parte Oriental de Lisboa – Olivais/Cabo Ruivo – desde os anos 40 do século passado, altura em que esta zona era mesmo só olival. Fomos crescendo e, atualmente, produção de gases está na zona de Alenquer.

JM | Por que filosofia se rege e que valores norteiam o negócio Homecare da Linde Saúde?
MJV | No grupo Linde PLC – designação que assumimos após a fusão com a Praxair –, a filosofia que nos rege é baseada na partilha e na vivência da nossa missão e dos nossos valores e na forma como conseguimos transmitir aos nossos cerca de 80 mil colaboradores, em cerca de 100 países, essa cultura comum. Os valores são sempre uma forma de expressarmos as prioridades que temos e que queremos promover dentro da nossa cultura. Na Linde Saúde, a segurança é a nossa principal prioridade e o valor número um, onde colocamos o nosso foco, sendo fundamental não só para os nossos colaboradores, como para os nossos parceiros, mas também para os doentes em casa. Temos muita logística associada aos cuidados domiciliários. Na área da Saúde, as deslocações dos gases (a nível industrial) têm que ser feitas em segurança e o doente para estar em casa (Homecare) tem que estar em segurança, pelo que esse é o nosso foco principal em termos de valores.

JM | Como se reflete o mote Making our world more productive no trabalho desenvolvido diariamente a nível global e nacional?
MJV | Esse mote é não só interno, como também queremos que se reflita nos nossos doentes na comunidade/sociedade em geral, de uma forma abrangente. Claro que tem que começar em nós, a um nível individual, mas o objetivo é sermos capazes de transmitir essa mensagem/competência, procurando ajudar os nossos clientes a serem, também eles, mais produtivos. E o que é ser mais produtivo? É poder fazer mais com o que temos, os recursos são escassos e sociedade necessita desses níveis de produtividade, para poder fazer frente ao envelhecimento populacional que estamos a viver.

JM | A Linde Saúde está à cabeceira do doente, na sua casa… Como é o processo que vai desde a produção até à prestação de cuidados no domicílio?
MJV | Connosco, esse processo inicia-se com uma chamada telefónica por parte do doente, que nos diz: “Preciso de fazer o tratamento x, prescrito pelo meu médico”. A entrada da solicitação de tratamento é o primeiro ponto de contato com o doente.

JM | A vossa relação com o doente é de enorme proximidade…
MJV | É uma relação de proximidade e, na maior parte dos casos, de longa duração. Temos situações de crianças que começam a fazer os nossos tratamentos e que acompanhamos durante toda a adolescência e vida adulta. A maior parte dos doentes têm patologia crónica, pelo que grande parte das nossas relações são de longo prazo.

JM | E, por inerência, estabelecem também uma relação com o cuidador informal. Como olha para esta figura no contexto dos cuidados domiciliários respiratórios?
MJV | Eu penso que o cuidador informal, neste contexto, chega a ser quase um profissional de saúde, porque é forçado a especializar-se bastante na condição da pessoa de quem cuida e na prestação de cuidados de que esta necessita. Em situações de urgência, em que o doente chega com uma exacerbação/agudização da sua doença ao hospital, o papel do cuidador é crucial na informação ao médico, uma vez que ainda não é uma realidade o doente ter os registos clínicos sempre consigo ou a fluir entre níveis de cuidados. Lá chegaremos…

JM | Que patologias/áreas terapêuticas abarcam com os vossos produtos?
MJV | Os doentes que temos são maioritariamente indivíduos com patologia crónica, em que as doenças respiratórias são as mais prevalentes como a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crónica) – que nos últimos anos tem sido bastante debatida junto da população em geral, no sentido de se saber identificar os sintomas, alertando-se para a importância de um diagnóstico precoce – até à síndrome da apneia do sono, muito interligada com a obesidade, diabetes e hipertensão arterial.
Abrangemos ainda doentes com patologias congénitas degenerativas, como as doenças neuromusculares, entre as quais se destaca a esclerose lateral amiotrófica. No grupo de doentes com patologia cardíaca, temos a insuficiência cardíaca e o pós-enfarte agudo do miocárdio, que são doentes que estão inseridos em programas de acompanhamento por telessaúde disponibilizados pela Linde. Os benefícios deste tipo de acompanhamento domiciliário por monitorização remota na pós-hospitalização passam por evitar a readmissão hospitalar e as suas consequências (maiores taxas de insucesso). Através destes programas, os doentes podem ter a sua condição precoce e devidamente avaliada e sinalizada.

JM | Como se chega à liderança no mercado nacional na área dos cuidados de saúde ao domicílio?
MJV | A Linde tem desenvolvido a sua atividade a nível local e internacional através de uma estratégia de aquisição. Assim, acabou por se tornar líder na área dos gases industriais e na área da Saúde. Nem todos os países são iguais e nem todos têm a mesma massa crítica, mas em Portugal temos essa dimensão e somos uma das primeiras empresas no mercado.

JM | Qual é a importância de Portugal no mundo Linde Saúde global?
MJV | Portugal é um país muito sensível à tecnologia e à inovação.

JM | Sensível, no bom sentido…?
MJV | Sim, sensível no bom sentido. Os portugueses são sensíveis na adoção, na experimentação e na implementação da inovação. E também no seu desenvolvimento! Por outro lado, temos boas escolas e boas universidades, e temos também massa crítica no país, dimensão, capilaridade.

JM | Podemos dizer que a Linde Saúde é verdadeiramente pioneira nesta área dos programas de telessaúde e de reabilitação respiratória?
MJV | A Linde avançou com a criação do primeiro centro de reabilitação respiratória a nível nacional, em Lisboa, que tem tido resultados importantes em termos de reabilitação destes doentes. Inicialmente pensámos que os doentes que iam acorrer ao centro seriam sobretudo doentes com DPOC, mas também temos outras patologias respiratórias e até doentes oncológicos. Neste sentido, estabelecemos um protocolo com a Fundação Champalimaud para podermos receber os doentes desta instituição, em fase de pré ou pós-operatório ou de radioterapia, para os reabilitar o mais rapidamente possível, em cada uma das diferentes fases da sua doença. Tanto na reabilitação respiratória, como também na telessaúde, a Linde Saúde em Portugal é pioneira e serve de modelo e de tubo de ensaio para o grupo a nível internacional.

Para ler a entrevista na íntegra aceda ao site:
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