Número de mortes por doenças respiratórias aumentou quase 25% em 10 anos

No passado dia 23, dia da apresentação do relatório do Observatório Nacional de Doenças Respiratórias (ONDR), o Dr. Jaime Pina, Vice-Presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), esteve na SIC a explicar alguns dos dados apresentados no relatório.

Em resumo, o dado mais alarmante apresentado no relatório ONDR mostra que as mortes por doenças respiratórias subiram quase 25%. Uma das causas principais prende-se com o aumento da esperança média de vida, da existência de uma população mais idosa. E a pneumonia, como episódio de final de vida  é uma realidade muito frequente.

As outras causas que geram um aumento de hospitalizações e de mortalidade são a pneumonia, o cancro do pulmão e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).

A DPOC é a doença do fumador. Pode-se dizer que 90% das pessoas que têm cancro do pulmão fumam, e que 85% das pessoas que têm DPOC, fumam.
Continuando os portugueses a fumar, a repercussão desta realidade vai traduzir-se num acréscimo de mortalidade nestas duas doenças (cancro do pulmão e DPOC). E é por isso que a FPP faz muita força para que sejam implementadas medidas para tentar inverter esta situação.

O Dr. Jaime Pina, falou no exemplo relativo ao cancro e à DPOC, que é necessário  fazer um diagnóstico precoce, pois irá permitir intervenções atempadas. Se se olhar para o número de mortes associadas ao cancro do pulmão no ano passado, foram quase 4.000. Se tivesse sido identificado precocemente, muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas.

Relativamente à pneumonia, verifica-se uma maior mortalidade nas zonas sul do país, principalmente nos distritos do interior. Segundo o Dr. Jaime Pina, a justificação prende-se com a acessibilidade aos serviços de saúde. É reconhecido que em relação às pneumonias, têm que ser tratadas muito precocemente após o início do processo. Quanto maior for o tempo entre o início da doença e o início do tratamento, pior é o prognóstico.

Atualmente, verifica-se que ainda é muito pequena a percentagem de pessoas com acesso à  reabilitação respiratória. De acordo com o Dr. Jaime Pina, é necessário pensar na saúde na medida do que faz falta aos portugueses. Relativamente ao diagnóstico precoce, a FPP preconiza que haja uma rede nacional de espirometria, que é um exame que permite fazer o diagnóstico da DPOC precocemente. A FPP preconiza também que haja uma rede nacional de reabilitação respiratória, de forma a que todos os hospitais e centros de saúde do país tenham capacidade de prestar essa forma de apoio e tratamento aos doentes, porque a reabilitação respiratória, é um tratamento muito pragmático e muito concreto. É uma forma de ajudar uma pessoa que tem insuficiência respiratória.

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