O doente com Fibrose Pulmonar Idiopática

A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é uma doença de causa desconhecida, consistindo numa progressiva acumulação de tecido danificado nos pulmões, podendo-se encarar este processo como o resultado de deficiente cicatrização pulmonar perante agressões diversas, embora não cabalmente identificadas, mas dentro das quais o tabaco será um dos mais relevantes fatores.

A FPI é uma doença progressiva e que surge habitualmente entre os 60 e os 70 anos de idade, sendo mais frequente no sexo masculino.

Inicialmente as queixas são muito discretas, pelo que, aparecendo esta doença maioritariamente em fumadores, são muitas vezes desvalorizadas ou confundidas com doença das vias aéreas ou doença cardíaca. Esta é uma das causas para o atraso no diagnóstico, o que pode condicionar a evolução da doença sem o correto encaminhamento.

A falta de ar que se vai instalando, inicialmente apenas em esforço, acompanhada de tosse seca e irritativa, são os principais sintomas da doença.

O diagnóstico é efetuado principalmente com realização de uma TAC do tórax, não sendo necessário atualmente, na maioria das situações, o recurso a biópsia para obtenção de tecido pulmonar.

 

Não havendo cura para a FPI, existem tratamentos disponíveis, as chamadas moléculas antifibróticas, que podem abrandar o desenvolvimento do processo de cicatrização nos pulmões e assim atrasar a progressão da doença, daí a necessidade de um diagnóstico o mais atempado possível.

Também existem opções terapêuticas disponíveis com potencial de controlo dos sintomas como a tosse. A reabilitação pulmonar é outra das atitudes terapêuticas obrigatórias, estimulando os doentes a realizar exercício dentro dos limites das suas capacidades funcionais. Finalmente, a oxigenoterapia pode tornar-se imprescindível para os doentes com FPI mais avançada.

É também fundamental que os doentes possam receber e procurar informação que os ajude a entender o seu problema clínico e que lhes forneça formação na gestão da doença. A informação online é hoje uma ferramenta indispensável, mas é imprescindível uma relação próxima e constante entre o doente e os profissionais de saúde.

 

Carlos Robalo Cordeiro, professor catedrático de Pneumologia da Faculdade de Medicina de Coimbra e diretor do Serviço de Pneumologia A do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra