O papel da Reabilitação Respiratória no Cancro do Pulmão

O Cancro do Pulmão é a doença Oncológica, segundo a OMS – GLOBOCAN 2018, que mais casos novos regista anualmente, e que maior mortalidade apresenta.

Embora a incidência em não fumadores tenha vindo a aumentar, é sabido que o tabaco está intimamente relacionado com o Cancro do Pulmão. Consequentemente estes doentes apresentam frequentemente associada Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC).

O Colégio Americano de Médicos Pneumologistas refere mesmo que o controlo dos sintomas no cancro do pulmão é tão importante como o tratamento do próprio cancro.

A Reabilitação Respiratória deve ser integrada no plano terapêutico do doente respiratório, e o doente com cancro do pulmão não é exceção, em qualquer fase da sua doença oncológica.

Numa fase mais precoce a capacidade funcional (respiratória, muscular e cardíaca) deve ser otimizada sendo aplicada no pré e pós-operatório, para uma recuperação mais fácil e adequada, permitindo ao doente voltar o mais rapidamente à sua vida diária sem limitações. No pós-operatório é mandatório implementar exercícios com o intuito de melhorar a expansão pulmonar e impedir aderências pleurais, bem como técnicas para uma boa higiene brônquica.

Nas fases mais avançadas da doença são realizadas terapêuticas como a quimioterapia, a imunoterapia ou radioterapia. Nestes casos, e aplicado simultaneamente, um programa de Reabilitação Respiratória adaptado possibilita melhorar a capacidade respiratória (diminuindo os sintomas de fadiga e dispneia, bem como da perda da massa muscular), incrementa a tolerância ao exercício conduzindo a uma melhoria geral da capacidade funcional e maior controlo de ansiedade do doente.

Existem estudos que identificam uma prevalência de 80% de fadiga relacionada com o cancro em doentes sob quimioterapia e/ou radioterapia, já que estas terapêuticas diminuem a capacidade de entrega/utilização do oxigénio durante o esforço contribuindo para a intolerância ao exercício.

As modalidades de intervenção são múltiplas, nomeadamente com exercício aeróbico através do uso de bicicleta, tapete rolante, marcha e treino de escadas; alguns incluíram também treino de força, de relaxamento e sessões educacionais.

De igual importância, a Reabilitação Respiratória tem também benefícios psicológicos, tornando-se até uma motivação durante o tratamento da doença oncológica.

Na generalidade, os doentes descrevem a dor e o medo da dispneia (falta de ar) como os maiores receios quando lhes é transmitido o diagnóstico de Cancro do Pulmão.

Os tratamentos, farmacológicos e não farmacológicos, têm evoluído muito nos últimos 5-10 anos, apresentando efeitos secundários mais toleráveis e sendo mais eficazes, conseguindo uma maior sobrevida com maior qualidade de vida. Nesse sentido, hoje os doentes oncológicos podem e devem cada vez mais tentar ter uma vida normal, com um estilo de vida saudável e fisicamente ativo. A Reabilitação Respiratória dá-lhes armas que os ajudam a conseguir isso mesmo, sendo sempre adaptada a cada caso.

Um programa de reabilitação respiratória assenta em três pilares: controlo clínico, treino de exercício e educação. Esta intervenção é sempre adaptada às necessidades de cada doente, em cada momento específico da sua doença e do seu tratamento. Sendo que deverá ter o apoio de uma equipa interdisciplinar composta por médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, psicólogos, nutricionistas e terapeutas ocupacionais.

O AIR Care Centre®, criado em 2014, é o primeiro centro em Portugal exclusivamente dedicado à Reabilitação de doentes respiratórios fora do meio hospitalar e que junta uma equipa multi-interdisciplinar de profissionais de saúde experientes, a excelentes condições de espaço físico e equipamentos para um processo completo de reabilitação.

 

Patrícia Garrido, pneumologista na Fundação Champalimaud

Luísa Morais, fisioterapeuta e técnica coordenadora do AIR Care Centre®