“Queremos tudo “aqui” e “agora”: esta resposta só é possível pelo recurso à tecnologia e à telesaúde”

O cardiopneumologista Dr. João Pereira considera que o recurso à tecnologia e à telesaúde tem inúmeras vantagens, quer para os doentes, que são assistidos sem necessidade de se deslocarem, quer para os hospitais, ao permitir “reduzir as listas de espera de seis meses para uma semana.” Em entrevista ao Vital Health, o cardiopneumologista mostrou-se muito satisfeito com a telesaúde em Portugal: “aquilo de que tenho conhecimento, à exceção da Dinamarca e do Reino Unido, Portugal é o país da Europa que tem dado mais passos nesse sentido”, afirma.

Vital Health (VH) | Vivemos um momento em que a tecnologia está cada vez mais ao serviço da comunidade científica e médica. Quais são as principais vantagens da telemedicina na sociedade atual?

João Pereira (JP) | Depende do utilizador final, mas diria que para o doente a principal vantagem é a facilidade de acesso. Pegando no exemplo da Dermatologia, um doente em Bragança consegue, desta forma, ter acesso a um especialista que está num Hospital no Porto, consegue, no centro de saúde a que pertence ser assistido e ver ser-lhe feito um diagnóstico à distância sem ter que se deslocar. Do ponto de vista da unidade hospitalar, isto também permite reduzir as listas de espera de seis meses para uma semana. Obviamente é completamente diferente marcar consulta e percorrer 200 km ou o médico de família recolher uma imagem na consulta e enviar para o colega da especialidade que faz o diagnóstico e decide se há necessidade de o doente se deslocar ao hospital central ou se se trata de uma situação que pode ser resolvida nos cuidados de saúde primários.

VH | Portanto falamos também de uma forma de reduzir as assimetrias regionais no acesso aos cuidados de saúde…

JP | Sim, exatamente. Nós temos um modelo em que todos os hospitais têm as mesmas valências, na maior parte dos casos, e o que se pretende é que, através da tecnologia, se concentre nas unidades mais preparadas, a maior parte dos pedidos. Claro que falamos daquilo que é possível fazer à distância, há determinados aspetos que envolvem a copresença do doente e do especialista. Falando de uma perspetiva global, numa altura em que a questão da sustentabilidade e do ambiente está na ordem do dia, a poupança no gasto energético também é um aspeto positivo.
Centrando-me novamente no doente, no caso da telemonitorização, em causa estão doentes crónicos que têm acesso a determinados equipamentos que recolhem informação clinica relevante e que podem enviar estes dados para o seu médico. Neste caso, se o doente apresentar alguma alteração no seu estado esta vai ser precocemente detetada, evitando idas à urgência e potenciais internamentos. Num contexto em que a população está cada vez mais envelhecida, e sabendo que as doenças crónicas afetam sobretudo estas faixas etárias, a telemedicina assume um papel especialmente relevante.

 

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