Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS): Conheça a doença que afeta 1 milhão de portugueses

A Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), frequentemente denominada de Apneia do Sono, consiste numa obstrução ao nível das vias aéreas superiores (VAS) durante o sono, podendo ser parcial (dando origem ao ressonar) ou total (provocando uma paragem respiratória – apneia – que pode durar vários segundos ou mesmo minutos, dependendo da gravidade, e originar micro-despertares). É uma situação séria, potencialmente fatal e que afeta cerca de 1 milhão de portugueses. 

Estas paragens respiratórias ou apneias diminuem os níveis de oxigénio e aumentam os de dióxido de carbono no sangue, dado que não existe passagem de ar para os pulmões. Esta situação alerta o centro respiratório, localizado no cérebro, para retomar a respiração, provocando um despertar. 

Os micro-despertares frequentes, embora necessários para retomar a respiração normal, levam a que o indivíduo não tenha um sono profundo e reparador, o que condiciona uma sonolência excessiva durante o dia (hiperssonolência diurna – HSD). 

A sonolência excessiva durante o dia é uma causa frequente de acidentes de viação e de trabalho, provocando, também, alterações de memória e de relacionamento familiar e social.  

Felizmente, assim que é feito o diagnóstico de SAOS, de forma completamente indolor, é possível iniciar o tratamento, também indolor, através do CPAP, elimina a ocorrência de apneias, elimina os sintomas de da SAOS e reduz significativamente os riscos associados a esta patologia. 

Sintomas e Sinais  

À noite 

∙ Ronco, por vezes com alta sonoridade, sendo audível nos quartos adjacentes 

∙ Apneias presenciadas, na maior parte das vezes, pelo parceiro/a 

∙ Asfixia noturna, muitas vezes associada a um despertar 

∙ Urinar com frequência durante a noite (mais de duas vezes, por noite) 

∙ Transpiração excessiva durante o sono 

Durante o dia 

∙ Hiperssonolência diurna 

∙ Fadiga 

∙ Secura da boca matinal 

∙ Dificuldades de concentração 

∙ Alterações de humor e irritabilidade 

Fatores de risco:

Excesso de peso e obesidade; hipotiroidismo; tabagismo; história familiar de SAOS.  

Diagnóstico 

O diagnóstico de SAOS é feito por um médico especializado no tratamento de doenças do sono. Um estudo do sono completo (polissonografia) ou mais simples (poligrafia cardio-respiratória), determinará a presença (ou não) de SAOS. Os estudos do sono registam e avaliam uma variedade de funções do nosso organismo e parâmetros fisiológicos durante o sono, tais como: o fluxo de ar que entra e sai do nariz e da boca durante o sono, os níveis de oxigénio no sangue, a frequência cardíaca, a frequência e o esforço respiratório, a atividade elétrica do cérebro, o movimentos dos olhos, etc. O número de paragens respiratórias que ocorrem durante a noite determina a gravidade da doença. Quando o estudo apresenta mais de trinta paragens por hora é considerado como um nível grave de SAOS. 

Tratamento 

O tratamento de eleição consiste na pressão positiva, através de um gerador de fluxo, de ar comummente denominado de CPAP* que proporciona uma pressão constante nas vias aéreas superiores, ou auto-CPAP (difere no modo como entrega a pressão selecionando automaticamente a pressão ideal para vencer a obstrução das vias aéreas superiores). Esta pressão é fornecida através de uma máscara colocada no rosto durante o sono, que força a entrada de ar nas vias aéreas superiores impedindo a obstrução e permitindo que a respiração se faça normalmente, sem paragens. Os episódios obstrutivos só regressando quando o dispositivo não é usado. 

Nos casos de menor gravidade, poderão ainda ser consideradas outras intervenções terapêuticas, como: Tratamento Comportamental, para gerar a perda de peso e/ou incidir sobre a terapia posicional, para que o doente duram numa posição que não desencadeia os eventos respiratórios anormais; Próteses Bucais, para aumentar a área da via área superior através do avanço da mandíbula que provoca; Cirurgia, para os doentes que apresentem uma SAOS ligeira, com uma obstrução anatómica identificada e que pode ser corrigida cirurgicamente.