Tabaco e poluição são principais fatores de risco de doenças respiratórias

No dia da apresentação do relatório do Observatório Nacional de Doenças Respiratórias, o Dr. Carvalheira Santos, Vogal do Conselho de Administração da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), foi entrevistado no Bom dia Portugal, do canal RTP, para falar sobre a problemática das doenças respiratórias em Portugal.

  • As doenças do foro respiratório são uma das principais causas de morte em toda a União Europeia.
  • Em Portugal, excluindo o cancro do pulmão, a pneumonia é a mais frequente e letal.
  • Beja, Setúbal, Portalegre, Santarém e Faro, são os distritos com a taxa de mortalidade mais elevadas.
  • Os internamentos por patologias respiratórias têm aumentado ao longo dos anos.

Segundo o Dr. António Carvalheira Santos, o principal factor de risco para as doenças respiratórias é o tabaco. Acrescenta ainda que existem fenómenos de poluição atmosférica que também estão associados à lesão pulmonar; e há factores intrínsecos dos próprios doentes, nomeadamente em algumas fibroses pulmonares, em que não se sabemos qual é a verdadeira causa dessas doenças.

O Dr. Carvalheira acrescenta que “temos vindo a aumentar o número de internamentos por doenças respiratórias, sendo que nos últimos 10 anos este número aumentou em 24%. O problema das pneumonias é muito grave, pois temos em Portugal taxas de mortalidade associada à pneumonia de cerca de 20%, um valor muito superior ao resto da Europa. E a razão por esta taxa de mortalidade prende-se com a dificuldade de acesso ao tratamento, que por ser mais tardia, piora o prognóstico. A chegada ao hospital já é feita muito tarde, o que leva a que a maioria das mortes se verifiquem nos primeiros dias de internamento”. O Dr. Carvalheira reforça ainda que as razões que levam aos doentes a não chegar atempadamente ao hospital prendem-se com questões de custos, falta de alerta para sintomas e pelo facto de nos grupos etários superiores, as pneumonias não aparecem como queixas específicas, mas sim como um mau estar geral, o que dificulta o diagnóstico. Outro problema prende-se com a acessibilidade aos cuidados de saúde em alguns locais é mais difícil, como pode ser verificado pela avaliação feita pela Universidade do Minho, que demonstra essas assimetrias.

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